A oitava edição do Festival Afrofuturismo será realizada em Salvador, nos dias 20 e 21 de novembro de 2026, com programação dedicada à ancestralidade afro-indígena, à inovação tecnológica, à economia criativa e ao empreendedorismo. Com o tema “Os Algo-Ritmos das Florestas”, o evento reunirá mais de 35 convidados do Brasil e de outros países em atividades distribuídas pela Casa Vale do Dendê, pelo Largo Tereza Batista e pela Praça Quincas Berro D’Água, no Centro Histórico da capital baiana.
A programação é aberta ao público e contempla painéis, palestras, apresentações musicais, oficinas, lançamento de livro, exposição de startups e rodadas de negócios. Os ingressos estão disponíveis no site oficial do festival, afrofuturismo.com.br
A edição de 2026 propõe uma reflexão sobre as relações entre os conhecimentos tradicionais, a natureza e as tecnologias contemporâneas. A iniciativa busca aproximar referências culturais africanas, indígenas e quilombolas de discussões sobre desenvolvimento econômico, transformação digital e sustentabilidade.
Ancestralidade afro-indígena e tecnologia orientam o festival
O tema “Os Algo-Ritmos das Florestas” estabelece como eixo conceitual a compreensão de que os conhecimentos produzidos pelas comunidades tradicionais também representam formas de tecnologia. A proposta relaciona os ciclos naturais, os sistemas de organização da vida e os saberes ancestrais às possibilidades de desenvolvimento de novas soluções tecnológicas.
De acordo com o idealizador do Festival Afrofuturismo e cofundador do hub de inovação Vale do Dendê, Paulo Rogério Nunes, a construção de futuros tecnológicos precisa considerar os conhecimentos acumulados pelas populações tradicionais.
Em sua avaliação, os sistemas naturais oferecem referências para pensar modelos de inovação baseados na interdependência, na preservação ambiental e no compartilhamento de conhecimentos. O empreendedor afirma que cultivar, cuidar e preservar também são práticas tecnológicas capazes de contribuir para enfrentar desafios contemporâneos.
Convidados nacionais e internacionais integram a programação
O festival contará com mais de 35 participantes de diferentes áreas do conhecimento, incluindo pesquisadores, artistas, músicos, empreendedores, ativistas, professores e profissionais de tecnologia.
Entre os nomes anunciados estão Grazi Mendes, futurista e executiva de tecnologia reconhecida entre as 100 futuristas mais influentes do mundo pela Organização das Nações Unidas (ONU); Ubiraci Pataxó, bisneto de Izabel Pataxó; e Kaê Guajajara, cantora indígena associada à Música Popular Originária (MPO).
A programação internacional inclui Kumi Rauf, criador do movimento cultural I Love Being Black (iLBB), que reúne mais de seis milhões de fãs e seguidores; o youtuber ganês DARKITO1; e Melina Lopéz, diretora de Marketing para a América Latina do Google Cloud. Também participa o músico pernambucano radicado em Berlim, K’boko, fundador dos grupos Baque Forte Berlin e Afrodiaspora Groovez.
Outros convidados confirmados são Uran Rodrigues, Akuã Pataxó, Fábio Santos, Meire Oliveira, Julia Vidal, Karine Wakanda, Itala Herta, Naila Trindade, Ana Paula Xongani, Pyedra Barbosa, Nayana Cambraia, Flávio Cardozo, Alana Sales, Rosenildo Ferreira, Fau Ferreira, Chicco Assis, Igor Souza, Walter Pinto, Aní Bárbara Assis, André That Hora, Maylla Pita, Danielle Sales, Juci Santana e Sara Barbosa.
Programação de sexta-feira (20/11/2026) aborda economia, tecnologia e sustentabilidade
A programação de painéis da sexta-feira (20/11/2026) começa às 10h, com atividades simultâneas na Casa Vale do Dendê e no Largo Tereza Batista.
Na Sala Arroz Doce, o primeiro debate será “Bioeconomia: O Valor das Matas”, com participação de Fábio Santos e Ubiraci Pataxó, sob mediação de Tamires Santos, coordenadora-geral de Fomento ao Empreendedorismo Negro da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (SEPROMI).
No Largo Tereza Batista, o painel “Economia Criativa, Memória e Inovação” terá participação de Maylla Pita e mediação de Fau Ferreira. Às 11h15, o debate “Algoritmos, Dados e Poder: Quem Está Construindo a Economia Digital?” reunirá o professor da MBA FIAP Igor Souza e o Senior Product Manager AI-first André That Hora, com mediação de Marcello Chamusca.
No período da tarde, a programação da Sala Arroz Doce será retomada às 14h com o painel “Capital e Território: Como Financiar Novas Economias”, que contará com Karine Oliveira, CEO da Wakanda Educação Empreendedora, e Itala Herta, CEO da Diver.SSA. A mediação será conduzida por Juci Santana, fundadora do Birô de Soluções Criativas.
Às 15h15, Flávio Cardozo, da ÓiaFia!, e Alana Sales, da Dumato, participarão do painel “Empreender sem Extrair: Modelos de Negócio para um Futuro Sustentável”, dedicado a modelos empresariais que conciliam geração de valor e responsabilidade socioambiental.
