O projeto “Conexão além-mar: Brasil & Portugal” realiza uma nova etapa em Salvador entre 8 de setembro e 3 de outubro de 2026, reunindo espetáculos, performances, atividades formativas e ações de intercâmbio entre artistas brasileiros e portugueses. A iniciativa é promovida pelo Teatro Vila Velha, em parceria com a CEM Palcos, de Viseu, e o Teatro da Garagem, de Lisboa, e ocupa espaços culturais da capital baiana.
A programação integra um ciclo de cooperação artística previsto para ocorrer entre 2026 e 2028, com intercâmbios de formação, processos criativos e circulação de espetáculos entre Brasil e Portugal. Entre as atividades estão as performances “Godôs” e “Bocas”, da coleção “Morrer Pelos Passarinhos”, e a montagem portuguesa “O Rinoceronte”, baseada na obra de Eugène Ionesco.
A agenda também contempla atividades no Gabinete Português de Leitura, no Museu de Arte da Bahia e no Goethe-Institut, ampliando a circulação das produções para diferentes espaços culturais de Salvador. A programação oficial do Teatro Vila Velha confirma as apresentações de “Morrer pelos Passarinhos” em setembro e de “O Rinoceronte” em outubro.
Performances “Godôs” e “Bocas” chegam ao Goethe-Institut
As performances “Godôs” e “Bocas” serão apresentadas nos dias 12 e 13 de setembro, às 16h, no Goethe-Institut, em Salvador. As obras fazem parte da coleção “Morrer Pelos Passarinhos”, criada pelos coreógrafos portugueses Henrique Furtado Vieira e Lígia Soares.
A coleção aborda a relação entre períodos de crise e o surgimento de diferentes vanguardas artísticas. A proposta parte de questões relacionadas ao encerramento de formas conhecidas de organização do mundo, ao luto coletivo, ao medo, ao vazio e à desumanização. A série estreou em março de 2024, em Coimbra, durante o Festival END — Encontro de Novas Dramaturgias.
Em “Godôs”, a temática central é a espera. Os artistas procuram convencer pessoas a ocupar o palco vazio de um teatro, enquanto o público acompanha o processo em tempo real. Já “Bocas” utiliza diálogos virtuais projetados em aparelhos celulares posicionados diante dos rostos dos performers, explorando a relação entre comunicação digital, isolamento e ausência de contato físico. Os ingressos custam R$ 40, com meia-entrada a R$ 20.
Teatro da Garagem apresenta “O Rinoceronte” em Salvador
O Teatro da Garagem, de Lisboa, apresenta “O Rinoceronte” nos dias 2 e 3 de outubro, às 19h, no Museu de Arte da Bahia. A montagem tem encenação de Carlos J. Pessoa e parte da obra do dramaturgo franco-romeno Eugène Ionesco.
Na peça, a transformação de habitantes de uma cidade em rinocerontes é utilizada como elemento para discutir processos de adesão coletiva, perda de individualidade e transformações políticas. A encenação apresentada em Salvador integra a circulação internacional da companhia portuguesa. Informações divulgadas pelo Teatro da Garagem confirmam as apresentações no Brasil em 2 e 3 de outubro.
Segundo Carlos J. Pessoa, a montagem aborda temas como desdemocratização, extremismo, unanimidade e conflito entre identidade individual e pressão coletiva. Os ingressos para as apresentações custam R$ 60, com meia-entrada a R$ 30.
Programação reúne outras ações de cooperação cultural
Além das duas atividades destacadas, a programação ampliada do projeto inclui “A Baba do Lobo”, apresentações do projeto NOVe, o espetáculo “Um Furo no Tempo”, oficina de teatro inclusivo, roda de conversa e lançamento de livro. As ações são distribuídas entre o Gabinete Português de Leitura, o Museu de Arte da Bahia e o Goethe-Institut.
A agenda teve início em 8 de setembro, com o lançamento do livro da peça “A Baba do Lobo” e a estreia brasileira do projeto “Diálogos”. Em 11 de setembro, está prevista a roda de conversa “Territórios de criação: As artes performativas na construção de novas ruralidades”. No dia seguinte, ocorre a oficina gratuita de teatro inclusivo.
O espetáculo “A Baba do Lobo”, resultado de uma cocriação entre brasileiros e portugueses, também integra a programação. A montagem reúne Cristina Castro e Leonor Keil, com encenação de Graeme Pulleyn e Márcio Meirelles, e já realizou circulação por cidades portuguesas. O projeto de cooperação prevê continuidade de atividades entre Brasil e Portugal até 2028.
Histórico de intercâmbio do Teatro Vila Velha
A cooperação internacional apresentada pelo projeto está relacionada a uma trajetória de intercâmbios do Teatro Vila Velha com instituições e artistas de países lusófonos. Segundo o histórico divulgado pela organização, o encenador Márcio Meirelles realizou sua primeira montagem em Portugal em 2013, retornando ao país em 2015 e 2023 e novamente em 2026.
Esse percurso também inclui projetos desenvolvidos em Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Angola e Moçambique, além de parcerias com instituições como Cena Lusófona, Teatro Viriato, Centro Cultural Português do Mindelo e CEM Palcos. O intercâmbio envolve criação de espetáculos, formação artística e circulação internacional.
A relação entre o Teatro Vila Velha e iniciativas de cooperação lusófona também aparece em projetos anteriores, como o K Cena, que reuniu instituições do Brasil, Portugal e Cabo Verde em processos de criação e formação teatral. A Secretaria de Cultura da Bahia registra a participação do Teatro Vila Velha nessa iniciativa desde sua criação.
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