No domingo (22/09/2024), durante a Cúpula para o Futuro, realizada na sede das Nações Unidas, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, enfatizou a importância de não naturalizar a fome que afeta 733 milhões de pessoas no mundo. Lula afirmou que essa situação representa um “fracasso coletivo” e destacou a necessidade de transformações estruturais na governança global. O discurso foi proferido em um contexto em que líderes de 193 países aprovaram o “Pacto para o Futuro”, um documento que busca abordar os principais desafios da humanidade.
O presidente brasileiro recordou que o mundo possui “duas grandes responsabilidades”: a promoção da igualdade de gênero e a luta contra o racismo e todas as formas de discriminação, além de evitar o retorno a um cenário de ameaças nucleares. Lula elogiou o “Pacto Global Digital”, que visa reduzir as assimetrias e exclusões resultantes das novas tecnologias, incluindo a Inteligência Artificial.
Em sua fala, Lula mencionou a necessidade de reforma na ONU, visando assegurar que a organização cumpra seu papel histórico. Ele destacou que os resultados da “reflexão conjunta” foram positivos, citando a criação do Conselho dos Direitos Humanos. O presidente também alertou sobre os riscos de retroceder em compromissos já estabelecidos, afirmando que isso colocaria em xeque as conquistas alcançadas ao longo do tempo.
A Cúpula para o Futuro, convocada pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, foi uma resposta aos “riscos catastróficos crescentes” enfrentados pelo mundo, como guerras, mudanças climáticas e pobreza. O pacto adotado, que contém 56 medidas, busca abordar questões desde a reforma do Conselho de Segurança da ONU até a transição para energias limpas. Apesar de enfrentarem oposição de países como Rússia, Venezuela e Nicarágua, os líderes chegaram a um consenso sobre o documento, embora este não seja vinculante.
Guterres enfatizou que as soluções para os desafios do século XXI devem ser formuladas com a perspectiva de inovação e coragem. Ele ressaltou a necessidade de ação efetiva, não apenas diálogo, para a concretização dos objetivos propostos. Organizações como a Human Rights Watch reconheceram os compromissos do pacto, mas insistiram que a verdadeira mudança requer ações tangíveis dos líderes mundiais.
Embora o documento tenha sido considerado um passo positivo, críticas foram levantadas sobre sua eficácia. Especialistas apontaram que, apesar de conter boas ideias, o pacto não representa uma revolução no multilateralismo. A implementação de compromissos concretos relacionados ao financiamento para medidas climáticas foi uma das principais demandas dos países em desenvolvimento.
*Com informações da RFI.


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