Mais de 5 milhões de jovens já são donos de negócios no Brasil

O número de jovens donos de negócios no Brasil ultrapassou 5 milhões no segundo trimestre de 2026, segundo dados do DataSebrae apresentados na pesquisa “Empreendedorismo Jovem”, com base na PNAD Contínua. Do total de 30,4 milhões de donos de negócios registrados no país, os empreendedores de até 29 anos representam aproximadamente 16%.

O contingente vem apresentando crescimento ao longo dos últimos anos. Em 2023 e 2024, eram 4,8 milhões de jovens donos de negócios. Em 2025, o número passou de 4,9 milhões, enquanto em 2012, início da série histórica mencionada, havia cerca de 4 milhões.

A expansão ocorre em paralelo a mudanças no perfil educacional dos jovens empreendedores. Segundo o levantamento, a parcela com ensino superior incompleto ou mais passou de 14,1% em 2012 para 27,8% em 2025, indicando aumento da escolaridade entre aqueles que optam por empreender.

Empreendedorismo aparece como alternativa de renda e autonomia

Para Paulo Marcelo Ribeiro, dirigente institucional da Faculdade Sebrae, o crescimento do empreendedorismo entre jovens está associado a diferentes fatores, incluindo a busca por alternativas de renda, maior flexibilidade profissional e mudanças na organização do trabalho.

Segundo Ribeiro, parte dos jovens não encontra no emprego formal a alternativa profissional que procura e passa a considerar a criação de um negócio como possibilidade de geração de renda. Outro fator citado é a busca por atividades que permitam maior flexibilidade de horários e locais de trabalho.

Nesse contexto, o dirigente também destaca o crescimento dos chamados “nômades digitais”, profissionais que desenvolvem atividades pela internet enquanto se deslocam entre diferentes cidades ou países. A expansão do trabalho remoto e de atividades digitais amplia as possibilidades de organização da carreira, mas também exige competências relacionadas à gestão e ao planejamento.

Formação empresarial passa a ser uma demanda para novos empreendedores

A ampliação do número de jovens empreendedores também coloca em discussão a necessidade de qualificação para administrar negócios. Ter uma ideia ou identificar uma oportunidade não elimina desafios relacionados a planejamento, gestão financeira, marketing, vendas, liderança, inovação e validação de produtos ou serviços.

A educação empreendedora, nesse cenário, não está necessariamente limitada à abertura de uma empresa. Ela também pode preparar jovens para atuar como profissionais autônomos, desenvolver startups ou implementar projetos de inovação dentro de organizações já existentes.

De acordo com Paulo Marcelo Ribeiro, o empreendedorismo por necessidade tem participação relevante entre os jovens que ingressam no mercado por meio de atividades próprias. Para ele, a formação deve contribuir para o desenvolvimento de competências capazes de melhorar a gestão e ampliar as possibilidades de sustentabilidade dos negócios.

Faculdade Sebrae oferece graduação, MBAs e cursos de curta duração

A Faculdade Sebrae mantém cursos voltados à formação em diferentes áreas relacionadas à administração e à gestão. Entre as graduações estão Administração, Sistemas de Informação, Gestão Comercial e Processos Gerenciais.

A instituição também oferece MBAs em áreas como educação empreendedora 5.0, gestão de negócios, gestão pública e gestão de negócios e estratégia ESG. A grade inclui ainda cursos de curta duração sobre temas como business intelligence e métricas estratégicas, design thinking, ferramentas ágeis, estratégias de vendas e negociação.

A estrutura da Faculdade Sebrae inclui, além da unidade principal em São Paulo, seis polos na capital paulista, 26 no interior do estado e outros dez polos distribuídos por diferentes estados brasileiros, entre eles a Bahia, conforme as informações apresentadas no material.

Crescimento dos jovens empreendedores acompanha transformação do mercado de trabalho

Os dados apresentados pelo DataSebrae mostram que o empreendedorismo passou a ocupar espaço relevante entre as alternativas profissionais consideradas pela população jovem. O crescimento de aproximadamente 4 milhões de empreendedores jovens em 2012 para mais de 5 milhões em 2026 ocorre ao mesmo tempo em que aumenta a participação daqueles com maior nível de escolaridade.

A mudança não elimina os desafios relacionados à sobrevivência e à gestão dos negócios. Para novos empreendedores, conhecimentos sobre finanças, mercado, planejamento, vendas, tecnologia e gestão podem ser determinantes para transformar uma iniciativa em atividade econômica estruturada.

O cenário também reforça a importância de políticas e programas de educação empreendedora e capacitação profissional, especialmente diante da expansão do trabalho digital e da procura por modelos de atuação que ofereçam maior autonomia. A combinação entre crescimento do empreendedorismo jovem e aumento da escolaridade cria uma demanda por formação capaz de acompanhar as mudanças no mercado de trabalho brasileiro.


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