O artista mineiro Ricardo Homen apresenta sua primeira exposição individual na Bahia a partir de quinta-feira (20/08/2026), na Alban Galeria, em Ondina, Salvador. Intitulada “Beira Mar – Linhas Abertas”, a mostra reúne cerca de 40 obras, entre pinturas sobre tela e pinturas-objeto produzidas nos últimos anos.
A abertura está marcada para 19h30 e integra uma trajetória de mais de três décadas dedicada à pintura e ao desenho. A pesquisa de Homen é estruturada pelo uso de cores, formas geométricas, materialidade da pintura e organização espacial, elementos que orientam a construção das obras apresentadas na exposição.
Natural de Belo Horizonte (MG) e nascido em 1961, Homen frequentou o curso de artes plásticas da Escola Guignard na década de 1980. Ao longo da carreira, participou de exposições em instituições e espaços culturais de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Salvador, Porto Alegre, Recife e Ouro Preto.
Geometria, cor e espaço orientam pesquisa
A produção de Ricardo Homen dialoga com a tradição da abstração geométrica, mas incorpora procedimentos baseados na percepção, na construção manual e na relação entre diferentes elementos pictóricos. Planos de cor, superfícies monocromáticas, contrastes cromáticos, listras, faixas, quadrados e retângulos integram suas composições.
Segundo o artista, a geometria é construída a partir do encontro entre formas e encaixes, em um processo que não segue exclusivamente uma lógica matemática. A organização dos elementos ocorre de maneira intuitiva, permitindo que a estrutura geométrica seja modificada durante o desenvolvimento de cada trabalho.
O pesquisador e curador José Augusto Ribeiro, responsável pelo texto crítico da exposição, identifica na produção de Homen uma combinação entre construção e intuição. Essa característica está relacionada à maneira como o artista utiliza estruturas geométricas sem restringir as possibilidades de interpretação das obras.
Pinturas-objeto ampliam relação com o espaço
Na pesquisa desenvolvida por Homen, algumas obras deixam a superfície tradicional da tela e assumem características de pinturas-objeto. Essas peças podem ser apresentadas individualmente ou agrupadas para formar instalações, estabelecendo uma relação direta entre a obra, o ambiente e o percurso do visitante.
O artista afirma que as pinturas-objeto surgiram de situações decorrentes da própria prática pictórica. A geometria, nesse contexto, passa a incorporar volume e presença física, além de considerar a maneira como cada trabalho pode ser instalado no espaço expositivo.
A exposição também apresenta trabalhos nos quais as formas geométricas podem adquirir interpretações figurativas no imaginário do observador. Homen menciona denominações como “abismos”, “bico de pássaro”, “bastão” e “lápis de cor”, atribuídas às obras a partir das associações produzidas durante a observação.
Cor ocupa papel central na exposição
O uso da cor ganhou maior importância no desenvolvimento recente da pesquisa do artista. As áreas cromáticas são organizadas para estabelecer relações entre tonalidades, superfícies e estruturas geométricas, mantendo a materialidade da pintura como parte do processo de construção.
Homen descreve esse procedimento como um contato direto com a pintura, no qual as massas de cor podem produzir diferentes percepções no observador. A relação entre cor e forma também permite que as obras apresentem interpretações que ultrapassam a organização geométrica inicial.
Na exposição “Beira Mar – Linhas Abertas”, esse conjunto de procedimentos aparece em trabalhos de diferentes escalas. A seleção reúne obras produzidas nos últimos anos e apresenta etapas recentes da pesquisa desenvolvida pelo artista.
Primeira individual na Bahia reúne produção recente
A realização da mostra em Salvador representa a primeira exposição individual de Ricardo Homen na Bahia. Para o artista, a apresentação do trabalho no estado estabelece uma relação com referências culturais e artísticas associadas à produção brasileira, tanto no campo erudito quanto no popular.
Homen estabelece relações entre sua trajetória em Minas Gerais e aspectos da produção cultural baiana. Em sua interpretação, a paisagem mineira, marcada pelo relevo montanhoso, contrasta com referências relacionadas ao litoral e à produção cultural desenvolvida na Bahia.
O artista também cita nomes e movimentos da cultura brasileira, entre eles Dorival Caymmi, João Gilberto, Glauber Rocha, os tropicalistas, o Clube da Esquina e Amílcar de Castro, como referências que integram diferentes matrizes de sua pesquisa artística.
Trajetória inclui exposições em diferentes estados
A formação de Ricardo Homen está relacionada à Escola Guignard, instituição de ensino artístico de Belo Horizonte. A partir da década de 1980, o artista passou a desenvolver uma produção concentrada principalmente na pintura, com uso de formas simplificadas e estruturas geométricas.
Entre os registros de sua trajetória está a participação em “Panorama do Desenho Atual”, realizada em 1990 no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP) e no Centro Cultural São Paulo. A mostra também teve edições posteriores em 1997 e 2003.
Em 1991, Homen participou da mostra “BR/80 – Pintura Brasil Década de 80”, no Instituto Itaú Cultural, em Belo Horizonte. Também integrou exposições no Museu de Arte da Pampulha, em Belo Horizonte, e participou de projetos como “Tangenciando Amilcar, Diálogos”, em Porto Alegre, em 2002.
Exposições recentes ampliam percurso do artista
Em 2009, Ricardo Homen apresentou “Geometria Impura”, exposição realizada no Centro Cultural Hélio Oiticica, no Rio de Janeiro, no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM Salvador), no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, e em Recife.
O artista também participou da exposição “Anos 80 nos 80 anos”, da Fundação Escola Guignard, em Belo Horizonte. Em 2025, integrou uma mostra no Museu da Inconfidência, em Ouro Preto.
A trajetória inclui exposições individuais e coletivas em diferentes cidades brasileiras, consolidando uma pesquisa que permanece concentrada na relação entre pintura, desenho, geometria, cor, volume e espaço.


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