Especialistas apontam que empreendimento causará sombreamento na Praia de Buracão

Arquitetos da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia (Ufba) confirmaram, durante audiência pública promovida pelo Ministério Público estadual na sexta-feira (24/05/2024), que o empreendimento a ser instalado na Praia do Buracão pela OR Imobiliária Incorporadora, empresa do Grupo Novonor, resultará em sombreamento da praia. Essa constatação reforça a recomendação feita pela promotora de Justiça Hortênsia Pinho à Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Urbanismo de Salvador (Sedur), na qual destacou que a construção alteraria substancialmente a configuração original da área, sendo uma afronta à legislação urbanística e ambiental. A promotora recomendou a anulação do alvará concedido à empresa. Sedur e OR Imobiliária foram convidadas para a audiência, mas não compareceram.

O estudo realizado pelos arquitetos utilizou como referência um prédio de 15 andares e demonstrou que o sombreamento ocorre em todas as estações do ano, com menor incidência no verão e maior no inverno, entre 9h e 15h. O projeto da OR Imobiliária, que prevê 16 andares, indica um sombreamento ainda mais significativo. O professor da Ufba, arquiteto Luis Antônio de Sousa, destacou que o empreendimento gerará sombra na praia e nas edificações pré-existentes, um fenômeno incomum em Salvador, que prejudicará tanto a população quanto o turismo. Sousa argumentou que o projeto beneficia exclusivamente os especuladores imobiliários.

Hortênsia Pinho ressaltou que o sombreamento da praia infringe artigos das Constituições Federal e Estadual, da Lei Orgânica do Município, da Lei de Ordenamento de Uso e Ocupação do Solo (Louos), do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) e da Lei de Política Nacional de Zoneamento Costeiro. Tânia Cardoso, moradora da Praia do Buracão, manifestou sua oposição ao empreendimento, afirmando que o sombreamento afetará negativamente os moradores e frequentadores, além de alterar o microbioma local, favorecendo a proliferação de bactérias.

A audiência contou também com a participação de integrantes do movimento ‘SOS Buracão’, moradores e frequentadores da praia. A promotora de Justiça destacou diversas irregularidades no processo de licenciamento, incluindo a ausência de estudos de impacto de vizinhança e de trânsito, e alertou que o precedente do Buracão representa uma ameaça para todas as praias de Salvador. O Ministério Público já considera judicializar a questão para impedir a continuação do projeto.


Tags


Deixe um comentário


Discover more from News Veritas Brasil (NV)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading