Salvador recebe, em outubro de 2026, o terceiro e último grupo do ano da Residência Vila Sul, programa do Goethe-Institut Salvador-Bahia que promove períodos de intercâmbio e pesquisa com artistas, pesquisadores e profissionais da cultura de diferentes países. A nova turma é formada por quatro participantes da Índia, Nepal, Alemanha e Marrocos, que permanecem na capital baiana durante dois meses.
A programação reúne pesquisas relacionadas a cinema, música, memória e práticas têxteis, com projetos que estabelecem relações entre diferentes territórios e experiências culturais. Criado em 2016, o programa Vila Sul recebe participantes internacionais para desenvolver trabalhos relacionados a questões do chamado Sul Global.
Entre os participantes estão Reena Moktan, jornalista e crítica de cinema do Nepal, e Vedant Srinivas, curadore e pesquisadore de cinema da Índia. Os dois foram selecionades por meio de uma convocatória voltada a egressos da Berlinale Talents 2026, iniciativa vinculada ao Festival Internacional de Cinema de Berlim para desenvolvimento profissional e articulação de redes no setor audiovisual.
Cinema conecta Nepal, Índia e Alemanha à pesquisa em Salvador
A presença de Reena Moktan e Vedant Srinivas amplia a participação de profissionais do cinema na programação da residência. Durante o período em Salvador, os pesquisadores terão contato com o contexto cultural local como parte de suas investigações e processos de intercâmbio.
A Berlinale Talents reúne profissionais de diferentes áreas do cinema em atividades voltadas à formação, desenvolvimento de projetos e criação de redes internacionais. A seleção dos dois participantes para a Vila Sul estabelece uma conexão entre o programa de residência de Salvador e o circuito internacional de desenvolvimento profissional relacionado ao cinema.
O grupo também inclui a cantora, compositora e performer douniah, que participa da residência por meio de um convênio com o Musicboard Berlin. A artista tem trajetória vinculada a Berlim e trabalha com uma combinação de poesia falada, jazz, soul e R&B. Segundo o projeto apresentado para a residência, sua pesquisa em Salvador será direcionada às relações entre práticas sonoras afro-diaspóricas, Candomblé e os rituais marroquinos Gnawa.
Música pesquisa conexões entre Salvador, África e diáspora
A investigação de douniah prevê trocas com músicos locais e uma pesquisa sobre elementos sonoros e culturais relacionados a diferentes tradições. O projeto estabelece conexões entre Salvador, referências afro-diaspóricas e manifestações culturais do Marrocos.
O trabalho também se insere no eixo internacional da Vila Sul, que utiliza a residência como espaço de encontro entre trajetórias artísticas provenientes de diferentes regiões. O programa tem como orientação temática o “Sul” e, em 2026-2027, trabalha com temas como “Tecidos de Narrativas” e “Arte e Digitalidade”.
A estrutura da Vila Sul está instalada em uma ala do Goethe-Institut Salvador-Bahia, no Corredor da Vitória. O espaço dispõe de estúdio de teatro, galerias, salas de trabalho, áreas de convivência e um KreativLab, além de estrutura destinada à produção e pesquisa artística.
Pooja Dhingra desenvolve pesquisa sobre memória e práticas têxteis
A quarta integrante do grupo é a artista e designer gráfica indiana Pooja Dhingra, que desenvolve uma pesquisa relacionada a memória, pertencimento e resistência por meio dos têxteis. Durante a permanência em Salvador, a artista pretende realizar oficinas comunitárias de costura.
O projeto prevê ainda a criação de uma obra colaborativa baseada em histórias orais e memórias de comunidades afro-brasileiras e indígenas de Salvador. A proposta aproxima práticas manuais, transmissão de memória e participação comunitária como elementos de construção artística.
A pesquisa de Pooja amplia o conjunto de linguagens presentes no terceiro grupo de 2026, que reúne audiovisual, música, performance, pesquisa cultural e práticas têxteis. A diversidade de áreas faz parte da proposta da Vila Sul de promover intercâmbios entre profissionais de diferentes campos da cultura.
Residência promove intercâmbio internacional em Salvador
Para Leonel Henckes, diretor de operações da Residência Vila Sul/Goethe-Institut Salvador-Bahia, a nova turma amplia as possibilidades de intercâmbio internacional desenvolvidas pelo programa. Ele destaca a presença de pesquisas distintas e as parcerias estabelecidas com instituições internacionais.
A Vila Sul foi criada em 2016 e mantém como eixo de atuação o diálogo entre Salvador e diferentes países do Sul Global. O programa seleciona artistas e profissionais da cultura por meio de um sistema de nomeações e avaliação por um júri internacional.
De acordo com o Goethe-Institut, o programa oferece aos participantes a possibilidade de morar em Salvador durante dois meses e desenvolver seus projetos em diálogo com o contexto local. A instituição também mantém um podcast dedicado à residência, com conversas sobre os processos criativos e as experiências dos artistas participantes.
Terceiro grupo encerra ciclo de residências de 2026
O grupo que chega em outubro corresponde ao terceiro e último período de residência da Vila Sul em 2026. A programação mantém a proposta de aproximar artistas internacionais de pesquisadores, profissionais da cultura e agentes da cena artística de Salvador.
A presença de participantes da Índia, Nepal, Alemanha e Marrocos estabelece uma rede de intercâmbio que envolve cinema, música, práticas têxteis e investigação sobre memória e cultura. As pesquisas desenvolvidas durante a residência partem das trajetórias individuais dos participantes e incorporam elementos encontrados no contexto de Salvador.
A experiência integra a atuação do Goethe-Institut Salvador-Bahia, que mantém atividades culturais e de intercâmbio internacional na capital baiana desde 1962. A instituição informa que seu programa Vila Sul recebe artistas e especialistas internacionais que desenvolvem trabalhos relacionados a temas relevantes para os países do Sul Global.


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