No Dia Nacional da Pessoa com Deficiência, especialistas em diversidade e inclusão, Kaká Rodrigues e Renata Torres, discutem os desafios enfrentados pela inclusão no mercado de trabalho e a necessidade de empresas investirem em ações concretas para promover a diversidade.
No Dia Nacional da Pessoa com Deficiência, celebrado quinta-feira (21/09), especialistas em diversidade e inclusão destacam os desafios que ainda persistem no mercado de trabalho brasileiro em relação à inclusão desse público. Embora políticas públicas e leis tenham avançado nas últimas décadas, os números revelam que a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho ainda é uma realidade distante.
De acordo com dados recentes do IBGE, apenas 26% das pessoas com deficiência estavam empregadas ao final de 2022, e mais da metade delas trabalhava na informalidade. Isso contradiz a Lei de Cotas (Lei nº 8.213/91), que determina que empresas com mais de 100 funcionários devem reservar de 2% a 5% de suas vagas para colaboradores com deficiência.
No entanto, muitas empresas alegam encontrar obstáculos para cumprir essa lei. “As empresas muitas vezes exigem experiência em funções específicas e conhecimento em áreas particulares para vagas destinadas a pessoas com deficiência, o que cria barreiras e reduz sua participação”, explica Renata Torres, co-founder da Div.A Diversidade Agora! e especialista em diversidade e inclusão.
Além disso, quem consegue essas vagas muitas vezes enfrenta o que é chamado de “capacitismo institucional”. Isso acontece quando as empresas não proporcionam um tratamento equitativo para seus funcionários com deficiência, incluindo a falta de acessibilidade física nas instalações.
Os salários das pessoas com deficiência também são afetados, sendo em média 30% menores do que a média nacional, segundo o IBGE, devido aos cargos frequentemente subestimados para as quais são contratadas.
Kaká Rodrigues, co-founder da Div.A Diversidade Agora! e especialista em diversidade e inclusão, enfatiza que as empresas devem adotar uma postura mais ativa em relação à inclusão. “Não basta apenas cumprir a lei e atender às cotas. É essencial incluir esses colaboradores, garantir acessibilidade e promover programas de capacitação profissional específicos para pessoas com deficiência. Também é importante conscientizar as equipes e combater o capacitismo”, destaca Rodrigues.
Rodrigues ressalta que a contratação de pessoas com deficiência deve ser vista como uma oportunidade de enriquecer a diversidade dentro das empresas, contribuindo para uma cultura corporativa mais inclusiva e, ao mesmo tempo, estimulando o crescimento e o sucesso da organização. “São diferentes perspectivas, habilidades e experiências que serão compartilhadas com outras equipes, criando oportunidades novas e contribuindo para a sociedade”, conclui.


Deixe um comentário