As terapias imunobiológicas ampliaram as alternativas de tratamento para pacientes com doenças autoimunes, inflamatórias e imunomediadas. Produzidos por processos biotecnológicos, esses medicamentos atuam sobre moléculas ou células envolvidas na resposta imunológica e podem ser utilizados quando há indicação médica específica, especialmente em casos de atividade moderada ou grave da doença ou quando tratamentos convencionais não apresentam resposta adequada.
Segundo a reumatologista Ana Teresa Amoedo, diretora da Novaimuno, clínica integrante do Grupo CITA em Salvador, os imunobiológicos passaram a integrar o tratamento de diferentes enfermidades reumatológicas e imunomediadas. Entre as condições citadas estão artrite reumatoide, espondiloartrites, artrite psoriásica, algumas situações de lúpus, vasculites e outras doenças inflamatórias crônicas.
A médica explica que os medicamentos podem bloquear substâncias envolvidas no processo inflamatório ou modificar determinadas respostas do sistema imunológico. O objetivo terapêutico é reduzir a atividade da doença, controlar sintomas e preservar funções afetadas, conforme a condição clínica e a resposta individual ao tratamento.
Indicação depende de avaliação médica e acompanhamento
O uso de imunobiológicos exige avaliação individualizada antes do início da terapia. Segundo Ana Teresa Amoedo, a investigação inclui exames para identificar infecções, avaliação clínica e atualização do calendário vacinal, entre outras medidas definidas de acordo com o medicamento e a doença tratada.
O acompanhamento permanece durante todo o tratamento. A avaliação periódica permite verificar a resposta terapêutica e possíveis efeitos adversos, além de definir a continuidade, alteração ou interrupção da terapia quando houver indicação clínica.
A necessidade de monitoramento está relacionada ao próprio mecanismo de ação desses medicamentos. Como algumas terapias interferem na resposta imunológica, a avaliação de riscos infecciosos e outras condições clínicas faz parte do planejamento terapêutico.
Imunobiológicos estão disponíveis para algumas doenças no SUS
Parte dos medicamentos utilizados em doenças autoimunes e inflamatórias é disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) por meio do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (CEAF). O Ministério da Saúde informa que o programa contempla condições de maior complexidade, incluindo doenças autoimunes, artrite reumatoide, doenças inflamatórias intestinais e formas graves de psoríase, entre outras.
A oferta pública, porém, não ocorre automaticamente após uma prescrição médica. O acesso depende do enquadramento nos critérios estabelecidos pelo respectivo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT), além da apresentação da documentação e dos exames previstos para cada condição.
Os PCDTs estabelecem critérios de diagnóstico, tratamento, medicamentos indicados, mecanismos de acompanhamento e avaliação dos resultados terapêuticos. Segundo o Ministério da Saúde, esses documentos são elaborados com base em evidências científicas e consideram critérios como eficácia, segurança, efetividade e custo-efetividade.
Critérios do SUS variam conforme a doença
Cada doença possui regras próprias para acesso aos medicamentos. Os critérios podem envolver diagnóstico confirmado, gravidade ou atividade da enfermidade, tratamentos anteriores, resultados de exames e características clínicas do paciente. A existência de um imunobiológico no SUS, portanto, não significa que ele esteja indicado para todos os pacientes com determinada doença.
O Ministério da Saúde mantém uma relação de protocolos que inclui, entre outras condições, artrite reumatoide e artrite psoriásica, com atualizações recentes nos respectivos documentos.
Quando o paciente atende aos critérios definidos no protocolo, a solicitação segue os procedimentos da rede pública responsável pela assistência farmacêutica. O fornecimento depende da análise e do cumprimento das exigências estabelecidas para cada tratamento.
Tratamento exige avaliação de riscos e benefícios
A indicação de uma terapia imunobiológica deve considerar diagnóstico, atividade da doença, tratamentos anteriores, condições clínicas associadas e riscos relacionados à imunomodulação. Por isso, a escolha do medicamento não deve ser feita exclusivamente com base na disponibilidade ou na expectativa de maior eficácia.
O acompanhamento especializado também permite avaliar se o medicamento está atingindo o objetivo terapêutico previsto. Caso a resposta seja insuficiente ou ocorram efeitos adversos relevantes, o médico pode reavaliar a estratégia de tratamento.
O Ministério da Saúde destaca que os medicamentos do CEAF são vinculados a protocolos nacionais e têm como característica o acompanhamento clínico contínuo e a padronização dos critérios de acesso.
Salvador possui serviço especializado em terapias imunobiológicas
Em Salvador, a Novaimuno, localizada no bairro da Pituba, atua na administração de terapias imunobiológicas e outros tratamentos destinados a pacientes com doenças imunomediadas, conforme as informações fornecidas pela clínica.
A unidade integra o Grupo CITA – Centros Integrados de Terapia Assistida, que mantém unidades em Salvador e São Paulo e atua nas áreas de Reumatologia, Dermatologia, Neurologia, Gastroenterologia e Alergologia, de acordo com as informações institucionais apresentadas no material.
A atuação de serviços especializados ocorre em um cenário de expansão das terapias biológicas e de necessidade de acompanhamento clínico para pacientes com doenças crônicas. Na Bahia, a rede pública também possui iniciativas relacionadas ao atendimento de doenças autoimunes. Em 2024, a Santa Casa de Feira de Santana inaugurou um ambulatório especializado para doenças reumatológicas pelo SUS, contemplando condições como lúpus, artrite reumatoide, espondiloartrite, síndrome de Sjögren e vasculites.
Produção de medicamentos biológicos também avança na Bahia
A discussão sobre terapias biológicas envolve ainda a capacidade de produção nacional. Em fevereiro de 2026, a Bahiafarma participou de acordos de transferência de tecnologia para produção de medicamentos biológicos destinados ao SUS, incluindo o eculizumabe, utilizado no tratamento de uma doença rara.
Em março, a Secretaria da Saúde da Bahia informou que a estratégia de produção nacional de medicamentos biológicos inclui parcerias com empresas do setor e transferência de tecnologia. A política está relacionada à ampliação da capacidade brasileira de fabricação de medicamentos de alta complexidade e à redução da dependência de produtos importados.
Para pacientes com doenças autoimunes, a disponibilidade de novas terapias representa uma ampliação das possibilidades terapêuticas, mas o tratamento continua condicionado à avaliação médica, indicação clínica, acompanhamento especializado e, no caso do SUS, aos critérios estabelecidos nos protocolos oficiais. A definição do medicamento adequado deve considerar as características de cada paciente e as evidências disponíveis para sua condição.
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