Suprindo uma lacuna na história da música brasileira, o projeto Marujos Pataxó lança um álbum que registra pela primeira vez o repertório do samba indígena, uma parte significativa da cultura musical do sul da Bahia. Localizada na Aldeia Mãe Barra Velha, território Pataxó, essa tradição percussiva e rítmica do samba é um ritual sagrado que expressa a fé e a cultura indígena de forma única, passando de geração em geração.
Produzido por Lenis Rino, com direção técnica de Tejo Damasceno e masterização de Fernando Sanches, o álbum recebe apoio do Natura Musical e promete não apenas revelar a musicalidade única dos Marujos Pataxó, mas também será acompanhado por um documentário, um clipe e um remix assinado pelo Tropkillaz.
O projeto não se limita à música, mas também visa reconhecer a influência indígena na criação do samba brasileiro, destacando a importância dos povos originários em diversos aspectos da sociedade. Além disso, busca melhorar a qualidade de vida na Aldeia Mãe Barra Velha, gerando emprego, renda e preservando a cultura tradicional Pataxó.
A história do povo Pataxó é marcada por resistência, com a Aldeia Mãe Barra Velha contando com 523 anos de resistência desde o primeiro aldeamento do Brasil. Após um trágico massacre em 1951, o povo Pataxó dispersou-se pelo país, mantendo a aldeia como parte de suas raízes.
A cultura do povo Pataxó é um retrato de resiliência e força, resistindo a massacres, dores e mais de quinhentos anos de invasões. O preconceito e a repressão cultural ativa são desafios constantes enfrentados por esse povo. Marujos Pataxó, selecionado pelo edital Natura Musical, não apenas resgata culturalmente, mas também reafirma a resistência do povo indígena.


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