Câmara de Salvador propõe protocolo de atenção psicossocial para pessoas que criam bebês reborn

A vereadora Aladilce Souza (PCdoB) apresentou, na quarta-feira (28/05/2025), o Projeto de Indicação nº 242/2025, que solicita ao prefeito de Salvador, Bruno Reis, a adoção de um protocolo clínico específico e a criação de um programa de atenção psicossocial voltado às pessoas que criam ou adotam bebês reborn — bonecos hiper-realistas que simulam recém-nascidos.

De acordo com a parlamentar, que também é profissional de saúde e professora de Enfermagem, o aumento do número de pessoas que mantêm vínculos afetivos com os bebês reborn reflete uma questão que merece atenção do poder público.

Seja em decorrência de luto, solidão, ansiedade, depressão ou vínculos familiares interrompidos, o aumento expressivo do número de pessoas que ‘criam’ ou ‘adotam’ os bonecos hiper-realistas conhecidos como bebês reborn, em todo o Brasil, inclusive em Salvador, é preocupante”, afirmou.

Segundo a vereadora, essa relação ocorre tanto em contextos terapêuticos quanto simbólicos ou afetivos, sendo necessário que a rede pública de saúde esteja preparada para acolher essas demandas.

Essa prática, embora não configure, por si só, uma condição patológica, pode expressar sofrimento psíquico que merece atenção clínica e acolhimento qualificado”, alertou.

O projeto defende que as ações envolvam escuta, acolhimento, acompanhamento psicológico e psiquiátrico, além de atividades educativas e formativas destinadas aos profissionais de saúde.

Os casos que estão sendo registrados nos serviços de saúde expõem a necessidade urgente de orientação técnica aos profissionais da área, para que saibam acolher tais demandas com empatia e possam evitar condutas constrangedoras ou violentas, e, ao mesmo tempo, avaliar, com responsabilidade ética, os indícios de sofrimento psíquico das pessoas envolvidas”, destacou.

A parlamentar também alertou para o impacto do estigma e do preconceito, que ainda são barreiras relevantes para o cuidado em saúde mental.

É papel do poder público garantir escuta qualificada, autonomia e respeito aos modos de vida das pessoas. Em diversas cidades do Brasil estão surgindo casos de pessoas que procuram unidades de saúde pública para solicitar atendimento clínico aos bonecos bebê reborn, acreditando ou declarando que estão diante de recém-nascidos reais”, frisou.

Na justificativa do projeto, Aladilce afirma que o Sistema Único de Saúde (SUS), por meio da Política Nacional de Saúde Mental e da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), deve assegurar cuidados integrais, humanizados e territorializados, considerando as diferentes expressões emocionais dos indivíduos.

A vereadora reforça ainda a necessidade de capacitação das equipes da Atenção Básica, dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e dos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF).

É fundamental que essas equipes atuem com empatia, técnica e sensibilidade diante dessas demandas emergentes, que refletem sofrimentos subjetivos e precisam de escuta qualificada e acompanhamento adequado”, concluiu.


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