A atuação integrada de movimentos ambientalistas em Salvador tem resultado em ações concretas contra empreendimentos que afetam áreas de preservação permanente e outros espaços verdes da capital baiana. A recente suspensão judicial do leilão do Morro Ipiranga, anunciada no último dia 15, é um dos marcos dessa articulação coletiva, que se fortalece frente à pressão do setor imobiliário.
Articulação impede alienação do Morro Ipiranga
O terreno em questão, com cerca de 3 mil metros quadrados, está localizado na Barra, área litorânea de grande interesse urbanístico e ambiental. A Prefeitura de Salvador havia anunciado o leilão da área com lance mínimo de R$ 4.945.000, o que gerou mobilização imediata de coletivos e entidades da sociedade civil.
O movimento SOS Áreas Verdes, principal articulador da mobilização, recorreu ao Judiciário com base no argumento de que se trata de área de preservação permanente, sujeita a regime legal que impõe restrições à ocupação e alienação. O juiz federal Alex Schramm da Rocha acolheu o pedido, destacando que o município não justificou adequadamente a urgência na realização do leilão e que eventuais danos ambientais e urbanísticos seriam de difícil reversão.
SOS Buracão amplia o debate sobre impactos ambientais
Outro foco de resistência à expansão imobiliária é o movimento SOS Buracão, que contesta um projeto da Construtora Odebrecht para a construção de dois edifícios de 17 andares no bairro do Rio Vermelho. O projeto prevê quatro andares abaixo do nível da rua, próximos à praia do Buracão, o que pode gerar sombreamento da faixa litorânea, prejudicando a vida marinha e comprometendo a balneabilidade do local.
De acordo com Miguel Sehbe, presidente da Associação de Moradores da Rua Barro Vermelho, o avanço da especulação exige uma resposta articulada e contínua. Para ele, os movimentos ambientais demonstram capacidade de influenciar políticas públicas e provocar reflexão sobre os limites do modelo de desenvolvimento urbano vigente.
Sehbe também criticou a postura da gestão municipal: “A questão ambiental não é uma pauta ideológica, mas uma necessidade global. Atuar contra o meio ambiente é agir contra a vida em sociedade. Precisamos de políticas que conciliem desenvolvimento urbano e responsabilidade ambiental”, afirmou.
União de coletivos fortalece resistência
Além do SOS Buracão e do SOS Áreas Verdes, outros grupos têm participado ativamente do debate ambiental em Salvador, como o Movimento Morro Ipiranga, o Coletivo Stella Maris, o Salve Verde e a Rua Alagoinhas. A atuação em rede tem possibilitado maior alcance das denúncias, incidência política qualificada e pressão sobre os processos decisórios.
Para a integrante do movimento em defesa do Morro Ipiranga, Olga Pontes, a unidade das ações coletivas tem sido fundamental: “A união dos movimentos representa uma consciência coletiva sobre o valor da paisagem urbana e do patrimônio ambiental. É a atuação coordenada que pode evitar perdas irreversíveis”, declarou.
Justiça reconhece importância da proteção ambiental
Na decisão que suspendeu o leilão do Morro Ipiranga, o juiz federal Alex Schramm da Rocha destacou que a área em questão se enquadra como terreno protegido, cuja função é preservar os recursos hídricos, a estabilidade geológica, a biodiversidade e o equilíbrio da paisagem.
O magistrado ressaltou ainda que a ausência de justificativas técnicas e ambientais para a alienação imediata da área representa um risco à integridade urbanística e aos princípios de sustentabilidade urbana. A decisão estabelece um precedente importante para ações de contestação à ocupação irregular de áreas verdes em Salvador.
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