A edição mais recente do Festival Afrofuturismo chegou ao fim em Salvador nesta quinta-feira (11/12/2025), marcando o encerramento das atividades do Salvador Capital Afro e confirmando o tema oficial de 2026: “Os Algo-ritmos das Florestas”. O anúncio foi feito durante programação especial que também reuniu o representante do povo Haussá, em Gana, Abubakar Ali, e o lançamento do livro Vamos Falar de Futuro, de Paulo Rogério Nunes.
O evento, realizado no Centro Antigo, reforçou seu posicionamento como plataforma afrocentrada voltada para inovação, tecnologia, arte e futurismo. A edição “pocket” movimentou o Pelourinho com intensa circulação de público e intercâmbio entre autoridades brasileiras, ganesas e cabo-verdianas.
A programação incluiu 14 painéis, 15 talks, desfile de moda com estética afrofuturista, feira de empreendedorismo e ativações voltadas para inovação promovidas pelo SEBRAE, consolidando a proposta de aproximar tecnologia e diversidade.
Programação artística e formativa
Milhares de participantes acompanharam uma agenda que integrou programação formativa, artística e cultural. Ao todo, 44 palestrantes participaram da edição, incluindo três convidados internacionais. As atrações musicais reuniram nomes como Samba de Lua, Os Negões, DJ Branco, DJ DMT e a festa “O Pente”, com artistas do Brasil, Estados Unidos e Nigéria.
A abertura das atividades foi antecedida por um desfile de moda cyberpunk e afrofuturista idealizado por Eloyá Amorim, que apresentou peças com componentes eletrônicos e metálicos, alinhadas ao conceito estético da edição.
Em paralelo às mesas, painéis e talks, o festival promoveu a Feira de Empreendedorismo e reuniu startups baianas, como Points, Tig Tecnologia e Inovação, Waterpin, Cicle Bags e outras iniciativas voltadas a impacto social e soluções tecnológicas.
Debates, trilhas temáticas e participação institucional
A homenageada da edição, Grazi Mendes, conduziu o painel principal e apresentou reflexões sobre inovação, diversidade e legado. A participação institucional incluiu o SEBRAE, que promoveu um espaço de ativação, distribuição de brindes e apoio à feira de startups.
As trilhas temáticas exploraram tecnologia, moda, inovação, finanças, sustentabilidade, negócios e pan-africanismo. Entre os destaques estiveram discussões sobre investimento e novas narrativas, descolonização ambiental e internacionalização de negócios liderados por empreendedores negros.
No Hackathon, estudantes de escolas públicas e universitários apresentaram projetos voltados a soluções climáticas. As equipes vencedoras foram: Impact Coders (1º lugar), Guardiões do Clima (2º lugar) e Eco-Bytes (3º lugar).
Encerramento e anúncio do tema de 2026
O encerramento trouxe programação especial na Casa Vale do Dendê, onde Paulo Rogério Nunes divulgou oficialmente o tema de 2026: “Os Algo-ritmos das Florestas”, conceito que propõe a leitura das florestas como sistemas naturais interconectados semelhantes a algoritmos orgânicos.
Segundo o idealizador, a proposta parte de uma reflexão sobre a relação entre tecnologia, natureza e ancestralidade, inspirada no Norte do Brasil e alinhada às discussões previstas para a COP30. O tema pretende aproximar a tecnologia de processos biológicos, espirituais e tradicionais, valorizando conhecimentos ancestrais como fundamentos de futuros sustentáveis.
A iniciativa, promovida pelo Vale do Dendê, contou com patrocínio da Prefeitura de Salvador, apoio institucional do SEBRAE e do Hospital Albert Einstein e parceria da Casé Fala.


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