Economia verde pode gerar 3,3 milhões de empregos na África até 2030

A economia verde poderá gerar mais de 3,3 milhões de empregos na África até 2030, desde que os investimentos em qualificação profissional acompanhem a expansão dos setores sustentáveis. A avaliação foi divulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU) na segunda-feira (04/08/2026), em reportagem baseada em artigo da especialista Veronica Masubo. O documento ressalta que o continente enfrenta um período decisivo para transformar seu potencial demográfico em crescimento econômico sustentável.

Com a população mais jovem do mundo, a África deverá concentrar cerca de 850 milhões de jovens até 2050, tornando-se uma das maiores reservas globais de capital humano. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o desafio consiste em ampliar a criação de empregos formais, aumentar a produtividade e reduzir a informalidade.

O relatório destaca que a combinação entre economia verde, transformação digital, inteligência artificial e fortalecimento de setores produtivos pode ampliar as oportunidades econômicas e contribuir para o desenvolvimento sustentável dos países africanos.

População jovem amplia desafio para geração de empregos

De acordo com a OIT, entre 10 milhões e 12 milhões de jovens ingressam anualmente no mercado de trabalho africano, enquanto aproximadamente 3 milhões de empregos formais são criados no mesmo período.

Essa diferença faz com que milhões de trabalhadores permaneçam desempregados ou ocupem atividades informais e de baixa produtividade. Segundo a ONU, esse cenário representa um dos principais desafios para o desenvolvimento econômico do continente nas próximas décadas.

A projeção de aproximadamente 850 milhões de jovens até 2050 reforça a necessidade de políticas públicas voltadas para educação, qualificação profissional, inovação e ampliação da capacidade produtiva das economias africanas.

Economia verde e inovação são apontadas como motores do crescimento

O estudo destaca que a economia verde desponta como um dos principais setores capazes de ampliar a geração de empregos, especialmente nas áreas de energia renovável, infraestrutura sustentável e tecnologias ambientais.

Entre os exemplos apresentados está a expansão da instalação de sistemas de energia solar, que demanda mão de obra qualificada e amplia oportunidades em diferentes segmentos da cadeia produtiva.

Além disso, a ONU observa que as tecnologias digitais e a inteligência artificial também criam novas possibilidades para o desenvolvimento de setores inovadores, favorecendo o surgimento de novos negócios e oportunidades econômicas.

Economia criativa também contribui para o desenvolvimento

Outro setor citado como estratégico é a economia criativa, que, segundo dados da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), movimenta aproximadamente US$ 60 bilhões por ano no continente africano.

O relatório ressalta que governos, pesquisadores e organismos internacionais vêm concentrando esforços na criação de indústrias mais competitivas, ampliação do acesso ao financiamento e fortalecimento dos mercados regionais.

Essas iniciativas são consideradas complementares às estratégias voltadas para a economia sustentável e para a diversificação das atividades produtivas.

Implementação de políticas será decisiva para o aproveitamento do potencial demográfico

Segundo a análise apresentada pela ONU, o aproveitamento do chamado dividendo demográfico africano dependerá menos da formulação de novas políticas e mais da capacidade de implementá-las de forma coordenada.

O documento afirma que, caso os países africanos consigam integrar investimentos em qualificação profissional, geração de empregos, fortalecimento institucional e desenvolvimento industrial, será possível ampliar a competitividade econômica e reduzir desigualdades sociais.

A organização também alerta que, sem aumento da produtividade e da formalização do mercado de trabalho, o desemprego, a desigualdade e a instabilidade social poderão comprometer o desenvolvimento sustentável do continente.

A publicação conclui que a economia verde, aliada à inovação tecnológica e ao fortalecimento das instituições, representa uma oportunidade para ampliar a geração de empregos formais e responder ao crescimento da população jovem africana nas próximas décadas.


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