O número de mulheres que optam por deixar empregos formais para empreender cresce no Brasil, acompanhando uma tendência de busca por autonomia financeira e flexibilidade de tempo. Segundo pesquisa divulgada na quarta-feira (15/01/2025) pela Mastercard e Opinium Research, 80% das brasileiras já consideraram abrir ou administrar o próprio negócio, mas 53% ainda não iniciaram, principalmente pela falta de financiamento, apontada por 37% das entrevistadas.
Crescimento do empreendedorismo feminino
Dados do Sebrae mostram que o país atingiu 10,3 milhões de mulheres donas de negócios em 2022, um crescimento de 30% em relação a 2021, o maior desde 2016. O levantamento do Global Entrepreneurship Monitor (GEM) indica que elas representam 46% dos empreendedores iniciais no Brasil, e 40% têm planos de gerar de uma a cinco vagas de trabalho.
Essa participação crescente reforça o papel feminino na economia real e sua capacidade de gerar emprego e renda. A quebra de estereótipos e o aumento da representatividade contribuem para transformar o mercado de trabalho.
Desigualdades de rendimento e barreiras estruturais
Apesar dos avanços, diferenças de renda ainda são evidentes. De acordo com o Sebrae, com base na PNAD Contínua, o rendimento médio das empreendedoras no quarto trimestre de 2024 foi de R$ 2.867, cerca de 24,4% inferior ao dos homens.
Fatores como sobrecarga doméstica, impacto da maternidade e acesso restrito a investimentos dificultam a consolidação de negócios liderados por mulheres. O tema segue como um dos principais desafios para políticas públicas e para o setor privado.
Histórias que inspiram novas empreendedoras
Casos como o de Jeane Seixas, sócia-diretora da Clínica Day Fono, ilustram esse movimento. Após 15 anos no mercado financeiro e certificações relevantes como CPA-10, CPA-20 e ANCOR, ela migrou para o setor de saúde e fundou seu próprio negócio.
Jeane explica que a decisão também esteve ligada à gestão do tempo, permitindo acompanhar de perto o crescimento dos filhos. Ela ainda investiu em formações internacionais em metodologias terapêuticas, como ABA, Denver (ESDM) e VB-MAPP, agregando valor aos serviços oferecidos pela clínica.
Perspectivas para os próximos anos
O GEM projeta que, até 2026, dos 47,7 milhões de potenciais empreendedores brasileiros, 54,6% serão mulheres, maior participação proporcional já registrada. O cenário aponta para um avanço consistente da liderança feminina no setor produtivo e para a criação de novas dinâmicas de crescimento econômico e inovação social.


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