A utilização de ferramentas de inteligência artificial, redes sociais e aplicativos para buscar orientações sobre tratamentos estéticos e medicamentos pode apresentar riscos quando substitui a avaliação de um profissional de saúde. O alerta é do médico Octávio Guarçoni, que chama atenção para a necessidade de considerar características individuais antes de definir procedimentos, medicamentos ou protocolos voltados à estética e ao emagrecimento.
Segundo o texto de origem, cerca de 7% das buscas diárias no Google estão relacionadas à saúde, o que corresponderia a aproximadamente 70 mil pesquisas por minuto. A popularização de ferramentas de inteligência artificial generativa também ampliou o acesso a respostas automatizadas sobre sintomas, medicamentos, aparência e tratamentos.
O material cita ainda um estudo publicado na National Library of Medicine (NLM) sobre automedicação com medicamentos para perda de peso. De acordo com os dados apresentados no conteúdo, 53% dos entrevistados afirmaram utilizar medicamentos para emagrecimento sem consultar um profissional de saúde, enquanto 68% disseram ter sido influenciados pelas redes sociais nesse tipo de decisão.
Recomendações automatizadas não substituem avaliação médica
Para Octávio Guarçoni, a medicina estética não pode ser estruturada a partir de protocolos padronizados ou recomendações automáticas. Segundo o médico, uma indicação precisa considerar aspectos como idade, histórico clínico, medicamentos em uso, qualidade da pele, estrutura facial e expectativas do paciente.
A avaliação individualizada também é necessária para identificar a origem da queixa apresentada. Uma alteração na aparência facial, por exemplo, pode estar relacionada a diferentes fatores, como flacidez, perda de colágeno ou alterações decorrentes de emagrecimento.
Nesse cenário, uma recomendação automatizada pode apontar determinado procedimento sem necessariamente identificar a causa do problema. O tratamento de uma condição diferente daquela que efetivamente provoca a queixa pode resultar em uma abordagem inadequada ao perfil do paciente, segundo o especialista.
Redes sociais ampliam procura por medicamentos e procedimentos
O médico também chama atenção para a influência das redes sociais na procura por tratamentos. A popularização de medicamentos para emagrecimento e procedimentos estéticos pode estimular pacientes a buscar soluções utilizadas por influenciadores ou celebridades sem avaliação das próprias condições clínicas.
Entre os medicamentos citados no material estão Ozempic, Wegovy e Mounjaro, utilizados em diferentes indicações conforme seus princípios ativos, apresentações e regulamentações. A decisão sobre o uso dessas substâncias deve considerar indicação médica, histórico do paciente e acompanhamento profissional.
Guarçoni recomenda que o paciente desconfie de conteúdos que prometam resultados imediatos, transformações padronizadas ou protocolos universais. Segundo ele, a escolha de um tratamento não deve ser baseada exclusivamente na experiência divulgada por outra pessoa nas redes sociais.
Emagrecimento exige investigação individual
No caso dos tratamentos para perda de peso, o especialista afirma que a escolha de medicamentos não deve ocorrer apenas porque determinada substância foi utilizada por um influenciador. O quadro clínico de cada pessoa pode demandar estratégias diferentes.
Segundo o médico, determinados pacientes podem precisar de reeducação alimentar, investigação hormonal ou outras abordagens terapêuticas, dependendo das causas e características relacionadas ao ganho de peso. Dessa forma, o tratamento deve ser estabelecido a partir de avaliação profissional.
A automedicação também pode aumentar o risco de efeitos adversos e interações medicamentosas. Além disso, utilizar um medicamento sem indicação adequada pode atrasar a investigação de condições que exigem outro tipo de tratamento.
IA pode informar, mas não deve definir tratamento
Ferramentas de inteligência artificial generativa podem apresentar informações gerais sobre saúde e estética, mas as respostas produzidas por sistemas automatizados não equivalem a uma consulta médica. Chatbots não realizam exame físico, não acompanham integralmente o histórico clínico e podem não dispor de informações necessárias para uma decisão terapêutica individualizada.
Guarçoni orienta os pacientes a verificar se informações sobre tratamentos são produzidas por profissionais habilitados e a evitar medicamentos ou protocolos indicados exclusivamente por tendências de redes sociais, aplicativos ou ferramentas de IA.
O médico também destaca que decisões baseadas em recomendações automatizadas podem, em determinadas situações, mascarar doenças dermatológicas, agravar problemas de pele ou levar à realização de procedimentos incompatíveis com as características do paciente.
Características individuais devem orientar procedimentos estéticos
Antes de qualquer indicação estética ou terapêutica, a avaliação deve considerar fatores como idade, histórico de doenças, medicamentos utilizados, qualidade da pele, estrutura facial e expectativas individuais. Esses elementos podem modificar a indicação, a técnica e até a necessidade de determinado procedimento.
O princípio também se aplica às intervenções voltadas ao contorno facial. Uma queixa relacionada à aparência cansada, por exemplo, pode ter diferentes causas e não necessariamente será solucionada com preenchimento.
Para o especialista, identificar a origem da queixa antes de estabelecer a conduta é uma das etapas necessárias para buscar resultados compatíveis com as características individuais. A tecnologia pode auxiliar na busca inicial por informações, mas não substitui a avaliação profissional necessária para diagnóstico e definição de tratamento.


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