A 8ª edição do Melanina Acentuada Festival será realizada em Salvador entre entre 28 de julho e 03 de agosto de 2026, promovendo uma programação dedicada à dramaturgia negra brasileira. Neste ano, o festival presta homenagem aos 80 anos do Teatro Experimental do Negro (TEN), criado por Abdias do Nascimento em 1944, reunindo espetáculos, ações formativas, lançamentos de livros e encontros com artistas, pesquisadores e escritores.
Idealizado pelo dramaturgo, ator, diretor e produtor Aldri Anunciação, o festival ocupará diversos teatros e espaços culturais da capital baiana, entre eles o Goethe-Institut Salvador, Teatro Sesc Casa do Comércio, Teatro Jorge Amado, Teatro Martim Gonçalves e SESI Rio Vermelho.
Ao longo de sete dias, o público terá acesso a 23 atividades culturais, incluindo espetáculos teatrais, stand-up comedy, pocket show, oficinas, entrevistas públicas, leituras dramáticas, ateliês de ideias, compartilhamento de poéticas e lançamentos de livros, fortalecendo o intercâmbio entre artistas, pesquisadores, estudantes e comunidades.
Festival homenageia os 80 anos do Teatro Experimental do Negro
A edição de 2026 tem como tema central os 80 anos do Teatro Experimental do Negro (TEN), movimento criado por Abdias do Nascimento que marcou a história das artes cênicas brasileiras ao defender o protagonismo de artistas negros nos palcos e ampliar o debate sobre racismo, cultura e representatividade.
Segundo Aldri Anunciação, a homenagem busca refletir sobre a permanência das contribuições do TEN para a produção artística contemporânea.
“Ao celebrar os 80 anos do Teatro Experimental do Negro, o Melanina Acentuada reforça que o legado construído por Abdias do Nascimento permanece vivo nas práticas artísticas contemporâneas. Esta edição procura compreender como essas ideias seguem presentes nas dramaturgias, nas pesquisas, nos corpos em cena e na produção cultural afrodiaspórica”, afirma o idealizador do festival.
A programação também propõe reflexões sobre a continuidade dessas narrativas por meio de espetáculos, debates e ações formativas voltadas ao teatro negro brasileiro.
Programação reúne espetáculos nacionais e produções inéditas
Entre os destaques da programação estão o monólogo “TYBYRA – Uma Tragédia Indígena Brasileira”, protagonizado por Juão Nyn, o espetáculo “Black Machine”, a montagem “MACACOS”, de Clayton Nascimento, e a celebração dos 15 anos de “Namíbia, Não!”, de Aldri Anunciação.
A abertura do festival contará ainda com pocket show da banda Cabokaji, ampliando o diálogo entre música, teatro e ancestralidade afroindígena.
Também integram a programação o stand-up “De Férias com Koanza”, leituras dramáticas, entrevistas públicas, compartilhamentos de poéticas e cinco edições do Ateliê de Ideias, voltadas ao debate sobre dramaturgia, memória, pesquisa e produção cultural negra.
Narrativas afroindígenas ampliam temática da edição
Além da homenagem ao Teatro Experimental do Negro, a edição deste ano incorpora discussões sobre narrativas afroindígenas, ampliando o diálogo entre diferentes matrizes culturais brasileiras.
O espetáculo “TYBYRA – Uma Tragédia Indígena Brasileira”, de Juão Nyn, integra essa proposta ao abordar questões relacionadas à identidade indígena contemporânea.
Segundo Aldri Anunciação, a intenção é ampliar os espaços para autores e artistas que dialogam com diferentes perspectivas da produção cultural brasileira.
“Queremos que o Melanina possa reescrever as histórias que construíram a cidade, o país e a cultura por meio dos próprios autores”, destaca.
Festival promove debates, oficinas e lançamentos de livros
Além das apresentações teatrais, o festival oferece uma programação voltada à formação artística e à circulação do pensamento crítico.
Entre as atividades estão entrevistas públicas com Leda Maria Martins e Luciany Aparecida, além dos lançamentos de obras de Leda Maria Martins, Guilherme Diniz, Elisa Larkin, Jessé Oliveira e Aldri Anunciação.
Os Ateliês de Ideias abordarão temas relacionados ao legado do Teatro Experimental do Negro, às dramaturgias negras contemporâneas, à crítica teatral e às formas de produção cultural afrodiaspórica.
Evento reúne artistas de diferentes estados brasileiros
A programação contará com a participação de artistas, dramaturgos e pesquisadores de diferentes regiões do país.
Entre os convidados estão Eugênio Lima, Luciany Aparecida, Juão Nyn, Sulivã Bispo, Johayne Hildefonso, Daniel Arcades, Lincoln Oliveira, Paulo Henrique dos Santos, Fernando Lufer e Marina Esteves.
Segundo a organização, o festival acumula, ao longo de sua trajetória iniciada em 2012, a realização de mais de 40 espetáculos, consolidando-se como espaço de circulação da dramaturgia negra nacional.
A maior parte das atividades da programação será gratuita. Os espetáculos terão ingressos disponibilizados pela plataforma Sympla, enquanto parte da lotação será destinada a ações de acessibilidade e distribuição para estudantes da rede pública estadual.


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