Caju de Leitores inicia 5ª edição com língua Patxohã

A 5ª edição do Festival Caju de Leitores começou nesta quarta-feira (02/09/2026), na Oca Tururim, localizada na Aldeia Xandó, no Território Indígena Barra Velha, em Porto Seguro, no extremo sul da Bahia. A abertura reuniu a homenageada Maria Coruja, o anfitrião Sairi Pataxó, o cacique Marrudo Pataxó, lideranças indígenas, escritores, educadores e estudantes.

A programação contou com a participação de estudantes da Escola Municipal de Caraíva, da unidade escolar da Aldeia Bugigão, da Escola Coqueiral e da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). As atividades são gratuitas e seguem até sexta-feira (04/09/2026), com rodas de conversa, contações de histórias, encontros com autores, apresentações culturais e ações educativas.

A abertura foi marcada pelo Awê e pela oração Pataxó, seguidos pela roda de conversa “Como chamamos os bichos em Patxohã: histórias de aldeia”, conduzida por Giovanna Pataxó e Apêtxienã Pataxó. A atividade utilizou imagens de animais para apresentar às crianças palavras da língua Patxohã.

Língua Patxohã é apresentada como instrumento de identidade e transmissão de conhecimentos

Durante a atividade, os participantes aprenderam nomes de animais em Patxohã, entre eles Mukusuy, para peixe; Exna, para onça; e Kuké, para cachorro. A proposta relacionou aprendizagem linguística, brincadeiras e conhecimentos associados à vida comunitária Pataxó.

Apêtxienã Pataxó destacou a importância do ensino da língua nas escolas e sua relação com identidade, território, ancestralidade e transmissão de conhecimentos entre gerações. A revitalização do Patxohã integra iniciativas de valorização cultural desenvolvidas pelo povo Pataxó.

A documentação e revitalização de línguas indígenas são consideradas relevantes para a preservação de conhecimentos e formas de organização cultural. O Museu Nacional dos Povos Indígenas informa que as línguas indígenas funcionam como veículos de transmissão de conhecimentos entre gerações e enfrentam diferentes níveis de risco no Brasil.

Literatura indígena infantil amplia debate sobre relação com os animais

No período da tarde, a programação do Vozes da Escola apresentou trabalhos desenvolvidos por estudantes. Na sequência, a mesa “Descolonizando afetos na literatura indígena infantil: o que os bichos nos ensinam” reuniu as escritoras Geni Nuñez e Auritha Tabajara.

Geni Nuñez abordou a literatura indígena como espaço para apresentar diferentes perspectivas às crianças e aos adultos que participam de seus processos de leitura. A escritora também defendeu a mudança na forma como os animais são representados em determinadas narrativas, propondo sua compreensão como parentes e integrantes das relações estabelecidas pelos povos indígenas.

Auritha Tabajara relacionou a presença dos animais às narrativas ancestrais e aos conhecimentos de seu povo. Em sua participação, destacou a compreensão indígena de que os seres humanos integram a natureza e que os animais ocupam lugar nas histórias e na memória coletiva.

Participação de escolas aproxima festival da educação indígena

A presença de estudantes e educadores de diferentes instituições de ensino integra a proposta do Caju de Leitores de aproximar literatura, educação, território e comunidades indígenas. O primeiro dia terminou com apresentação do Grupo Cultural da Aldeia Xandó.

A programação do festival também incorpora atividades acadêmicas realizadas em parceria com a UFSB. Na terça-feira (01/09/2026), professores, educadores e estudantes participaram da III Jornada de Literaturas Indígenas, realizada no Centro de Cultura de Porto Seguro.

Durante a Jornada, foram apresentados os resultados da I Pesquisa Caju de Leitores, que entrevistou 976 estudantes e investigou a relação de crianças e jovens de escolas indígenas de Porto Seguro e do distrito de Caraíva com livros e práticas de leitura.

Pesquisa com 976 estudantes será reapresentada durante o festival

Os resultados da pesquisa serão apresentados novamente nesta quinta-feira (03/09/2026), às 14h30, durante a programação do Caju de Leitores. O levantamento integra a parceria entre a organização do festival e a UFSB e amplia a discussão sobre formação de leitores entre estudantes indígenas.

Na noite de terça-feira (01/09/2026), a III Jornada de Literaturas Indígenas prosseguiu no Campus Sosígenes Costa da UFSB com a Varanda Indígena, que promoveu uma mesa-redonda sobre ensino e literaturas indígenas com Vanessa Guarani Ratton e Paulo de Tássio Borges da Silva.

A realização de eventos literários em territórios indígenas também se relaciona a iniciativas de valorização da produção cultural Pataxó no sul da Bahia. Em 2025, a Fundação Pedro Calmon registrou a realização do Festival Literário Sarã Nakíyã, na Aldeia Mãe Barra Velha, com oficinas, rodas de conversa, contações de histórias e participação de autores indígenas.

Festival Caju de Leitores chega à quinta edição

Criado em 2022, o Festival Caju de Leitores promove atividades que aproximam escritores, artistas, educadores, estudantes, lideranças indígenas e comunidades. Segundo a organização, o evento alcançou mais de 12 mil pessoas até 2025, por meio de ações de formação de leitores e acesso à literatura indígena.

A quinta edição tem como tema “Um Manifesto de Bichos”, proposta que relaciona a presença dos animais às histórias, memórias e conhecimentos transmitidos entre gerações. A programação estabelece conexões entre bichos, ancestralidade, língua, natureza e território a partir de perspectivas indígenas.

A programação do Caju de Leitores segue até sexta-feira (04/09/2026). O festival é realizado pelo Ministério da Cultura e pela Savá Cultural, com patrocínio da Neoenergia e do Itaú, por meio da Lei Rouanet, além do apoio da Secretaria Municipal de Educação de Porto Seguro, por meio da Superintendência de Cultura e Patrimônio Histórico, e parceria acadêmica da Universidade Federal do Sul da Bahia.


Tags


Deixe um comentário


Discover more from News Veritas Brasil (NV)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading