O verão, caracterizado por altas temperaturas e chuvas intensas, traz consigo um aumento expressivo no número de casos de dengue no Brasil. Segundo especialistas, as condições climáticas típicas do período favorecem o ciclo de vida do mosquito transmissor, o Aedes aegypti, exigindo maior atenção da população às medidas de prevenção e controle.
Manuel Palácios, médico infectologista do Centro de Segurança Assistencial do Hospital Anchieta, em Brasília, explica que o aumento da temperatura e a presença de água parada criam ambientes propícios para a reprodução do mosquito. “Áreas urbanas frequentemente apresentam recipientes como pneus, calhas e vasos que acumulam água parada, tornando-se criadouros potenciais. A eliminação desses focos é crucial para reduzir o risco de transmissão da dengue”, afirmou.
Prevenção e imunização
O aumento dos casos de dengue é particularmente significativo entre dezembro e janeiro. Durante esse período, Palácios recomenda inspeções semanais em casas e locais de trabalho para evitar criadouros do mosquito. Além disso, ele destaca a importância da imunização como estratégia de controle da doença, especialmente em regiões com alta incidência.
“Vacinas como a Qdenga têm sido implementadas em campanhas de vacinação, contribuindo para a redução da transmissão e da gravidade dos casos. É essencial que grupos mais vulneráveis, como crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas, estejam atentos às medidas de prevenção e busquem a imunização, se disponível”, explicou o especialista.
Cenário nacional da dengue
Dados do Painel de Monitoramento das Arboviroses do Ministério da Saúde apontam que o Brasil registrou 6,5 milhões de casos prováveis de dengue em 2024, o maior número da série histórica. Desses, 2,1 milhões ocorreram em São Paulo, representando 32,62% do total de casos no país. Outras unidades federativas com altos coeficientes de incidência incluem o Distrito Federal, Minas Gerais e Paraná.
Coeficiente de incidência de dengue por 100 mil habitantes:
- Distrito Federal: 9.876,9
- Minas Gerais: 8.230,3
- Paraná: 5.710
- São Paulo: 4.838,3
O infectologista alerta que o clima chuvoso nessas regiões potencializa a proliferação do mosquito, aumentando o risco de transmissão da doença. Ele também ressalta a importância de uma abordagem integrada para o controle da dengue.
Ações integradas e desafios
Palácios defende que o enfrentamento da dengue exige uma combinação de esforços individuais e coletivos. “Medidas como a eliminação de focos de água parada em residências, campanhas educativas e iniciativas governamentais, como vacinação em larga escala, são essenciais para reduzir o impacto da dengue, especialmente durante o verão chuvoso”, enfatizou.
O especialista concluiu que a conscientização da sociedade, aliada a políticas públicas eficazes, pode mitigar os efeitos da doença, garantindo maior proteção à população nos períodos de maior risco.


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