Antes do diploma: estudantes da UNEX Feira de Santana já constroem carreiras em tecnologia no Brasil e no exterior

Estudantes de Sistemas de Informação da UNEX Feira de Santana estão ingressando no mercado de tecnologia antes mesmo da conclusão da graduação. As trajetórias de Luan Miranda, João Magalhães e Luana Bezerra de Almeida mostram diferentes caminhos de entrada no setor, com experiências na administração pública, em empresas multinacionais e em uma organização estrangeira.

O cenário profissional acompanha a expansão do setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) no Brasil. Segundo a Brasscom, o macrossetor encerrou 2025 com 2,125 milhões de empregos formais, após a criação de 31,3 mil postos no ano.

Levantamento da Brasscom realizado em parceria com a Fundação Telefônica Vivo apontou ainda que 82% das empresas de tecnologia pesquisadas planejavam ampliar suas equipes nos dois anos seguintes. Entre essas empresas, 46% pretendiam contratar profissionais em início de carreira, como estagiários, aprendizes e trabalhadores juniores.

Estágio e experiência profissional abrem caminhos

É nesse contexto que os estudantes da UNEX buscam construir experiência ainda durante a graduação. Estágio, indicação acadêmica, participação em projetos, networking e comunidades profissionais aparecem entre os caminhos utilizados para aproximar os universitários das demandas do mercado.

Luan Miranda, estudante de Sistemas de Informação, atualmente atua no Núcleo de Tecnologia Educacional da Secretaria de Educação da Prefeitura de Feira de Santana. Sua primeira experiência no setor público ocorreu em 2025, na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), por meio do programa Partiu Estágio.

Durante um ano, Luan teve contato com processos e rotinas relacionados principalmente à área da educação. Com o encerramento do contrato, uma conexão estabelecida durante a experiência profissional contribuiu para sua chegada ao Núcleo de Tecnologia Educacional, depois que um colega que conhecia seu trabalho apresentou seu perfil à equipe.

Luan amplia experiência com tecnologia na gestão pública

A atuação atual permite ao estudante acompanhar como recursos tecnológicos são utilizados em processos de uma organização pública e no setor educacional. A experiência também possibilita a aplicação prática de conhecimentos desenvolvidos no curso.

“Meus colegas de trabalho são bastante experientes e alguns deles também são professores. Sempre que tenho dúvidas acadêmicas ou sobre caminhos que posso seguir futuramente, converso com eles, e isso enriquece bastante minhas ideias e amplia as possibilidades que posso traçar”, afirma Luan.

A aproximação entre tecnologia e educação também faz parte de iniciativas recentes em Feira de Santana. Em abril de 2026, a Secretaria Municipal de Educação promoveu formação tecnológica para professores, com orientações sobre o uso de plataforma digital educacional e integração de recursos tecnológicos às práticas pedagógicas.

De Jovem Aprendiz na Nestlé à atuação em empresa do grupo Saint-Gobain

A trajetória de João Magalhães começou por outro caminho. Ainda no início da carreira, o estudante foi indicado pelo coordenador do curso de Sistemas de Informação para uma oportunidade como Jovem Aprendiz na Nestlé.

Durante o período na empresa, João participou de projetos apresentados em âmbito nacional e internacional. A experiência permitiu aplicar conhecimentos desenvolvidos durante a graduação em situações relacionadas ao ambiente corporativo.

Atualmente, o estudante trabalha com tecnologia na Placo Saint-Gobain, empresa integrante do grupo francês Saint-Gobain. Para João, a graduação contribuiu tanto para o conhecimento técnico quanto para o desenvolvimento de competências relacionadas à comunicação.

Extensão universitária também integra formação profissional

“Minha formação na UNEX contribuiu para que eu pudesse aplicar meus conhecimentos do curso em projetos reais na empresa, além de ter melhorado minha comunicação ao participar de atividades de extensão e ações sociais promovidas pela faculdade”, relata João.

O estudante também destaca a importância das atividades realizadas além da sala de aula. Projetos de extensão e experiências complementares podem aproximar o universitário de novas redes profissionais e oportunidades de trabalho.

“É muito importante participar de atividades de extensão, pois as oportunidades surgem quando a gente menos espera”, afirma.

Aos 22 anos, Luana trabalha para empresa estrangeira

Luana Bezerra de Almeida, aos 22 anos e ainda durante a graduação, trabalha com tecnologia para uma empresa do exterior. Diferentemente de Luan e João, sua oportunidade surgiu por meio de uma comunidade profissional voltada à segurança da informação.

A estudante encontrou a vaga em um grupo especializado no tema no WhatsApp. Depois de entrar em contato com o recrutador, participou das etapas do processo seletivo. Experiências anteriores com produtos da Fortinet e sua vivência corporativa contribuíram para a contratação, segundo o relato apresentado pela estudante.

