Dia mundial de prevenção ao suicídio: saúde mental de jovens preocupa

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 700 mil pessoas em todo o mundo tiram suas próprias vidas a cada ano, com a possibilidade de chegar a 1 milhão de casos não registrados. No Brasil, ocorrem aproximadamente 14 mil suicídios anualmente, equivalendo a uma média de 38 pessoas por dia. Neste Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, especialistas destacam que a maioria desses casos está relacionada a transtornos mentais, como a depressão, e expressam preocupação com o fato de esses problemas se manifestarem cada vez mais cedo.

Segundo o psiquiatra Rodrigo Bressan, presidente do Instituto Ame Sua Mente, estudos revelam que 75% dos transtornos mentais em adultos têm início antes dos 24 anos, e, no caso dos adolescentes, metade deles começa antes dos 14 anos. Esse aumento alarmante na manifestação precoce de transtornos mentais tem despertado a atenção da comunidade médica e dos pais.

Um problema que tem se tornado aparente em idades mais jovens é a autolesão. Um estudo financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) analisou casos de 61 alunos de 10 a 16 anos e revelou que 83% desses casos parecem estar relacionados a conflitos familiares não resolvidos e, na maioria das vezes, estão associados à depressão.

A autolesão, segundo o estudo, pode começar por volta dos 10 anos e muitas vezes passa despercebida até que seja descoberta por colegas ou professores. Os jovens que praticam a autolesão costumam esconder as marcas com roupas de manga comprida ou pulseiras.

Especialistas enfatizam a importância de se reconhecer os sinais de alerta, como mudanças no comportamento, queda no rendimento escolar e isolamento social. Também destacam que pais e professores desempenham um papel fundamental na identificação precoce e no apoio a adolescentes que possam estar sofrendo de transtornos mentais.

Para Karen Scavacini, psicóloga do Instituto Vita Alere, a autolesão muitas vezes é um pedido de ajuda, e é essencial que os jovens saibam que podem contar com apoio. Ela enfatiza que a baixa tolerância à frustração tem levado alguns jovens a recorrerem à autolesão como uma forma de alívio.

Em situações como essa, a conversa com o adolescente deve ser delicada, evitando julgamentos ou rótulos negativos. É importante criar um ambiente de apoio e compreensão para que o adolescente se sinta à vontade para compartilhar seus sentimentos.

Este mês, conhecido como Setembro Amarelo, é uma oportunidade para que escolas e pais debatam a questão da saúde mental com os jovens. Ações de conscientização e programas de apoio podem fazer a diferença na prevenção ao suicídio e na promoção da saúde mental.

Além disso, o Ministério da Saúde tem ampliado o orçamento da Rede de Atenção Psicossocial, investindo mais de R$ 200 milhões em 2023, e criou o Departamento de Saúde Mental para expandir a oferta de serviços de apoio psicológico nas escolas.

O diálogo aberto e a identificação precoce de problemas de saúde mental são cruciais para garantir que os jovens recebam o suporte de que precisam para superar os desafios emocionais e psicológicos que enfrentam.

*Com informações da Agência Brasil.


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