Dados apresentados, neste mês de abril de 2026, através do relatório “The New Order of the Luxury Consumer”, da Euromonitor International, indicam que o mercado de luxo brasileiro deve alcançar US$ 10 bilhões até o final de 2025, consolidando-se como um dos principais polos de crescimento global do setor. O estudo, divulgado durante a 15ª edição do LuxuryLab Global, aponta que o país se destaca pela combinação de resiliência econômica, mudança no comportamento do consumidor e adoção de tecnologias humanizadas, com projeção de expansão real de 24% nos próximos cinco anos.
O desempenho do mercado de luxo no Brasil ocorre em um contexto de instabilidade em economias maduras, o que reforça a posição do país como uma das fronteiras de crescimento do setor. Segundo a Euromonitor, o Brasil deverá se consolidar como o segundo maior mercado da América Latina e a 8ª economia de luxo com maior crescimento global até 2027.
Esse avanço não se limita a indicadores financeiros. O relatório aponta uma transformação estrutural no conceito de consumo de alto padrão, com a substituição do modelo tradicional baseado na posse por uma lógica orientada à experiência.
A mudança reflete um consumidor mais exigente e consciente, que busca valor agregado além do produto, priorizando elementos como tempo, significado e qualidade de vida.
Experiencialismo redefine o conceito de luxo
Transição do consumo material para experiências
O estudo identifica a ascensão do chamado “Experiencialismo”, tendência que redefine o luxo contemporâneo. Nesse modelo, o valor está associado à vivência e não à aquisição.
A expectativa é que o segmento de luxo experiencial registre crescimento de 31% até 2030, impulsionado por consumidores que priorizam jornadas personalizadas e memoráveis.
Segundo a análise da Euromonitor, o luxo passa a ser medido pela capacidade de gerar conexões emocionais e experiências únicas, substituindo a lógica de ostentação tradicional.
Bem-estar como principal vetor de consumo
Outro eixo central identificado no relatório é a consolidação do bem-estar (wellness) como prioridade de consumo. Dados indicam que 81% da população busca equilíbrio físico e mental, o que reposiciona o luxo como instrumento de longevidade e saúde preventiva.
Nesse contexto, emerge o conceito de “luxo holístico”, no qual o status está vinculado à qualidade de vida e não à acumulação de bens.
Além disso, o crescimento dos chamados “Third Spaces” (terceiros espaços) — ambientes que combinam arte, gastronomia e design — amplia o papel das marcas, que passam a atuar como criadoras de experiências completas e imersivas.
Tecnologia e humanização no centro da estratégia
Inteligência artificial como suporte, não substituição
A tecnologia é apontada como um dos pilares da evolução do setor, especialmente no uso de inteligência artificial para personalização. No entanto, o estudo ressalta que o diferencial competitivo permanece na interação humana.
De acordo com os dados, 51% dos consumidores de alto padrão ainda consideram o atendimento humano essencial para a experiência de luxo.
Nesse modelo, a tecnologia atua como um “facilitador invisível”, aprimorando a jornada do cliente sem substituir o contato pessoal.
Sustentabilidade e consumo consciente
O relatório também destaca a crescente relevância da sustentabilidade e da transparência como critérios de decisão. Entre os consumidores de alta renda, 42% afirmam que passaram a comprar menos, porém com maior qualidade.
Essa tendência reforça a exigência por práticas responsáveis e rastreabilidade na cadeia produtiva, elevando o padrão de exigência do mercado.
LuxuryLab Global como plataforma estratégica do setor
O LuxuryLab Global, que sediou a apresentação do estudo, consolida-se como o principal fórum de inteligência do mercado de luxo na América Latina. O evento reúne executivos, pesquisadores e lideranças do setor para discutir tendências, inovação e comportamento do consumidor.
A edição realizada em São Paulo reforça o protagonismo do Brasil no debate internacional sobre o futuro do luxo, especialmente no que se refere à integração entre tecnologia, sustentabilidade e experiência do cliente.


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