O espetáculo “A Baba do Lobo” realiza sua estreia mundial nesta sexta-feira (06/06/2025), às 19 horas, no Museu de Arte da Bahia (MAB). A montagem, resultado da colaboração entre a produtora Cem Palcos e o Teatro Vila Velha, permanece em temporada até 10 de junho, com sessões diárias às 19 horas.
O espetáculo traz ao palco as dançarinas e atrizes Cristina Castro (Brasil) e Leonor Keil (Portugal), sob direção do anglo-português Graeme Pulleyn e do brasileiro Márcio Meirelles. A produção integra o projeto teatral “As Viúvas do Volfrâmio” e usa uma abordagem poética, histórica e intercultural para debater os efeitos da exploração do minério volfrâmio, também conhecido como tungstênio, em diferentes contextos globais.
“A Baba do Lobo” discute as consequências da extração mineral e suas relações com catástrofes ambientais, poluição, impactos socioeconômicos e conflitos decorrentes do modelo neoliberal. O espetáculo faz paralelos entre a exploração histórica do volfrâmio na cidade portuguesa de Viseu na década de 1940 e casos brasileiros, como a mineração de lítio e os desastres ambientais em Mariana (MG).
O texto, uma colagem elaborada por Pulleyn e Meirelles, parte das obras “A Idade dos Metais”, da dramaturga brasileira Mônica Santana, e “Os Filhos de Quarta Feira”, do escritor português Sandro William Junqueira. As obras foram desenvolvidas a partir de pesquisas e relatos de sobreviventes das minas de volfrâmio nos municípios do distrito de Viseu.
A narrativa do espetáculo acompanha a memória de duas personagens viúvas que perderam seus companheiros na extração mineral, utilizando elementos de vídeo, música e depoimentos de comunidades impactadas para ampliar a reflexão sobre justiça social e sustentabilidade ambiental.
O projeto recebe financiamento da Direção Geral das Artes (Ministério da Cultura de Portugal) e do Município de Viseu, por meio do programa Eixo Cultura. Também é coproduzido por municípios portugueses como Moimenta da Beira, Sátão, São Pedro do Sul, Vila Nova de Paiva e Vouzela.
A iniciativa integra o programa “O Vila Ocupa o MAB” e reforça o papel do Teatro Vila Velha no intercâmbio cultural entre Brasil, Portugal e países lusófonos, com financiamento do Fundo de Cultura da Bahia e da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, via edital de apoio a ações continuadas de instituições culturais.


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