Mercado global de luxo deve atingir US$ 142 bilhões em 2026 e amplia demanda por autenticidade nas passarelas, aponta executiva

A indústria global da moda de luxo projeta alcançar US$ 142 bilhões em receitas em 2026, de acordo com o relatório “Luxury Fashion – Worldwide”, da Statista. O crescimento ocorre em um cenário de mudanças nas estratégias das grifes internacionais, que passaram a priorizar identidade, autenticidade e aproximação com os consumidores em campanhas publicitárias, desfiles e ações de posicionamento de marca.

Além da expectativa de expansão do mercado, estimada em crescimento anual de 1,5%, o setor tem direcionado investimentos para fortalecer a experiência do cliente, ampliar a fidelização e estabelecer conexões entre as marcas e o público.

Segundo a diretora da Model Club Agency, Mônica Mota, essa transformação também alterou os critérios adotados por agências, diretores de casting e maisons de alta-costura, refletindo diretamente na seleção de modelos para campanhas e passarelas internacionais.

Mudanças no mercado alteram estratégias das marcas de luxo

De acordo com Mônica Mota, a indústria da alta-costura deixou de concentrar sua comunicação exclusivamente em padrões estéticos tradicionais e passou a valorizar perfis que expressem identidade, trajetória pessoal e representatividade.

Segundo a executiva, os diretores de casting buscam profissionais capazes de estabelecer identificação com o público, incorporando aspectos relacionados à história de vida, ancestralidade e autenticidade.

Na avaliação da empresária, essa mudança acompanha uma adaptação estratégica das marcas diante do comportamento de consumidores que valorizam experiências, propósito e maior identificação com os produtos e campanhas.

Brasil amplia presença nas passarelas internacionais

Nesse contexto, o Brasil tem ampliado sua participação como fornecedor de talentos para o mercado internacional da moda.

Segundo Mônica Mota, a diversidade cultural e étnica brasileira tem despertado o interesse de agências e grifes que procuram profissionais com diferentes perfis para campanhas e desfiles internacionais.

À frente da Model Club Agency, a executiva destaca nomes como Camille Vitória, Josefa Santos, Yasmin Cunha e Bruna Louise, que participaram de desfiles, campanhas e semanas de moda para marcas como Dior, Valentino e Ami Paris.

Mercado exige planejamento de carreira e posicionamento profissional

Para a diretora da agência, o mercado passou a exigir competências que vão além da preparação técnica para fotografia e passarela.

Segundo Mônica, os profissionais precisam compreender o posicionamento das marcas, desenvolver inteligência emocional e construir estratégias de carreira alinhadas às demandas da indústria global.

Na avaliação da executiva, essa mudança acompanha a necessidade das maisons de estabelecer vínculos mais consistentes com os consumidores, fortalecendo o reconhecimento das marcas e contribuindo para a geração de valor em toda a cadeia produtiva da moda.

Relatórios indicam perspectiva de crescimento para o setor

As projeções apresentadas pelo relatório Global Powers of Luxury 2026, da Deloitte, apontam que 67% dos executivos do segmento esperam receitas estáveis ou em crescimento, enquanto 70% projetam manter ou ampliar suas margens de lucro.

O levantamento indica ainda que empresas capazes de combinar tradição, posicionamento institucional e comunicação voltada à conexão com o consumidor tendem a manter desempenho positivo nos próximos anos.

Para Mônica Mota, esse movimento reforça a consolidação de um modelo em que a autenticidade deixa de ser apenas um atributo de comunicação e passa a integrar a estratégia econômica das empresas de alta-costura.


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