Ministério da Saúde coleta relatos de fumantes e ex-fumantes

 O Ministério da Saúde lançou a ação “Conte o que o cigarro não mostra”, que convida fumantes, ex-fumantes, familiares e pessoas que convivem com o tabagismo a relatarem experiências relacionadas ao consumo de cigarros. A iniciativa ocorre no Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado neste sábado (29/08/2026), e busca reunir informações que possam subsidiar a definição de novas imagens e mensagens para as embalagens de cigarros e o aperfeiçoamento das políticas públicas de controle do tabaco.

Na Bahia, a iniciativa ocorre em um cenário de aumento da procura por tratamento para cessação do tabagismo no Sistema Único de Saúde (SUS). Dados do Ministério da Saúde indicam que o estado registrou 74.606 atendimentos em 2025, contra 53.406 em 2022, representando crescimento de 39,7% no período.

Os relatos podem ser enviados por meio da página #MinhaHistóriaSemFiltro, disponível no Portal da Saúde, mediante preenchimento de formulário. A proposta é reunir experiências relacionadas aos efeitos do tabagismo na rotina, na saúde, na qualidade de vida, nas relações familiares e sociais e em outras dimensões da vida cotidiana.

Campanha busca experiências que não aparecem nas embalagens

As advertências sanitárias presentes nas embalagens de cigarros já apresentam informações sobre consequências associadas ao consumo de produtos derivados do tabaco. A nova campanha pretende ampliar essa abordagem ao reunir experiências pessoais de quem fuma, já fumou ou convive com pessoas que fumam.

Segundo a proposta do Ministério da Saúde, os depoimentos permitirão identificar impactos do tabagismo que não são necessariamente representados por imagens. Entre eles estão mudanças na rotina, dificuldades de convivência, repercussões nas relações afetivas e consequências percebidas no cotidiano.

A participação também é apresentada como uma forma de contribuir para a formulação de políticas públicas. As informações coletadas serão utilizadas como subsídio para futuras mensagens e imagens de conscientização nas embalagens de cigarros, além de outras ações relacionadas à prevenção e ao tratamento do tabagismo.

O canal é direcionado a fumantes, ex-fumantes, familiares e demais pessoas que desejem compartilhar experiências. A iniciativa procura incorporar essas percepções às estratégias de enfrentamento da dependência de nicotina.

Número de fumantes voltou a crescer no Brasil

Dados do Vigitel, levantamento do Ministério da Saúde sobre fatores de risco e proteção para doenças crônicas, apontaram mudança recente na tendência nacional de redução do tabagismo. Em 2024, 11,7% da população adulta brasileira declarou ser fumante, percentual superior aos 9,2% registrados em 2023.

Apesar do aumento em relação ao ano anterior, a taxa permanece abaixo do índice registrado no início da série histórica. Em 2006, 15,7% dos adultos brasileiros eram fumantes, segundo os dados apresentados pelo Ministério da Saúde.

Na capital baiana, a série histórica apresenta trajetória diferente. Em Salvador, o percentual de adultos fumantes caiu de 9,2%, em 2006, para 7,1%, em 2023, uma redução de 2,1 pontos percentuais.

Bahia amplia procura pelo tratamento no SUS

Enquanto os indicadores de prevalência do tabagismo apresentam redução histórica na Bahia, a procura por atendimento para abandonar o cigarro aumentou. No estado, foram registrados 53.406 atendimentos para tratamento do tabagismo em 2022 e 74.606 em 2025.

A diferença corresponde a 21.200 atendimentos adicionais e representa crescimento de 39,7% no período. Em âmbito nacional, o número de pessoas atendidas nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) para tratamento do tabagismo passou de aproximadamente 1 milhão, em 2022, para 2,1 milhões, em 2025.

O atendimento é oferecido gratuitamente pelo SUS. A assistência pode envolver acompanhamento individual ou coletivo, orientações para lidar com a dependência e, conforme avaliação dos profissionais de saúde, medicamentos destinados a reduzir sintomas da abstinência.

Entre os recursos terapêuticos disponíveis estão adesivos e gomas de nicotina e bupropiona, quando indicados dentro do plano de tratamento. A Unidade Básica de Saúde funciona como porta de entrada para quem busca informações e orientação sobre a oferta do serviço na região.

Tratamento inclui avaliação e acompanhamento

O cuidado à pessoa tabagista começa com a identificação do usuário e o acolhimento pela equipe de saúde. O processo inclui avaliação clínica e análise do grau de dependência à nicotina, permitindo a definição de estratégias adequadas ao perfil de cada paciente.

O plano terapêutico pode ser desenvolvido individualmente ou em grupo. Durante o acompanhamento, profissionais monitoram a evolução do paciente, orientam sobre estratégias para lidar com a abstinência e trabalham medidas destinadas a prevenir ou enfrentar eventuais recaídas.

A assistência oferecida pela rede pública, portanto, não se limita à prescrição de medicamentos. O tratamento envolve acompanhamento contínuo, orientação, monitoramento e reforço das estratégias para interromper o consumo de tabaco.

Tabagismo está associado a mais de 50 doenças

O tabagismo é considerado uma doença crônica provocada pela dependência à nicotina e está associado a mais de 50 doenças. Entre os problemas relacionados ao consumo de tabaco estão diferentes tipos de câncer, doenças cardiovasculares e doenças respiratórias.

No Brasil, o cigarro está relacionado a aproximadamente 90% das mortes por câncer de pulmão, conforme os dados apresentados no material do Ministério da Saúde. A exposição ao tabaco também está associada a mortes prematuras e ao desenvolvimento de outras doenças crônicas.

O enfrentamento do tabagismo no país inclui políticas alinhadas à Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco da Organização Mundial da Saúde (CQCT/OMS). Entre as medidas adotadas estão a proibição da publicidade de produtos de tabaco, a restrição do fumo em ambientes coletivos fechados e a utilização de advertências sanitárias nas embalagens.


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