Hospital Casa de Retiro São Francisco cria suíte em igreja para acolher pacientes em cuidados paliativos em Salvador

No Dia de Finados, celebrado nesta segunda-feira (02/11/2026), o Hospital Casa de Retiro São Francisco, da Rede Longevus de Saúde, apresenta uma iniciativa que associa assistência hospitalar e acolhimento espiritual: uma suíte instalada no interior da igreja da instituição, em Salvador. O espaço foi concebido para receber pacientes com forte vínculo religioso, especialmente aqueles em cuidados paliativos e em fase de finitude, permitindo a continuidade da assistência médica e multiprofissional em um ambiente relacionado à sua fé.

Localizado no Horto Florestal, o hospital funciona em um complexo histórico fundado em 1945, com áreas verdes e espaços de convivência. A suíte integra a proposta de humanização da unidade e busca considerar as dimensões físicas, emocionais, sociais e espirituais do cuidado, respeitando as crenças, os valores e as escolhas de cada paciente.

Segundo a instituição, a estrutura permite que pessoas com vínculo religioso permaneçam em um espaço sagrado enquanto recebem acompanhamento profissional. O hospital apresenta a instalação como uma estrutura única no mundo, afirmação atribuída à instituição e não acompanhada, no material divulgado, de levantamento comparativo independente.

Espiritualidade e cuidados paliativos

A proposta considera a espiritualidade como uma dimensão da assistência, sobretudo para pacientes que encontram na fé uma fonte de conforto em situações de adoecimento grave. A iniciativa está associada à filosofia dos cuidados paliativos, que busca atender às necessidades do paciente de forma integral, incluindo o controle de sintomas e o suporte emocional, social e espiritual.

O cardiologista Fábio Vilas-Boas, presidente da Rede Longevus, afirma que a suíte procura respeitar a maneira como cada pessoa deseja ser acolhida nos momentos finais da vida. “Há pessoas para quem a fé representa o maior conforto nos momentos mais difíceis da existência. Se podemos oferecer a esses pacientes a possibilidade de permanecer em um ambiente sagrado, cercados pelo carinho de seus familiares e recebendo todos os cuidados necessários, estamos respeitando algo profundamente importante: a maneira como cada pessoa deseja ser cuidada até o fim da vida”, declarou.

O dirigente também ressaltou que os avanços tecnológicos da medicina devem ser acompanhados pela atenção ao conforto, à presença e à dignidade do paciente. Para ele, a espiritualidade pode desempenhar papel relevante no processo de cuidado, especialmente quando a prioridade passa a ser a qualidade de vida.

História de Crispiniano Reis ilustra a proposta

A experiência de Crispiniano Reis, que morreu aos 105 anos, é apresentada pelo hospital como exemplo da finalidade da suíte. Em cuidados de fim de vida e acompanhado por atendimento domiciliar, ele foi encaminhado à unidade depois que a família manifestou o desejo de que seus últimos dias fossem vividos fora de casa.

Crispiniano tinha uma relação anterior com a Casa de Retiro São Francisco e frequentava a igreja da instituição. A família considerou significativo que ele fosse acolhido no espaço religioso, que também havia passado por um processo de restauração. A escolha permitiu que o paciente permanecesse em um ambiente associado à sua trajetória e à sua devoção.

Em vídeo produzido pelo hospital, os filhos recordaram a história do pai e falaram sobre o significado de seu retorno à igreja. Um deles relatou que, diante das perguntas sem resposta sobre a morte, encontrou na fé uma forma de compreensão. Outro destacou a relação de Crispiniano com o bairro de Brotas e com o local onde construiu parte de sua história.

Estrutura hospitalar e atendimento individualizado

O Hospital Casa de Retiro São Francisco é especializado em cuidados de transição, reabilitação e cuidados paliativos. A unidade dispõe de 95 leitos clínicos e reúne áreas assistenciais, espaços de convivência, jardins, área de mata, igreja e a Gruta de Nossa Senhora de Lourdes.

A suíte instalada na igreja pode integrar o plano individualizado de cuidado, elaborado com participação das equipes médica, de enfermagem e multiprofissional. A proposta é considerar as preferências espirituais do paciente em conjunto com as necessidades clínicas, oferecendo assistência e conforto sem desconsiderar sua história e suas escolhas.

A iniciativa também evidencia uma dimensão dos cuidados paliativos: quando a cura deixa de ser o objetivo principal, o atendimento continua voltado ao alívio do sofrimento e à preservação da dignidade. Nesse contexto, o acolhimento pode envolver familiares, vínculos afetivos, valores pessoais e práticas religiosas, desde que correspondam à vontade do paciente.

No Dia de Finados, a apresentação da suíte coloca em evidência o debate sobre o cuidado no fim da vida e o papel das instituições de saúde na atenção às necessidades de pacientes e familiares. A proposta do hospital é oferecer assistência clínica em um ambiente que também considere a dimensão espiritual de quem deseja vivenciar esse período próximo de sua fé.


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