Dor nas costas lidera afastamentos do trabalho no Brasil em 2025, com 237 mil benefícios concedidos pelo INSS

A dor nas costas foi a principal causa de afastamento temporário do trabalho no Brasil em 2025, segundo dados do Ministério da Previdência Social. Ao todo, 237.113 benefícios por incapacidade temporária foram concedidos a trabalhadores com dorsalgia, classificação correspondente às dores na região das costas. O número superou os 205.142 registros de 2024.

O levantamento integra as estatísticas oficiais de benefícios por incapacidade do Ministério da Previdência Social, que acompanha as concessões segundo os códigos da Classificação Internacional de Doenças (CID-10). O auxílio por incapacidade temporária é destinado ao segurado que comprova, por perícia médica, incapacidade temporária para o trabalho por período superior a 15 dias.

Em 2025, o país registrou 4.126.112 benefícios por incapacidade temporária, volume cerca de 15% superior ao observado em 2024 e o maior desde 2021, de acordo com os dados divulgados com base nas estatísticas da Previdência. A dorsalgia permaneceu na primeira posição do ranking pelo terceiro ano consecutivo.

Dores na coluna superam hérnias e outras lesões

Depois da dorsalgia, o segundo maior número de benefícios esteve relacionado a lesões ou desgastes dos discos intervertebrais, grupo que inclui casos como hérnias de disco. Foram 208.727 registros em 2025, contra 172.452 no ano anterior. Na terceira posição ficaram as fraturas de perna e tornozelo, com 179.743 benefícios, ante 147.665 em 2024.

O ranking também inclui transtornos ansiosos, responsáveis por 166.489 benefícios, e episódios depressivos, com 126.608 registros. Lesões de ombro somaram 135.093 concessões. Os dados mostram a presença simultânea de problemas musculoesqueléticos e transtornos relacionados à saúde mental entre as principais causas de incapacidade temporária.

A Previdência esclarece que seus dados de benefícios por incapacidade são classificados de acordo com a CID-10 e abrangem benefícios previdenciários e acidentários. Portanto, o fato de uma doença aparecer entre as causas de concessão não significa, por si só, que todos os casos tenham origem ocupacional.

Segundo o médico anestesiologista e especialista em dor crônica Marco Delazzo, os números representam apenas os casos que chegaram ao sistema previdenciário. Na avaliação do especialista, trabalhadores podem permanecer em atividade mesmo convivendo com dores persistentes, sem procurar atendimento especializado.

“O que esses dados mostram é a ponta do iceberg”, afirma Delazzo, ao defender que parte dos trabalhadores continua exercendo suas funções apesar da dor. Segundo ele, o atraso na avaliação médica pode contribuir para a evolução de quadros de dor persistente.

Diagnóstico tardio pode dificultar manejo da dor

De acordo com o especialista, um dos padrões observados em sua prática clínica é o intervalo prolongado entre o aparecimento dos sintomas e a procura por atendimento especializado. Ele relata receber pacientes que convivem com dores por períodos de um, dois ou três anos antes de buscar avaliação específica.

Delazzo explica que a persistência da dor pode envolver alterações no sistema nervoso e tornar o tratamento mais complexo. A avaliação, entretanto, deve considerar a causa, a intensidade, a duração dos sintomas e as características individuais de cada paciente.

O médico cita bloqueios analgésicos, infiltrações e outras técnicas intervencionistas entre as possibilidades terapêuticas para determinados quadros. A indicação de qualquer procedimento depende de avaliação médica e do diagnóstico específico, não sendo possível estabelecer uma mesma abordagem para todos os pacientes.

Uma pesquisa realizada pela plataforma Onlinecurrículo com 500 profissionais em março de 2025 identificou que 68% dos entrevistados relataram sentir dores físicas frequentemente em razão do trabalho. O levantamento também apontou que 51% não recebiam suporte ou benefício dos empregadores para lidar com desconfortos e dores habituais.

Mulheres registram maior número de afastamentos por dorsalgia

O recorte por gênero apresenta diferenças na distribuição das causas de incapacidade temporária. Em 2025, 121.586 mulheres receberam benefícios por incapacidade temporária relacionados à dor na coluna, tornando a dorsalgia a principal causa entre as trabalhadoras.

Entre as mulheres, os transtornos ansiosos apareceram na segunda posição, com 118.517 registros, enquanto as lesões ou desgastes dos discos intervertebrais representaram 98.305 benefícios. O conjunto de dados evidencia que problemas musculoesqueléticos e transtornos de saúde mental estiveram entre as principais causas de afastamento feminino.

Entre os homens, a maior quantidade de benefícios foi relacionada a fraturas de perna e tornozelo, com 116.235 registros. A dorsalgia ficou em segundo lugar, com 115.527 benefícios, seguida pelas lesões dos discos intervertebrais, com 110.422.

Os números não permitem concluir, isoladamente, que a diferença entre homens e mulheres seja causada por um único fator. Aspectos relacionados às ocupações, condições de trabalho, características individuais, acesso à assistência e exposição a diferentes riscos podem interferir nos registros previdenciários.

Prevenção envolve condições de trabalho e atendimento médico

O levantamento da Onlinecurrículo também identificou postura inadequada, exposição prolongada a telas, movimentos repetitivos ou esforço físico excessivo e ambiente de trabalho estressante entre os fatores relatados pelos participantes como relacionados aos desconfortos físicos.

No campo da saúde ocupacional, medidas preventivas devem considerar as características de cada atividade profissional. Ergonomia, organização das tarefas, pausas, acompanhamento de saúde e identificação precoce de sintomas podem integrar estratégias destinadas a reduzir riscos, mas não substituem avaliação clínica quando existe dor persistente.

Para Delazzo, a procura por atendimento antes da evolução de um quadro incapacitante pode ampliar as possibilidades de manejo. O especialista afirma que nem todos os casos de dor nas costas exigem cirurgia ou uso contínuo de medicamentos, mas ressalta a necessidade de diagnóstico para determinar a conduta adequada.

A orientação médica é especialmente relevante diante de dor persistente, recorrente ou associada a outros sintomas. O tratamento deve ser definido conforme a origem do problema e as condições clínicas do paciente, podendo envolver diferentes profissionais e métodos terapêuticos.

Afastamentos pressionam Previdência e evidenciam impacto na atividade profissional

O total de 4,12 milhões de benefícios por incapacidade temporária concedidos em 2025 demonstra a dimensão dos afastamentos relacionados a problemas de saúde entre segurados. O crescimento em relação a 2024 ocorreu em diferentes grupos de doenças e transtornos.

A dor nas costas ocupa posição de destaque nesse cenário. Com 237.113 concessões em 2025, a dorsalgia respondeu pelo maior número de benefícios entre os códigos de doenças e transtornos analisados pela Previdência, enquanto as doenças dos discos intervertebrais registraram outros 208.727 casos. e Informações do 

O dado previdenciário, contudo, representa apenas os trabalhadores que chegaram à concessão do benefício. A existência de pessoas que permanecem trabalhando com sintomas não pode ser quantificada diretamente pelas estatísticas de benefícios, embora pesquisas sobre percepção de saúde no trabalho indiquem ocorrência de dores entre trabalhadores.

O cenário reforça a necessidade de observar a saúde musculoesquelética no ambiente profissional, associando medidas de prevenção à identificação dos sintomas e ao acesso a atendimento adequado. Para trabalhadores que apresentam dor persistente, a avaliação profissional é o caminho para determinar a origem do quadro e as opções de tratamento.


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