Hospital de transição em Salvador combina atendimento médico, reabilitação e atividades de convivência

Um hospital em Salvador reúne assistência médica 24 horas, reabilitação e atividades de convivência para pacientes que já superaram a fase aguda de uma doença, cirurgia ou internação, mas ainda necessitam de acompanhamento antes do retorno para casa. A Florence, no bairro de Nazaré, atua como hospital de transição especializado em reabilitação e cuidados paliativos e foi inaugurada em 2017.

O modelo de hospital de transição atende uma etapa intermediária do cuidado em saúde. Segundo o Ministério da Saúde, os cuidados prolongados são destinados a pacientes clinicamente estáveis que precisam de reabilitação, recuperação funcional ou adaptação a sequelas decorrentes de processos clínicos, cirúrgicos ou traumatológicos.

Na Florence, a estrutura combina equipe médica e de enfermagem 24 horas com profissionais de diferentes áreas, incluindo fisioterapia, fonoaudiologia, nutrição e psicologia. A unidade de Salvador possui 94 leitos, sendo 82 suítes individuais e seis enfermarias duplas, segundo informações institucionais.

Hospital de transição funciona entre a fase aguda e o retorno para casa

Diferentemente de uma unidade destinada ao atendimento de emergência ou de casos agudos, o hospital de transição recebe pessoas que precisam continuar o tratamento depois da fase de maior complexidade. Entre os perfis atendidos pela Florence estão pacientes em recuperação pós-AVC, pós-UTI, após cirurgias de grande porte e idosos após fraturas de quadril, além de pessoas que necessitam de cuidados paliativos.

A proposta também encontra correspondência na organização dos cuidados prolongados prevista pelo Ministério da Saúde. A regulamentação federal define essas unidades como uma estratégia intermediária entre a assistência hospitalar aguda e a atenção básica, incluindo a atenção domiciliar, com foco na recuperação clínica e funcional e na manutenção ou recuperação da autonomia.

Na unidade de Salvador, o espaço foi projetado para permitir a circulação de pacientes com diferentes níveis de dependência funcional. A estrutura inclui jardim, sala de reabilitação, quartos individuais, espaços de convivência, cozinha própria e ambientes acessíveis, além de áreas que permitem a presença de familiares.

Música, jardinagem e cãoterapia integram a rotina dos pacientes

A programação relatada pela unidade inclui atividades de música ao vivo, jardinagem, pintura, artesanato e jogos de mesa. As apresentações musicais ocorrem em diferentes dias da semana, enquanto as sessões de cãoterapia são realizadas com visitas de animais aos espaços de convivência e aos leitos.

A jardinagem também faz parte da rotina. Pacientes e visitantes podem participar do cultivo de plantas, com sementes disponibilizadas pela instituição e vasos identificados com o nome de quem os utiliza. Entre as demais atividades estão pintura livre, artesanato, baralho, dominó e jogos de tabuleiro.

A proposta é integrar atividades de convivência ao processo assistencial, sem substituir o acompanhamento clínico. A própria Florence descreve seu modelo como uma combinação de reabilitação intensiva, cuidados paliativos, equipe interdisciplinar e participação da família.

Família participa do processo de recuperação

A presença dos familiares é outro componente do modelo. De acordo com a Florence, visitas são permitidas 24 horas por dia, sete dias por semana, e a participação do acompanhante é incentivada dentro da rotina de terapias e descanso do paciente. A instituição também permite visitas de animais de estimação mediante agendamento e critérios previamente estabelecidos.

A proposta busca preparar o paciente e seus familiares para a continuidade do cuidado após a internação. O Ministério da Saúde estabelece, entre os objetivos dos cuidados prolongados, orientar familiares e cuidadores e favorecer a continuidade da assistência após a alta hospitalar.

A experiência de Carlos Alberto de Oliveira, conhecido como Hugo, de 72 anos, apresentada pela Florence, ilustra esse processo. Após sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC), ele permaneceu em um hospital convencional antes de ser encaminhado para a unidade de transição, onde ficou por aproximadamente 45 dias.

Recuperação após AVC inclui atividades fora do leito

Segundo o relato do paciente, durante a permanência na Florence ele participou de atividades como música e passeios pelo jardim e recebeu visitas frequentes de familiares. Para ele, a possibilidade de manter contato com a família e ocupar o tempo com diferentes atividades contribuiu para sua experiência durante a recuperação.

O caso se enquadra em uma das principais linhas de cuidado da Florence. A instituição mantém um programa específico de reabilitação pós-AVC, além de linhas destinadas à recuperação pós-UTI, reabilitação após fratura de quadril em idosos e cuidados paliativos.

No processo de reabilitação, a atuação é multidisciplinar e pode envolver fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicologia, nutrição e acompanhamento médico, de acordo com as necessidades clínicas e funcionais de cada paciente. A proposta dos cuidados prolongados, conforme as diretrizes do Ministério da Saúde, é justamente integrar diferentes áreas para recuperar capacidades e ampliar a autonomia possível.

Florence foi inaugurada em Salvador em 2017

A Florence informa que sua unidade de Salvador foi inaugurada em abril de 2017 e que foi a primeira estrutura da instituição. O grupo se apresenta como o primeiro Hospital de Transição de Cuidados do Norte e Nordeste especializado em reabilitação e cuidados paliativos.

A unidade está localizada na Rua Bela Vista do Cabral, no bairro de Nazaré, e funciona 24 horas. Segundo dados institucionais, possui 6.812 metros quadrados de área construída, 3.026 metros quadrados de terreno e jardim e 94 leitos.

O modelo de transição de cuidados vem sendo incorporado a diferentes estratégias assistenciais no Brasil. Em agosto de 2026, por exemplo, o Ministério da Saúde informou o início do funcionamento de uma unidade de cuidados continuados em Curitiba, com 60 leitos para pessoas clinicamente estáveis que ainda necessitam de acompanhamento, reabilitação e cuidados de enfermagem.

Cuidado técnico e convivência fazem parte da proposta assistencial

Para o presidente da Florence, Dr. João Gabriel Ramos, o modelo busca combinar assistência clínica e participação do paciente em atividades cotidianas. “Aqui, o cuidado técnico e o acolhimento caminham juntos”, afirma, ao defender a integração entre assistência médica, família e atividades realizadas durante a internação.

A instituição informa que seu modelo é direcionado a pacientes que necessitam de reabilitação intensiva ou cuidados paliativos, com indicação médica e plano de cuidados construído em conjunto com a família. A internação ocorre por encaminhamento e aprovação do convênio ou na modalidade particular.

Assim, a principal característica de um hospital de transição é ocupar uma etapa específica da jornada assistencial: entre o hospital de cuidados agudos e o retorno ao domicílio. Em Salvador, a Florence estrutura essa etapa combinando acompanhamento clínico, reabilitação multiprofissional, participação familiar e atividades de convivência.


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