O Festival Afrofuturismo encerrou sua 7ª edição em Salvador, ao longo de dezembro, com a divulgação oficial do tema de 2026, “Os Algo-ritmos das Florestas”, durante a programação de encerramento realizada no Centro Antigo da capital baiana. A iniciativa integra o calendário do Salvador Capital Afro e consolida o evento como plataforma de debates sobre tecnologia, ancestralidade, inovação e futuro sob perspectiva afrocentrada.
Ao longo de dois dias de atividades, o festival promoveu painéis, talks, experiências artísticas, desfiles, apresentações musicais e ações formativas, reunindo milhares de participantes entre moradores, turistas, pesquisadores, empreendedores e agentes culturais. A edição também foi marcada por intercâmbio internacional entre Brasil e África, com a presença de autoridades e convidados de Gana e Cabo Verde.
Após a realização da “pocket edition”, o Festival Afrofuturismo concluiu as ações do ano reafirmando seu papel na valorização da estética afrodiaspórica, da economia criativa e das narrativas de futuro construídas a partir da diversidade.
Programação reúne painéis, moda, música e inovação no Centro Antigo
A programação contou com 14 painéis, 15 talks, feira de empreendedorismo, stands de startups, hackathon, desfile de moda cyberpunk e afrofuturista, além de ativações institucionais do SEBRAE. Antes mesmo da abertura oficial, o público foi recebido por um desfile de moda assinado pela artista e pesquisadora Eloyá Amorim, que apresentou peças com componentes eletrônicos e alumínio, integrando tecnologia e identidade cultural.
Participaram da edição 44 palestrantes, sendo 41 nacionais e três internacionais, totalizando mais de 13 horas de programação formativa e artística. As atrações musicais reuniram nomes do samba, reggae, discotecagem e música eletrônica, ampliando o diálogo entre tradição e inovação.
Painéis e trilhas temáticas ampliam o debate afrocentrado
Entre os destaques da programação esteve o painel principal conduzido por Grazi Mendes, pesquisadora, autora e referência internacional em diversidade, homenageada da edição. O debate dialogou com o tema “Ancestrais do Futuro”, inspirado em sua obra, e abordou a responsabilidade coletiva na construção de futuros mais inclusivos.
A trilha de tecnologia, moda, inovação, finanças e empreendedorismo reuniu especialistas como Monique Evelle, Nina Silva, Mônica Anjos, Isa Silva, Fau Ferreira, Midiã Noelle e Najara Black, entre outros nomes ligados à economia criativa, investimento, comunicação e inovação social.
Outro destaque foi a premiação do Hackathon, que mobilizou estudantes de escolas públicas e universidades no desenvolvimento de soluções tecnológicas para mudanças climáticas e prevenção de desastres ambientais. As equipes Impact Coders (UCSAL), Guardiões do Clima (Escola Municipal Comunitária da Histarte) e Eco-Bytes (IFBA/UCSAL) ocuparam, respectivamente, o primeiro, segundo e terceiro lugares.
Debates abordam pan-africanismo, sustentabilidade e empreendedorismo
A edição promoveu mesas como “Panafricanismo, mídia e negócios”, com foco nas conexões econômicas e simbólicas entre África e diáspora; “Como Descolonizar o Debate sobre Meio Ambiente”, voltada à sustentabilidade; e “Empreendedor sem Fronteiras”, que discutiu desafios e oportunidades da internacionalização de negócios liderados por pessoas negras.
Outro painel relevante foi “Futuro Negro: Investimento, Tecnologia e Novas Narrativas”, que analisou o papel da tecnologia, do investimento e do storytelling na ampliação da presença negra nos espaços de decisão e inovação.
Lançamento do tema 2026 reforça conexão entre tecnologia e natureza
O encerramento do Festival Afrofuturismo ocorreu na Casa Vale do Dendê, com a presença do representante do povo Haussá, em Gana, Abubakar Ali, o lançamento do livro “Vamos Falar de Futuro”, de Paulo Rogério Nunes, e o anúncio do tema da próxima edição.
Segundo o idealizador do festival e cofundador do Hub de Inovação Vale do Dendê, o tema “Os Algo-ritmos das Florestas” propõe uma leitura afrofuturista da relação entre inteligência artificial, natureza, ancestralidade e saberes tradicionais, inspirada especialmente no Norte do Brasil e nos debates globais sobre clima.
A proposta parte da fusão entre algoritmos digitais e os ritmos orgânicos das florestas, compreendidas como sistemas vivos, interconectados e ancestrais, capazes de orientar novas formas de pensar tecnologia, inovação e sustentabilidade. A temática dialoga com a COP30 e busca aproximar ciência, cosmologia africana e indígena e ecologia em uma perspectiva integrada.


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