Melanina Acentuada celebra os 80 anos do Teatro Experimental do Negro com Leda Maria Martins, Elisa Larkin e Juão Nyn em Salvador

O Melanina Acentuada Festival realiza sua 8ª edição entre 28 de julho e 03 de agosto de 2026, em Salvador, reunindo mais de 30 artistas, pesquisadores, escritores e intelectuais para celebrar os 80 anos do Teatro Experimental do Negro (TEN), fundado por Abdias do Nascimento. A programação reúne espetáculos, lançamentos de livros, debates e encontros dedicados à dramaturgia negra, às narrativas afroindígenas e ao pensamento contemporâneo.

Idealizado pelo ator, autor e dramaturgo Aldri Anunciação, o festival chega aos 14 anos de trajetória consolidado como uma das principais iniciativas voltadas exclusivamente à dramaturgia negra no Brasil. A edição de 2026 presta homenagem ao legado do Teatro Experimental do Negro, criado em 1946 por Abdias do Nascimento, considerado um marco na valorização da presença negra nas artes cênicas brasileiras.

A programação reúne representantes do teatro, literatura, música, performance e pesquisa, promovendo o encontro entre diferentes gerações de artistas e intelectuais provenientes da Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Norte e de outros estados brasileiros.

Festival reúne nomes da literatura, teatro e pensamento negro

Entre os convidados estão a ensaísta e professora Leda Maria Martins, referência nos estudos sobre oralitura, performance, tempo espiralar e teatro negro, e a escritora, pesquisadora e ativista Elisa Larkin Nascimento, presidente do Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (Ipeafro) e viúva de Abdias do Nascimento.

Durante o festival, Leda Maria Martins lança o livro “A Fina Lâmina da Palavra”, publicado pela Editora Cabogó, reunindo reflexões sobre criação estética, memória e ancestralidade.

Elisa Larkin participa do lançamento do livro “Teatro Experimental do Negro: Testemunhos e Ressonâncias”, escrito em coautoria com Aldri Anunciação e Jessé Oliveira. A publicação revisita a história do Teatro Experimental do Negro e apresenta análises sobre sua influência na produção artística contemporânea.

Espetáculos abordam racismo, memória e narrativas afroindígenas

A programação inclui montagens reconhecidas da dramaturgia negra contemporânea. Entre elas está “MACACOS”, monólogo do ator e dramaturgo Clayton Nascimento, que aborda questões relacionadas ao racismo estrutural e às experiências da população negra no Brasil.

Outro destaque é “Namíbia, Não!”, texto de Aldri Anunciação, dirigido por Lázaro Ramos e com participação gravada de Wagner Moura. A montagem completa 15 anos desde sua estreia e permanece em circulação como uma das obras de referência da dramaturgia brasileira contemporânea.

A programação também apresenta “TYBYRA – Uma Tragédia Indígena Brasileira”, monólogo do escritor potiguara Juão Nyn, inspirado na história de Tybyra, indígena Tupinambá apontado como o primeiro caso documentado de violência motivada por LGBTfobia em território brasileiro.

Homenagem destaca legado de Abdias do Nascimento

Os 80 anos do Teatro Experimental do Negro também serão celebrados por meio do espetáculo “Abdias do Nascimento”, protagonizado por Lincoln Oliveira, ao lado de Paulo Guidelly e João Vitor Nascimento.

A montagem revisita os primeiros anos da trajetória de Abdias do Nascimento, destacando sua atuação como dramaturgo, artista plástico, intelectual, ativista e fundador do Teatro Experimental do Negro, iniciativa considerada um marco para a valorização da presença negra nas artes e na cultura brasileira.

Além dos espetáculos, o festival promove debates, encontros e lançamentos editoriais com pesquisadores e escritores como Guilherme Diniz, Jessé Oliveira, Eugênio Lima, Luciany Aparecida, Daniel Arcades, Sulivã Bispo e Johayne Hildefonso.

Juão Nyn destaca aproximação entre narrativas negras e indígenas

Entre as reflexões propostas nesta edição, o escritor e dramaturgo Juão Nyn destaca a aproximação entre as experiências históricas de povos indígenas e populações negras diante dos processos coloniais.

Segundo o autor, o festival busca ampliar o diálogo entre diferentes identidades e estimular espaços de participação para grupos historicamente sub-representados nas artes e na produção cultural.

A programação mantém como eixo central a valorização das produções afrodiaspóricas e afroindígenas, fortalecendo o intercâmbio entre artistas, pesquisadores e públicos de diferentes regiões do país.

Festival reforça circulação da dramaturgia negra no Brasil

Ao longo de 14 anos, o Melanina Acentuada Festival consolidou uma rede de circulação de espetáculos, pesquisas e intercâmbios dedicados à dramaturgia negra brasileira.

A edição de 2026 é apresentada pelo Ministério da Cultura, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, com patrocínio da Novelis, apoio do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) e recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, executada na Bahia pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia.

Com uma programação que integra teatro, literatura, música, debates e lançamentos editoriais, o festival reafirma o legado do Teatro Experimental do Negro e amplia o espaço para produções artísticas ligadas às narrativas negras e afroindígenas no cenário cultural brasileiro.


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