Kiev, 27 de agosto de 2026 (quinta-feira) — Pelo menos 3.946 crianças foram mortas ou feridas na Ucrânia desde a escalada da guerra, em fevereiro de 2022, segundo dados verificados pelas Nações Unidas divulgados pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). A agência ressalta que o número real de vítimas infantis provavelmente é maior devido às dificuldades de verificação em determinadas áreas do país.
O levantamento mostra que julho de 2026 registrou o maior número mensal de vítimas infantis desde abril de 2022. Segundo a Missão de Monitoramento dos Direitos Humanos da ONU na Ucrânia, 17 crianças morreram e outras 166 ficaram feridas no período, totalizando 183 vítimas e representando aumento de 49% em relação a junho.
O aumento das vítimas ocorre em meio à continuidade dos ataques contra diferentes regiões ucranianas. Segundo o UNICEF, os episódios recentes atingiram residências, parques infantis, escolas e hospitais, além de outras estruturas utilizadas pela população civil. A agência defende o cumprimento do direito internacional humanitário e a proteção específica das crianças.
Julho concentra maior número de vítimas infantis desde 2022
Os dados da ONU indicam que 17 crianças foram mortas e 166 ficaram feridas em julho, número considerado o mais elevado para um único mês desde abril de 2022. O resultado acompanha o aumento geral das vítimas civis registrado no país durante o período.
No conjunto da população civil, a Missão de Monitoramento dos Direitos Humanos da ONU contabilizou 437 mortos e 2.610 feridos em julho, uma alta de 30% em relação a junho. O número de civis mortos foi o maior registrado desde maio de 2022.
A missão informou ainda que mísseis e drones de longo alcance responderam por 38% das vítimas civis registradas em julho, com 183 mortos e 967 feridos. Os ataques ocorreram principalmente em centros urbanos localizados distante das linhas de frente.
Ataques recentes ampliam preocupação com crianças
Entre os episódios mencionados pelo UNICEF está o ataque ocorrido em 21 de agosto, em um centro comercial de Kryvyi Rih, na região de Dnipropetrovsk. Segundo a agência, pelo menos 16 pessoas morreram e mais de 140 ficaram feridas, incluindo 23 crianças.
No mesmo dia, outro ataque registrado em Mykolaiv teria provocado a morte de três crianças, de acordo com informações citadas pelo UNICEF. Os episódios ocorreram poucos dias depois do encerramento de julho, mês que já havia registrado o maior número de vítimas infantis desde abril de 2022.
A representante do UNICEF na Ucrânia, Anne-Claire Dufay, afirmou que crianças estão entre as vítimas de ataques ocorridos em suas casas, parques e comunidades. A agência também apontou danos a escolas e hospitais, estruturas consideradas essenciais para a população civil.
Infraestrutura civil permanece exposta aos ataques
A Missão de Monitoramento dos Direitos Humanos da ONU registrou vítimas civis em 14 regiões da Ucrânia e na cidade de Kiev durante julho. Entre as áreas com maiores números de mortos e feridos estiveram Kiev, Kherson, Zaporizhzhia e Sumy.
Os dados da ONU mostram que os efeitos dos ataques ultrapassam as áreas diretamente envolvidas nos combates. Infraestruturas energéticas, portuárias e outros serviços civis também foram atingidos, aumentando os impactos sobre a população e dificultando a manutenção de serviços essenciais.
O UNICEF mantém operações de assistência às crianças e famílias afetadas pelo conflito, incluindo apoio de saúde mental e psicossocial, proteção e recuperação de abrigos escolares. A organização também atua em parceria com autoridades e instituições locais para manter serviços destinados à população infantil.
ONU pede proteção da população civil
O coordenador humanitário das Nações Unidas na Ucrânia, Matthias Schmale, condenou os ataques recentes e ressaltou a necessidade de proteger os civis e garantir o cumprimento das obrigações previstas no direito internacional humanitário.
A escalada das hostilidades também representa um obstáculo para as operações de assistência humanitária. Segundo as Nações Unidas, a intensificação dos ataques pode limitar o acesso às populações afetadas e comprometer a entrega de serviços e suprimentos em áreas atingidas pelo conflito.
A subsecretária-geral da ONU para Assuntos Políticos e de Consolidação da Paz, Rosemary DiCarlo, também defendeu o fim da guerra durante pronunciamento ao Conselho de Segurança. A representante destacou a necessidade de interromper as hostilidades após mais de quatro anos de conflito em larga escala.
UNICEF defende cumprimento do direito humanitário
O UNICEF reiterou o pedido para que cessem os ataques que resultam em mortes e ferimentos de crianças. A organização também defende o cumprimento integral do direito internacional humanitário, incluindo as normas destinadas à proteção de menores e das infraestruturas civis das quais dependem.
A agência das Nações Unidas considera que a dimensão das vítimas infantis exige medidas de proteção e assistência contínuas. O número de 3.946 crianças mortas ou feridas desde fevereiro de 2022 representa apenas os casos que puderam ser verificados pela ONU.
A Missão de Monitoramento dos Direitos Humanos também alerta que as estatísticas disponíveis podem não refletir a totalidade das vítimas, especialmente em áreas ocupadas onde o acesso à informação pública é limitado. Os números, portanto, devem ser considerados como registros verificados e não como estimativa definitiva do impacto sobre crianças e civis.
Impactos humanitários permanecem no centro do conflito
Além das mortes e ferimentos, a guerra afeta diretamente educação, saúde, moradia, segurança e acesso a serviços essenciais para crianças e famílias. O UNICEF mantém programas de emergência destinados a reduzir os efeitos do conflito sobre a população infantil e apoiar a continuidade de serviços básicos.
A situação registrada em julho reforça a dimensão dos riscos enfrentados pela população infantil. O mês apresentou 183 vítimas infantis verificadas, enquanto ataques posteriores mantiveram o registro de novos mortos e feridos, segundo informações divulgadas pelo UNICEF em 25 de agosto.
Com a continuidade dos confrontos, a ONU e o UNICEF reiteram a necessidade de proteção dos civis, cumprimento do direito internacional humanitário e interrupção dos ataques que atingem crianças e estruturas civis. Os organismos internacionais também mantêm operações de assistência humanitária destinadas às famílias afetadas pela guerra.


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