O Ministério das Comunicações entregou 43 computadores recondicionados a nove comunidades quilombolas da Bahia nesta sexta-feira (14/08/2026), em Salvador. A iniciativa integra o Programa AfroDigital, desenvolvido em parceria com o Ministério da Cultura para ampliar o acesso às tecnologias digitais em territórios tradicionais.
Os equipamentos foram destinados a comunidades indicadas pela Fundação Cultural Palmares. Segundo o Ministério das Comunicações, a iniciativa busca ampliar as condições de acesso à internet, educação, comunicação, serviços públicos e outras atividades que dependem de recursos digitais.
A entrega faz parte do Programa Computadores para Inclusão, que recupera equipamentos eletrônicos nos Centros de Recondicionamento para Computadores (CRCs) antes de destiná-los a escolas, associações, comunidades quilombolas e outros pontos de inclusão digital.
Programa utiliza equipamentos recondicionados
O modelo adotado pelo programa permite dar nova utilização a computadores que seriam descartados. Os CRCs realizam o processo de recuperação e, quando necessário, encaminham os componentes sem possibilidade de reaproveitamento para destinação ambientalmente adequada.
A política federal também está associada à capacitação em tecnologia da informação, buscando combinar acesso aos equipamentos com formação digital. O Ministério das Comunicações informa que o programa atende diferentes grupos e territórios com menor acesso às ferramentas tecnológicas.
Na Bahia, ações semelhantes já foram realizadas em comunidades tradicionais. Em 2025, por exemplo, o Ministério das Comunicações entregou oito computadores e uma antena de conexão Wi-Fi Brasil à comunidade quilombola de Pitanga dos Palmares, em Simões Filho.
Inclusão digital em comunidades tradicionais
A ampliação da infraestrutura tecnológica pode facilitar o acesso a serviços públicos digitais, atividades educacionais, comunicação e capacitação profissional. Em comunidades quilombolas, essas ferramentas também podem ser utilizadas por associações e organizações locais em atividades administrativas e comunitárias.
A política de inclusão digital tem sido ampliada para diferentes comunidades tradicionais. Em junho de 2026, o Ministério das Comunicações anunciou ações voltadas a mulheres pescadoras, marisqueiras, indígenas, quilombolas e extrativistas, com distribuição de computadores e iniciativas de capacitação.
Na Bahia, dados recentes também apontam avanço da conectividade em instituições localizadas em territórios quilombolas. Segundo levantamento do Censo Escolar citado pelo Jornal Grande Bahia, 94,1% das escolas quilombolas estavam conectadas à internet em 2025, ante 22,2% em 2015.
Roda de conversa reúne lideranças de terreiros
Além da entrega dos computadores, representantes do Ministério das Comunicações participaram, em Salvador, de uma roda de conversa com dez lideranças de terreiros e casas religiosas de matriz africana de Seabra.
O encontro abordou temas relacionados à inclusão digital, conectividade, preservação da memória e políticas públicas para povos e comunidades tradicionais. A atividade integra a articulação do governo federal com territórios culturais e tradicionais.
O Programa AfroDigital foi estruturado dentro de uma parceria entre os Ministérios das Comunicações e da Cultura. O programa tem como eixo a ampliação da transformação digital em quilombos e terreiros, incluindo entrega de equipamentos, formação e conectividade.
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