A relação entre saúde mental e doenças reumáticas tem recebido atenção crescente no acompanhamento de pacientes com condições crônicas. Segundo o material-base desta reportagem, cerca de 20 milhões de brasileiros convivem com doenças reumáticas, grupo que inclui artrite reumatoide, lúpus, espondiloartrites, artrite psoriática e fibromialgia.
Durante o Setembro Amarelo, campanha voltada à conscientização sobre saúde mental e prevenção do suicídio, especialistas reforçam que pessoas com doenças crônicas podem enfrentar impactos emocionais relacionados à dor persistente, limitações funcionais, alterações na rotina e mudanças na vida profissional e social.
Para o médico reumatologista Alexandre Ibrahim, da Novaimuno, do Grupo CITA, o estresse não é considerado causa direta das doenças reumáticas, mas pode atuar como fator desencadeante ou agravante em pessoas predispostas. Períodos de maior tensão emocional também podem estar associados à maior percepção da dor e da fadiga e, em determinados quadros, à atividade inflamatória.
Doenças crônicas podem afetar a saúde emocional
As doenças reumáticas abrangem diferentes condições que podem comprometer articulações, músculos, ossos, tendões e outros órgãos. A Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) informa que existem mais de 120 doenças reumáticas, entre enfermidades inflamatórias, crônicas, autoimunes e raras.
Além dos sintomas físicos, pacientes podem enfrentar dificuldades para manter atividades profissionais, sociais e pessoais. Dor persistente, fadiga, alterações do sono e redução da autonomia podem contribuir para sentimentos de insegurança, frustração e preocupação relacionados à evolução da doença.
A Sociedade Brasileira de Reumatologia também reconhece a influência de fatores psicológicos sobre a percepção da dor. Em orientação publicada pela entidade, estresse psicológico, ansiedade e depressão podem influenciar sintomas dolorosos, reforçando a importância de uma abordagem que considere os diferentes aspectos da saúde do paciente.
Psicoterapia auxilia no enfrentamento da doença
A psicóloga Eloísa Amoedo, da Novaimuno, afirma que receber o diagnóstico de uma doença crônica pode provocar mudanças na vida pessoal, social e profissional. Nesse contexto, a psicoterapia pode oferecer recursos para lidar com sentimentos como medo e frustração e desenvolver estratégias de enfrentamento.
Segundo a especialista, o acompanhamento psicológico também pode contribuir para o manejo do estresse e o fortalecimento emocional, ajudando o paciente a estabelecer uma relação mais adequada com a doença e com as etapas do tratamento.
A abordagem multidisciplinar ganha relevância diante da frequência de manifestações como ansiedade, depressão, alterações do sono e fadiga entre pacientes reumatológicos. A SBR também destaca que doenças reumáticas podem comprometer a qualidade de vida e que o diagnóstico e o tratamento adequados são importantes para reduzir limitações decorrentes dessas condições.
Tratamento deve considerar corpo e mente
Para Alexandre Ibrahim, o acompanhamento médico permanece fundamental para controlar a evolução das doenças reumáticas e reduzir o risco de complicações. O especialista defende que o cuidado seja realizado de forma integral, considerando tanto os sintomas físicos quanto os aspectos emocionais relacionados à condição crônica.
Nesse modelo de atenção, saúde mental, controle da doença, acompanhamento médico e suporte psicológico podem atuar de maneira complementar. A identificação de sintomas emocionais também permite que o paciente receba orientação e encaminhamento profissional quando necessário.
Eloísa Amoedo ressalta que buscar acompanhamento psicológico não representa sinal de fragilidade, mas uma estratégia de autocuidado. A recomendação dos especialistas é que mudanças persistentes no humor, no sono, na disposição ou na capacidade de lidar com a rotina sejam comunicadas aos profissionais responsáveis pelo acompanhamento.
Setembro Amarelo amplia debate sobre saúde mental
A discussão sobre saúde mental durante o Setembro Amarelo também alcança pessoas que convivem com enfermidades crônicas. Em Feira de Santana, por exemplo, ações da campanha já incluíram atendimentos, palestras, rodas de conversa e atividades de acolhimento em serviços públicos de saúde.
A campanha reforça a importância da escuta e da procura por ajuda diante de situações de sofrimento emocional. Para pacientes reumatológicos, essa atenção pode ser integrada ao acompanhamento clínico, especialmente quando sintomas emocionais passam a interferir na rotina ou na continuidade do tratamento.
O cuidado integral, portanto, envolve mais do que o controle da dor e da inflamação. Considerar a saúde mental no acompanhamento das doenças reumáticas pode contribuir para o enfrentamento da condição crônica, para a adesão ao tratamento e para a qualidade de vida, segundo os especialistas citados no material.
Grupo CITA
O Grupo CITA – Centros Integrados de Terapia Assistida reúne clínicas especializadas no atendimento de doenças raras e autoimunes. Segundo o material fornecido, o grupo atua com suporte interdisciplinar nas áreas de prevenção, diagnóstico e tratamento, com unidades em São Paulo e Salvador. Em Salvador, integram o grupo as unidades Novaimuno, IBIS e Cliagen.
Share this:
- Print (Opens in new window) Print
- Email a link to a friend (Opens in new window) Email
- Share on X (Opens in new window) X
- Share on Facebook (Opens in new window) Facebook
- Share on LinkedIn (Opens in new window) LinkedIn
- Share on WhatsApp (Opens in new window) WhatsApp
- Share on Telegram (Opens in new window) Telegram


Deixe um comentário