Com a temporada de verão, a preocupação com o crescimento dos casos de arboviroses – doenças transmitidas por artrópodes – intensifica-se. O clima quente, a umidade do ar e o acúmulo de água decorrente das chuvas criam ambientes propícios para a reprodução de larvas, transformando-as posteriormente em mosquitos.
De acordo com a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab), ao longo de 2023, mais de 47 mil casos prováveis de dengue foram notificados, representando um aumento de 33% em relação ao ano anterior. Feira de Santana, na Bahia, também registrou um número expressivo de infectados, com quase 3 mil ocorrências, um aumento de 2,8% comparado a 2022.
O infectologista Victor Castro Lima, do Mater Dei Emec, destaca que dengue, zika e chikungunya, todas transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, têm sintomas semelhantes, tornando crucial a avaliação por um profissional para identificar a gravidade. Ele ressalta que essas infecções se diferenciam de resfriados, gripes e até mesmo da Covid-19, pois não apresentam sintomas respiratórios.
No aspecto dos impactos, o médico aponta que a dengue, a mais prevalente, possui maior risco de complicações graves, incluindo sangramento devido à redução de plaquetas. A chikungunya, por sua vez, destaca-se pela dor nas juntas, que pode persistir de forma crônica. A zika, apesar de um quadro febril moderado, pode causar inflamação na conjuntiva dos olhos e apresenta riscos de malformações, especialmente no sistema nervoso central de fetos cujas mães foram infectadas.
O tratamento dessas arboviroses é, essencialmente, de suporte para controlar os sintomas e proporcionar condições para o sistema imunológico combater as infecções. Castro Lima destaca a importância da hidratação e do controle sintomático, especialmente entre aqueles com maior risco de complicações.
Em termos de prevenção, medidas como eliminação de criadouros, limpeza de calhas, caixas d’água e evitar o acúmulo de água parada são fundamentais. O uso de repelentes e roupas longas também é recomendado. O infectologista reforça a importância da vacinação contra a dengue, aprovada pela Anvisa em 2023, como uma forma eficaz de imunização e redução da incidência de casos graves.


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