Simultaneamente, no Largo Tereza Batista, Melina Lopéz abrirá a programação vespertina às 14h, com discussão sobre tecnologia. Às 15h15, Grazi Mendes participará do painel “Como se Constrói Futuro sem Perder Memória?”, mediado pela jornalista Aní Bárbara Assis. Às 16h15, Naila Trindade e Ana Paula Xongani estarão no debate “Quem Protege o Que Ainda Não Foi Inventado?”, sobre proteção, cuidado e questões éticas relacionadas às transformações tecnológicas.
Sábado (21/11/2026) terá debates sobre juventude, economia climática e cultura indígena
No sábado (21/11/2026), segundo dia do festival, a Casa Vale do Dendê e o Largo Tereza Batista receberão atividades sobre empreendedorismo, economia criativa, sustentabilidade, ancestralidade e inovação.
Na Sala Arroz Doce, os debates começam às 10h com o painel “Juventudes e Futuro: Empreendedorismo e Economia Criativa”, com Pyedra Barbosa. Às 11h15, Nayana Cambraia e Walter Pinto participarão da discussão “Economia do Clima: Investimento, Risco e Transição”, mediada por Gabriel Salgado, do Banco do Nordeste (BNB). A programação da tarde inclui o painel “Sustentabilidade e Futuro”.
No Largo Tereza Batista, a programação começa às 10h com o debate “Futuro da Alimentação: Bioeconomia, Negócios e Segurança Alimentar”, com participação de Danielle Sales.
Às 15h15, o painel “O poder da Creator Economy para o desenvolvimento econômico” reunirá Kumi Rauf e DARKITO1, sob mediação de Sara Barbosa. Às 16h15, o encontro “Tecnologia Ancestral: Saberes que Inspiram Novas Economias” terá mediação de Meire Oliveira.
O encerramento dos painéis está previsto para as 17h30, com o debate “Futurismo e Música”, que reunirá Kaê Guajajara, K’boko e Uran Rodrigues. A conversa deverá abordar as relações entre expressão artística, identidade cultural e ancestralidade afro-indígena.
Suraras do Tapajós apresentam música e oficinas na Praça Quincas Berro D’Água
A programação cultural também terá participação das Suraras do Tapajós, grupo identificado pela organização como o primeiro conjunto de carimbó formado exclusivamente por mulheres indígenas no Brasil.
Originárias de Alter do Chão, distrito de Santarém, no Pará, as integrantes utilizam a música como instrumento de valorização da cultura dos povos do Baixo Tapajós, da memória ancestral e da defesa dos territórios indígenas.
Durante o festival, o grupo se apresentará na Praça Quincas Berro D’Água e participará de atividades que incluem apresentações musicais e oficinas de instrumentos. A presença das artistas amplia a participação de expressões culturais indígenas na programação do evento.
A proposta é aproximar o público de manifestações musicais vinculadas às comunidades tradicionais, estabelecendo conexões entre produção artística, identidade e transmissão de conhecimentos.
Rodada de negócios e exposição de startups ampliam agenda de inovação
Além da programação cultural e dos debates, o Festival Afrofuturismo 2026 terá uma agenda direcionada ao empreendedorismo e à articulação entre empresas e iniciativas inovadoras.
A Rodada de Negócios Afrofuturismo ocorrerá nos dois dias do evento, na Casa Vale do Dendê, com o objetivo de aproximar empreendedores e empresas interessadas em estabelecer parcerias, desenvolver projetos e ampliar oportunidades comerciais.
As pré-inscrições estão disponíveis por meio do formulário de participação da Rodada de Negócios.
Outra atividade prevista é o retorno da Exposição de Startups, com curadoria da Vale do Dendê em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). A mostra apresentará iniciativas relacionadas à inovação, ao empreendedorismo e a projetos de impacto social.
A iniciativa integra a proposta do festival de aproximar a produção tecnológica das experiências econômicas desenvolvidas em comunidades periféricas e tradicionais, ampliando a visibilidade de empreendedores e de soluções criadas nesses territórios.
Vale do Dendê completa dez anos e amplia atuação no empreendedorismo
O Festival Afrofuturismo é realizado desde 2017 e reúne pensadores, artistas, cientistas e ativistas para discutir como as estéticas, tecnologias e filosofias negras participam da construção de futuros possíveis.
Na edição de 2024, o evento reuniu 90 palestrantes nacionais, sete internacionais, representantes de sete países e mais de dez mil pessoas, conforme os dados divulgados pela organização.
A edição de 2026 também coincide com a celebração dos dez anos da Vale do Dendê, hub de inovação fundado em 2016. Segundo as informações institucionais apresentadas pelo idealizador Paulo Rogério Nunes, a organização já acelerou mais de 400 negócios desde sua criação.
O empreendedor também anunciou planos de expansão do festival para os estados de Sergipe e São Paulo. Autor do livro Oportunidades Invisíveis (2019), Paulo Rogério já foi convidado pelo ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama para participar da celebração de abertura da Obama Foundation.
A trajetória da Vale do Dendê está relacionada à promoção do empreendedorismo negro, ao desenvolvimento de negócios de base comunitária e à ampliação do acesso à inovação. A organização busca fortalecer iniciativas econômicas vinculadas à cultura afro-brasileira e aos territórios onde esses empreendimentos são desenvolvidos.
A oitava edição do Festival Afrofuturismo, portanto, articula ancestralidade, tecnologia, cultura, sustentabilidade e desenvolvimento econômico em uma programação que reúne atividades formativas, manifestações artísticas e oportunidades de negócios no Centro Histórico de Salvador.


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