A preparação para o mercado, porém, começou nos primeiros semestres do curso. Luana participou de trabalhos e apresentações acadêmicas e conquistou um estágio já no segundo semestre da graduação.

Formação técnica exige atualização contínua

“Ser jogada no mundo ‘dos adultos’, experienciando como estagiária, foi um desafio que eu amei viver, e isso tudo foi graças à faculdade”, conta Luana.

Para a estudante, a evolução profissional exige continuidade no aprendizado. O avanço das tecnologias amplia a necessidade de atualização técnica e adaptação às novas ferramentas e processos.

“Os desafios técnicos vão aumentando com o passar do tempo e, em relação a isso, o que eu posso dizer é que não se deve parar de estudar”, afirma.

Mercado brasileiro de TI movimentou US$ 67,8 bilhões em 2025

As experiências dos estudantes ocorrem em um mercado que registrou expansão em 2025. Estudo da Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES), com dados da IDC, aponta que o mercado brasileiro de Tecnologia da Informação movimentou US$ 67,8 bilhões em 2025, crescimento de 18,5% em relação aos US$ 58,6 bilhões registrados em 2024.

O Brasil manteve a 10ª posição mundial em investimentos em TI e permaneceu como líder na América Latina, com 38,4% de participação nos investimentos regionais em 2025. Para 2026, a projeção apresentada pela ABES indica crescimento de 5,3%, abaixo do resultado registrado no ano anterior.

O estudo também aponta a inteligência artificial, computação em nuvem e serviços como componentes importantes da próxima fase do mercado brasileiro de tecnologia. A segurança cibernética permanece entre as áreas prioritárias para empresas do setor.

Demanda por profissionais supera oferta em determinadas áreas

Outro indicador citado no material da UNEX é o descompasso entre a demanda e a oferta de profissionais de tecnologia. O levantamento da Brasscom aponta que, entre 2019 e 2024, o mercado demandou 665.403 profissionais, enquanto o número de formados considerado no estudo chegou a 464.569 entre 2018 e 2023.

A entidade também identifica desenvolvimento de sistemas como uma das principais concentrações de profissionais de TI. Dados mais recentes apontam que 58,8% dos profissionais de TI estão nessa área, enquanto o setor mantém perspectivas de investimentos expressivos em nuvem, inteligência artificial e data centers.

Nesse ambiente, competências técnicas precisam ser acompanhadas por habilidades relacionadas à comunicação, trabalho em equipe, planejamento e capacidade de aprendizado contínuo.

Professor destaca importância de experiências práticas

Para o professor Alex Coelho, docente da UNEX e diretor de Tecnologia da Prefeitura de Feira de Santana, o mercado procura estudantes que apresentem, além do conhecimento técnico, comprometimento, responsabilidade, disposição para aprender e capacidade de trabalhar em equipe.

Segundo ele, a participação em projetos de extensão, pesquisa, eventos, certificações e atividades práticas contribui para a preparação profissional dos estudantes.

Nos projetos realizados em ambientes profissionais, os alunos entram em contato antecipadamente com prazos, processos, demandas reais e equipes multidisciplinares. Para Alex, essas experiências contribuem para o desenvolvimento de competências técnicas e comportamentais.

Universidade estimula contato com o mercado desde os primeiros semestres

O professor Rafael Brasil, coordenador do curso de Sistemas de Informação da UNEX Feira de Santana, afirma que a formação universitária deve combinar conhecimento acadêmico e contato progressivo com o ambiente profissional.

“Nosso papel enquanto instituição de ensino é preparar o estudante não apenas para concluir uma graduação, mas para se inserir e se desenvolver no mercado de trabalho. Por isso, incentivamos desde os primeiros semestres a participação em estágios, projetos de extensão, ações sociais, eventos e outras experiências que permitam colocar em prática aquilo que é aprendido em sala de aula”, afirma.

As trajetórias de Luan, João e Luana mostram que não existe uma única porta de entrada para o mercado de tecnologia. A oportunidade pode surgir por meio de um estágio, de uma indicação construída na universidade ou de uma comunidade profissional especializada.

Carreira começa antes da conclusão da graduação

A experiência acumulada durante a formação permite que os estudantes construam repertório profissional antes da obtenção do diploma. No caso dos três alunos apresentados, os caminhos incluem gestão pública, multinacional, empresa integrante de grupo internacional e trabalho para organização estrangeira.

O mercado de TI segue em transformação, com avanços em inteligência artificial, dados, computação em nuvem, cibersegurança e transformação digital. Ao mesmo tempo, os dados setoriais indicam demanda por profissionais qualificados e oportunidades para quem está iniciando a carreira.

Nesse contexto, o diploma permanece como parte da formação acadêmica, mas as experiências relatadas pelos estudantes mostram que a construção da carreira profissional pode começar durante a graduação, por meio da combinação entre conhecimento, prática, relacionamento profissional e atualização contínua.


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