Um novo medicamento de profilaxia pré-exposição (PrEP) contra o HIV, administrado por via oral uma vez ao mês, está em fase 3 de desenvolvimento clínico e poderá ampliar as alternativas de prevenção à infecção pelo vírus. O alimatravir (MK-8527) ainda é investigacional e depende dos resultados dos estudos e de aprovação regulatória antes de eventual utilização comercial.
A estratégia de desenvolvimento inclui acordos voluntários de licenciamento com fabricantes de medicamentos genéricos para ampliar a capacidade de produção e distribuição em países de baixa e média renda. A MSD informou que os acordos abrangem 129 países.
No Brasil, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a MSD Brasil assinaram, em 28 de julho de 2026, um Memorando de Entendimentos para avaliar uma futura parceria relacionada ao medicamento. A eventual produção nacional está condicionada aos resultados dos estudos clínicos e à aprovação pelas autoridades regulatórias.
Como funciona a nova PrEP mensal contra o HIV
A PrEP é uma estratégia de prevenção destinada a pessoas que não vivem com HIV e que podem estar expostas ao vírus. O alimatravir pertence à classe dos inibidores de translocação da transcriptase reversa de nucleosídeos (NRTTI) e está sendo estudado especificamente para prevenção do HIV.
A principal diferença em relação à PrEP oral diária atualmente disponível é a frequência de administração. O novo medicamento foi desenvolvido para ser utilizado uma vez por mês, característica que pode reduzir a necessidade de lembrar diariamente da medicação.
A possibilidade de uma opção mensal, entretanto, não significa que o medicamento já esteja disponível para uso geral. O MK-8527 permanece em estudos clínicos de fase 3, etapa destinada a avaliar sua eficácia e segurança em grupos maiores de participantes. No Brasil, centros de pesquisa participam dos estudos.
Fiocruz e MSD avaliam produção nacional
O acordo firmado entre Fiocruz e MSD Brasil foi anunciado durante a 26ª Conferência Internacional de Aids, realizada no Rio de Janeiro. O memorando estabelece a avaliação de uma cooperação que poderá envolver transferência de tecnologia e fabricação nacional, caso o medicamento seja aprovado.
A iniciativa faz parte de uma estratégia de preparação antecipada para ampliar o acesso à tecnologia. A MSD também firmou acordos voluntários com fabricantes de genéricos para a produção e comercialização do alimatravir em países de baixa e média renda.
Entre os parceiros mencionados estão a Aspen Pharmacare, na África do Sul; a Quality Chemicals Industries, em Uganda; e a Universal Corporation, no Quênia. A iniciativa busca estabelecer capacidade produtiva antes de uma eventual aprovação do medicamento.
Acesso e preço são desafios para prevenção do HIV
Para o UNAIDS, a disponibilidade de novas tecnologias de prevenção dependerá não apenas da eficácia e aprovação dos medicamentos, mas também da capacidade de garantir preços acessíveis, produção em escala e distribuição rápida nos países com maior necessidade.
Dados citados pela agência indicam que aproximadamente 1,2 milhão de pessoas adquiriram HIV em 2025, enquanto cerca de 570 mil morreram por causas relacionadas à Aids. Entre adolescentes e mulheres jovens da África Subsaariana, a transmissão permanece particularmente relevante, com milhares de novas infecções registradas semanalmente.
A ampliação do acesso a métodos de prevenção de longa duração é considerada parte das estratégias internacionais para alcançar a meta de eliminar a Aids como ameaça à saúde pública até 2030. A política global combina diferentes modalidades de PrEP, incluindo opções orais diárias, medicamentos injetáveis de longa duração e, futuramente, alternativas orais mensais.
Brasil amplia opções de prevenção ao HIV
O Brasil participa dos estudos clínicos do alimatravir e avalia alternativas de prevenção de longa duração. Em julho de 2026, o Ministério da Saúde também anunciou medidas relacionadas à incorporação de cabotegravir de longa duração, administrado por injeção, ao programa de PrEP do Sistema Único de Saúde (SUS), conforme informações divulgadas durante a Conferência Internacional de Aids.
O cenário coloca diferentes tecnologias de prevenção em desenvolvimento ou expansão no país. A existência de alternativas com diferentes intervalos de administração pode permitir que programas de saúde pública ofereçam métodos adequados a diferentes perfis de usuários, desde que haja aprovação regulatória, financiamento e disponibilidade.
No caso do alimatravir, ainda não há autorização para uso comercial. O medicamento precisa concluir os estudos clínicos e, posteriormente, passar pela avaliação regulatória correspondente no Brasil. Portanto, qualquer previsão de incorporação ao SUS depende de etapas que ainda não foram concluídas.
Meta de 2030 depende de prevenção e acesso
A prevenção do HIV integra a estratégia internacional para reduzir novas infecções e mortes relacionadas à Aids. A oferta de métodos de longa duração é apontada como uma das frentes para ampliar a adesão às medidas preventivas.
Para que uma eventual aprovação do MK-8527 resulte em impacto populacional, será necessário combinar evidências clínicas, aprovação regulatória, capacidade de produção, financiamento e políticas de distribuição. Os acordos firmados durante o desenvolvimento procuram antecipar parte dessa estrutura.
A experiência brasileira também coloca a produção nacional e a participação da Fiocruz como elementos relevantes na discussão sobre acesso a novas tecnologias de prevenção. No entanto, a eventual fabricação do alimatravir no país dependerá da conclusão dos estudos, da aprovação regulatória e da formalização das etapas de cooperação previstas no memorando.
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