O espetáculo “ELEGBAPHO – Território Afrocênico de Celebração Negra” estreia nesta sexta-feira (18/09/2026), no Espaço Cultural da Barroquinha, em Salvador, para uma temporada de dez apresentações até 3 de outubro. O solo marca os 25 anos de trajetória artística de Nando Zâmbia e articula teatro, dança, música, humor, improviso e recursos multimídia a partir de referências do Teatro Preto de Candomblé. A programação ocorre de quinta-feira a domingo, às 18h, com ingressos a R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia).
A montagem parte da figura de Elegbara, Exu associado à comunicação e à mediação entre os seres humanos e o Orum, para desenvolver uma narrativa sobre a necessidade de reconhecer e celebrar conquistas individuais e coletivas. Na dramaturgia, Elegbara leva pedidos dos humanos aos orixás e trabalha para que sejam atendidos, mas questiona o fato de que, após a realização dos desejos, muitas pessoas deixam de agradecer e celebrar.
A proposta estabelece uma passagem entre a dimensão coletiva e a experiência individual. O espetáculo começa com referências a conquistas e personalidades negras e conduz a narrativa até um convite para que o próprio público reconheça suas trajetórias e experiências. A montagem utiliza ainda diferentes linguagens e dispositivos tecnológicos para estabelecer relações entre tradição, comunicação e contemporaneidade.
Espetáculo combina teatro, música, dança e recursos multimídia
Segundo Nando Zâmbia, que também assina a dramaturgia e divide a direção com Onisajé, a montagem está relacionada à sua pesquisa no Teatro Preto de Candomblé. A abordagem parte de referências das culturas negras e utiliza questões contemporâneas como ponto de diálogo com o público.
O espetáculo é estruturado como uma experiência que combina cena, música, dança, humor, improvisação e festividade. A proposta não se restringe à reflexão sobre o ato de celebrar, mas busca incorporar elementos associados à própria experiência de uma celebração, incluindo canto, dança, interação e presença corporal.
Na dimensão visual e tecnológica, Exu é apresentado em diferentes meios de comunicação. A montagem transita entre papel, rádio, podcast, VJ, DJ e recursos digitais, articulando projeções, vídeos, iluminação e sonoridades. De acordo com a descrição da produção, esses recursos integram uma experiência sensorial e ritualística relacionada às referências de Elegbara.
Solo reúne vozes de artistas e personagens históricos
Embora Nando Zâmbia seja o único intérprete em cena, o espetáculo conta com vozes de outros artistas para representar personagens históricos, personalidades públicas e divindades do Candomblé. Entre as figuras mencionadas na produção estão Dandara, Iyá Nassô, Barack Obama, Michael Jackson, Exu Lonan, Exu Alafiá e Exu Odará.
Participam com suas vozes Vera Lopes, Manu Moraes, Edy Firenzza, Evani Tavares, Fabíola Nansurê, Nelson Maca, Jarbas Bittencourt, Gustavo Domingues (Razzga Mortalha), Yan Cardoso, Gabriel Figueiredo e Anderson Danttas. A produção também inclui uma conversa em formato de podcast entre Elegbara e Exu Bará, interpretado pelo ator Iago Gonçalves.
Os vídeos da montagem contam ainda com participações de Domingos Okan Lewá e Mãe Rosa de Oyá. A estrutura amplia o caráter de solo da obra ao incorporar diferentes vozes e presenças associadas às referências históricas, culturais e religiosas utilizadas na dramaturgia.
Temporada ocorre após pré-estreia no FIGA 2026
Antes da temporada regular, ELEGBAPHO integrou a programação do Festival Internacional Gestos de América (FIGA) 2026, com apresentações realizadas no Centro Cultural Barroquinha nos dias 4 e 13 de setembro. A montagem participou da programação de abertura e encerramento do festival.
O FIGA 2026 reuniu espetáculos, performances, intervenções urbanas, debates, palestras, oficinas e atividades de formação em Salvador. A edição teve como conceito “Toda origem se move” e estabeleceu uma programação relacionada a temas como memória, território, corpo, tradição e transformação nas artes cênicas.
A temporada de ELEGBAPHO no Espaço Cultural da Barroquinha amplia a circulação da montagem após a participação no festival. A produção informa que serão dez apresentações entre 18 de setembro e 3 de outubro, sempre às 18h, com ingressos comercializados pela plataforma Sympla.
Produção integra política de fomento à cultura
O espetáculo foi contemplado por editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura na Bahia (PNAB), com recursos do Governo Federal repassados pelo Ministério da Cultura e execução do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura.
A iniciativa integra um conjunto de projetos que utilizam mecanismos públicos de financiamento para viabilizar produção, circulação e apresentação de obras culturais. Em Salvador e na Bahia, outros projetos contemplados pela PNAB também vêm articulando teatro, formação artística e referências afro-brasileiras.
Com a temporada em Salvador, Nando Zâmbia marca 25 anos de trajetória nas artes e na cultura por meio de uma montagem que relaciona dramaturgia, música, dança, tecnologia e referências do Candomblé. A temporada permanece no Espaço Cultural da Barroquinha até sábado (03/10/2026).


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