Na terça-feira (29/07/2026), a Comissão Econômica e Social das Nações Unidas para a Ásia e o Pacífico (Escap) alertou que a falta de competências digitais pode excluir pessoas idosas do acesso a serviços essenciais, oportunidades de trabalho e participação plena na sociedade. O relatório ressalta que a rápida digitalização dos serviços públicos e privados exige políticas voltadas à inclusão tecnológica da população da terceira idade.
Segundo a ONU, as tecnologias digitais passaram a integrar atividades cotidianas, como o acesso a serviços governamentais, atendimento em saúde, operações financeiras e comunicação. Nesse contexto, a ausência de conhecimentos digitais aumenta o risco de exclusão social e amplia desigualdades entre diferentes grupos etários.
O organismo destaca que o desafio é ainda maior em uma região marcada por duas transformações simultâneas: o envelhecimento acelerado da população e a expansão da transformação digital em diversos setores da economia e da administração pública.
ONU projeta crescimento da população idosa e ampliação da divisão digital
A Escap estima que, até 2050, a população idosa da Ásia e do Pacífico deverá alcançar 996 milhões de pessoas, o equivalente a aproximadamente 20% da população da região. O crescimento desse grupo etário, aliado à expansão dos serviços digitais, tende a ampliar a necessidade de políticas públicas voltadas à inclusão tecnológica.
De acordo com o relatório, a divisão digital entre gerações pode se intensificar caso pessoas idosas permaneçam sem acesso à internet e sem oportunidades para desenvolver competências digitais.
A ONU observa que essa realidade é mais evidente em países em desenvolvimento, onde o acesso à internet entre pessoas mais velhas permanece reduzido, dificultando a utilização de plataformas digitais e serviços públicos disponibilizados exclusivamente pela internet.
Competências digitais tornam-se requisito para permanência no mercado de trabalho
O relatório destaca que ferramentas digitais estão presentes em praticamente todas as profissões, tornando o domínio dessas tecnologias cada vez mais necessário para trabalhadores de diferentes idades.
Segundo a Escap, a ausência de oportunidades de capacitação pode aumentar o risco de exclusão profissional entre trabalhadores mais velhos, especialmente em um cenário de crescimento da expectativa de vida e prolongamento da permanência no mercado de trabalho.
Uma pesquisa realizada pela comissão com pessoas idosas no Camboja, Índia, Quirguistão, Laos e Vietnã apontou que apenas 7,4% dos entrevistados participaram de cursos formais de alfabetização digital. O levantamento também mostrou que cerca de dois terços daqueles que desenvolveram competências digitais aprenderam com familiares, evidenciando o papel da convivência entre gerações na disseminação do conhecimento.
Aprendizagem entre gerações reduz barreiras tecnológicas
A ONU aponta que a aprendizagem intergeracional representa uma estratégia para reduzir a exclusão digital e fortalecer a participação das pessoas idosas na sociedade.
Entre os exemplos apresentados está a iniciativa dos Clubes Intergeracionais de Autoajuda, implementada no Vietnã, onde participantes de diferentes faixas etárias desenvolvem competências práticas, incluindo alfabetização digital, por meio de atividades coletivas.
Segundo a organização, esse modelo contribui para reduzir estereótipos relacionados ao envelhecimento, fortalecer vínculos comunitários e ampliar a autonomia da população idosa diante das transformações tecnológicas.
Serviços digitais devem ser desenvolvidos com foco na acessibilidade
Além da capacitação, a Escap defende que os serviços digitais sejam projetados considerando as necessidades da população idosa, com sistemas simplificados, interfaces intuitivas e processos de navegação acessíveis.
A comissão ressalta que a confiança no ambiente digital depende da existência de redes de apoio e espaços seguros de aprendizagem, permitindo que pessoas mais velhas utilizem novas tecnologias com maior segurança e autonomia.
Para a ONU, a combinação entre alfabetização digital, desenvolvimento de plataformas acessíveis e fortalecimento das relações entre gerações pode ampliar a inclusão social, facilitar o acesso a direitos e reduzir desigualdades em sociedades cada vez mais digitalizadas.
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