Bolsonarismo e saúde mental: Livro explora a obsessão e os desafios do Brasil

O acirramento político e as paixões extremas que persistem após as eleições mais polarizadas da história do Brasil agora são explorados em detalhes no livro “O dia da Infâmia e a Dissonância Cognitiva: um Retrato do ódio Através da Psicologia”, escrito por Fabiano Horimoto, médico-psiquiatra especialista pela Associação Brasileira de Psiquiatria. A obra, já disponível na Amazon e no site da editora Jaguatirica, lança luz sobre a origem do ódio na política atual e explica como as pessoas são “capturadas” pelo radicalismo.

Com 174 páginas, o livro oferece insights sobre o funcionamento dos pensamentos de indivíduos envolvidos em extremismos políticos, destacando a dissonância cognitiva, um fenômeno preocupante que afeta pessoas de todas as idades. A polarização política no Brasil tem crescido nos últimos anos, e uma pesquisa do Datafolha em 2022, a pedido do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revelou que sete em cada dez brasileiros temem agressões motivadas por questões políticas.

“A proposta do livro é fornecer informações claras sobre um período difícil em nossa sociedade, caracterizado pela polarização política e radicalização. Usando explicações da psicologia, buscamos esclarecer esse fenômeno para que as pessoas possam compreendê-lo melhor”, explicou Fabiano Horimoto, autor da obra.

O autor, natural de Dourados, no Mato Grosso do Sul, viu de perto os efeitos da paixão política quando sua esposa sofreu agressões de um apoiador radical do então Presidente da República em 2022. Esse incidente o inspirou a escrever o livro, que, além de explorar a dissonância cognitiva, aborda temas como a linguagem e a criação das narrativas bolsonaristas, a disseminação de notícias falsas nas redes sociais e a política do “dog whistle”, o militarismo e o fascismo à brasileira.

Horimoto começou a escrever o livro no dia seguinte às invasões aos prédios representativos dos três poderes da República em Brasília, em 8 de janeiro. Para ele, essa foi uma forma de protestar contra os atos antidemocráticos e contar histórias de brasileiros que passaram por situações semelhantes.

“Infelizmente, o Brasil, como uma democracia frágil, ainda enfrentará desafios rumo a uma sociedade mais justa e respeitosa. Os últimos quatro anos foram marcados por retrocessos em várias áreas, como educação, saúde, segurança pública e meio ambiente. Políticos populistas tendem a explorar as vulnerabilidades de nossa sociedade incipiente, mas há esperança no horizonte”, concluiu o autor.


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