Na última quarta-feira (22/11/2023), a Eletronuclear surpreendeu ao revelar um projeto pioneiro capaz de produzir 100 toneladas anuais de hidrogênio limpo nas usinas nucleares de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. A apresentação ocorreu durante o seminário “A produção de hidrogênio sustentável no Brasil”, promovido em Brasília pelo Conselho Federal de Química, Instituto Nacional do Desenvolvimento da Química e Frente Parlamentar da Química.
O engenheiro químico Nelri Ferreira Leite, coordenador técnico do projeto, explicou que a proposta aproveita o processo de eletrólise da água do mar, utilizado para prevenir a proliferação de organismos marinhos nas tubulações das usinas. Esse método resulta na produção de hidrogênio, sem qualquer contato com material radioativo presente nas usinas nucleares. Com a finalização das obras de Angra 3, a capacidade de produção do hidrogênio alcançará 167 toneladas anuais.
A Eletronuclear estabeleceu, em 2021, um Memorando de Entendimento com Furnas para estudar a viabilidade da utilização do hidrogênio gerado. O Parque Tecnológico de Itaipu foi contratado para analisar a implementação de um sistema seguro para a captura e beneficiamento do hidrogênio. O projeto, com previsão de implementação em dois anos, promete gerar economia para a empresa e contribuir para a redução das emissões de gases de efeito estufa.
Nelri destaca a singularidade do projeto, destacando que pode ser replicado em todo o litoral brasileiro, aproveitando a água do mar e sem a necessidade de água doce. A tecnologia desenvolvida é totalmente nacional, sendo uma iniciativa inédita em escala industrial. O hidrogênio limpo gerado poderá ser aplicado em diversas áreas, desde o fornecimento de energia para vilas residenciais até abastecimento de veículos movidos a hidrogênio.


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