Festa das Marisqueiras e Pescadores do Quilombo do Alto do Tororó reforça reivindicação por titulação definitiva do território

No sábado (28/06/2024), a comunidade do Quilombo do Alto do Tororó, localizada em São Tomé de Paripe, Salvador (BA), realiza a Festa das Marisqueiras e Pescadores, iniciativa que articula manifestações culturais com a reivindicação pela titulação definitiva do território quilombola. A programação tem início às 8 horas, com mesa de abertura e segue ao longo do dia com atividades culturais, rodas de diálogo e apresentações populares.

A celebração, organizada pela comunidade e parceiros, tem como objetivo fortalecer a memória coletiva, reafirmar o pertencimento territorial e mobilizar apoio à regularização fundiária da área, reconhecida como remanescente de quilombo pela Fundação Cultural Palmares desde 2010, mas ainda sem título definitivo.

A programação inclui roda de samba, capoeira, bumba meu boi, feira de artesanato, exibição de filmes, mostra fotográfica e a tradicional corrida de canoas. Também haverá comercialização de produtos da agricultura familiar e da economia solidária, fomentando a autonomia econômica da comunidade.

Segundo Bárbara Maré, liderança quilombola e integrante do Grupo das Matriarcas do Samba, o evento vai além da celebração cultural.

“O samba nos movimenta e a nossa ancestralidade nos guia. A festa é também um ato político e de resistência”, afirmou.

A Festa das Marisqueiras e Pescadores tem origem de mais de 40 anos na comunidade, sendo tradicionalmente realizada em junho, em homenagem a São Pedro, padroeiro dos pescadores. Após um longo período de interrupção, a retomada das edições em 2018 marcou o início de um novo ciclo de mobilização política e cultural do quilombo.

João Paulo Diogo, membro do Coletivo Assessoria Cirandas, destaca que a festa representa uma forma concreta de luta por direitos.

“A celebração é um instrumento de resistência territorial e afirmação do direito à existência digna, à pesca artesanal e à cultura tradicional”, pontua.

O Quilombo do Alto do Tororó é composto por descendentes de africanos escravizados e indígenas Tupinambás, com histórico de ocupação territorial conectado às águas da Baía de Todos os Santos e da Baía de Aratu. Apesar do reconhecimento oficial, a comunidade enfrenta pressões territoriais, como restrições de acesso ao mar imposta pela Base Naval de Aratu e interesses de empreendimentos privados.

A festa é realizada pelo coletivo Tempero do Quilombo, em parceria com o Coletivo Assessoria Cirandas e produção da Cultura Tao. O projeto foi contemplado pelo edital Gregórios – Ano IV, com recursos da Fundação Gregório de Mattos, da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Salvador, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), do Ministério da Cultura e do Governo Federal.


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