Um recente estudo elaborado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelou que a geração de energia elétrica em usinas eólicas offshore, localizadas no mar, tem o potencial de ampliar em 3,6 vezes a capacidade energética do Brasil. Atualmente, o país possui uma capacidade inexplorada de 700 gigawatts em usinas eólicas instaladas no mar. A exploração desse potencial poderia transformar significativamente o panorama energético do Brasil, tornando-o mais competitivo internacionalmente, especialmente quando associado à produção de hidrogênio de baixo carbono.
Davi Bomtempo, gerente-executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, destaca que essa exploração pode alinhar-se com outras agendas, como a produção de hidrogênio sustentável, em que o Brasil possui vantagens comparativas significativas. No cenário global, prevê-se um aumento de 260 gigawatts na capacidade global de instalações eólicas offshore até 2030, com investimentos estimados em até US$ 1 trilhão.
A transição para modelos de baixo impacto ambiental é um dos pilares estratégicos da CNI, visando atingir as metas do Acordo de Paris. Isso inclui a expansão de energias renováveis, com um foco considerável na energia eólica offshore, que contribuiria para manter a matriz energética brasileira mais limpa e sustentável.
Além de reduzir as emissões de gases de efeito estufa, o setor eólico, incluindo tanto o onshore quanto o offshore, pode empregar aproximadamente 2,2 milhões de pessoas no Brasil até 2030, de acordo com a Agência Internacional de Energias Renováveis.
A Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) destaca que, para cada R$ 1 investido em energia eólica no Brasil, são devolvidos R$ 2,90 ao Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Isso tem impactos econômicos significativos em regiões como o Nordeste, onde a presença de parques eólicos contribuiu para um aumento de 21% no PIB regional e um aumento de 20% no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal.
O estudo da CNI também identificou áreas promissoras para a exploração de usinas eólicas no mar ao longo da costa brasileira, incluindo regiões nos estados do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Rio Grande do Sul. A abertura de parques eólicos offshore nessas áreas deve atrair novos investimentos, especialmente de empresas do setor de óleo e gás.
Apesar do potencial, ainda há questões regulatórias a serem esclarecidas para a implementação efetiva de parques eólicos offshore no Brasil. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) registrou 78 pedidos de licenciamento ambiental para instalação de usinas eólicas offshore até agosto de 2023, totalizando 189 gigawatts de potência instalada. No entanto, regras claras ainda são necessárias.
O Congresso Nacional está analisando um projeto de lei (PL 576/2021) que busca regulamentar o modelo de cessão de áreas, cobrança de outorgas e critérios para leilões de usinas eólicas offshore. A expectativa é que o projeto seja aprovado ainda este ano, possibilitando a realização do primeiro leilão em 2024 e a construção dos parques até 2028.


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