São João e Pets: Especialista alerta para riscos dos fogos, fugas e alimentos inadequados durante os festejos juninos

Os festejos juninos, tradição cultural presente em diversas cidades do Nordeste, exigem atenção especial dos tutores de animais de estimação. O período, marcado por fogos de artifício, fogueiras, música, grande circulação de pessoas e comidas típicas, pode representar riscos à saúde e ao bem-estar de cães e gatos, aumentando a incidência de estresse, acidentes e fugas.

Segundo Kaio Pires, médico-veterinário, preceptor e responsável técnico da Clínica-Escola de Medicina Veterinária da UNEX Feira de Santana, o excesso de ruídos provocado pelos fogos é um dos principais fatores que afetam os animais durante as festividades juninas.

De acordo com o especialista, além do impacto emocional, o período também registra aumento nos casos de animais desaparecidos, atropelamentos e atendimentos veterinários de emergência relacionados ao medo e à ansiedade causados pelos estampidos.

Fogos de artifício estão entre os principais riscos para cães e gatos

Conforme explica Kaio Pires, cães e gatos possuem uma capacidade auditiva significativamente mais sensível do que a dos seres humanos. Por isso, sons intensos e repentinos costumam ser interpretados pelos animais como situações de ameaça.

A dificuldade em compreender a origem dos ruídos faz com que muitos pets entrem em estado de alerta, apresentando comportamentos relacionados ao medo e ao estresse. Em situações mais severas, os efeitos podem comprometer a saúde física dos animais.

Entre os sinais mais comuns estão tremores, respiração ofegante, vocalização excessiva, inquietação, tentativas de se esconder, salivação intensa, perda de apetite e comportamentos destrutivos. Em casos mais graves, também podem ocorrer vômitos, diarreia e crises convulsivas.

Ambientes seguros ajudam a reduzir os impactos do barulho

Para minimizar os efeitos dos fogos de artifício, a orientação é manter os animais em locais protegidos dentro da residência. Portas e janelas fechadas ajudam a reduzir tanto o ruído quanto o risco de fuga.

O especialista recomenda ainda o uso de cortinas para diminuir os estímulos visuais provocados pelos fogos e a utilização de televisão ligada ou música suave como forma de amenizar os sons externos.

Outra medida importante é disponibilizar espaços onde os animais possam se refugiar durante os momentos de maior movimentação. A presença dos tutores também contribui para transmitir sensação de segurança e conforto aos pets.

Avaliação veterinária pode ser necessária em casos específicos

Animais que já apresentam histórico de medo excessivo de barulhos ou quadros de ansiedade devem receber atenção especial antes do início das festividades.

Segundo Kaio Pires, a consulta preventiva com um médico-veterinário permite avaliar cada caso individualmente e definir estratégias adequadas para minimizar o desconforto durante o período junino.

Dependendo da situação, podem ser indicadas medidas comportamentais específicas ou medicamentos prescritos pelo profissional responsável, sempre com acompanhamento veterinário.

Comidas típicas exigem atenção dos tutores

Além dos ruídos, a alimentação é outro fator que merece cuidados durante os festejos. Embora seja comum o desejo de compartilhar alimentos com os animais, diversos ingredientes presentes nas comidas típicas podem causar problemas de saúde.

Entre os alimentos que devem ser evitados estão chocolate, uvas-passas, bebidas alcoólicas, cebola, alho, adoçantes à base de xilitol, doces em excesso, alimentos gordurosos e preparações muito condimentadas.

Segundo o especialista, mesmo alimentos considerados inofensivos podem provocar reações adversas, incluindo vômitos, diarreia e pancreatite. A recomendação é manter a dieta habitual do animal durante todo o período festivo.

Identificação e prevenção reduzem riscos de desaparecimento

O medo provocado pelos fogos de artifício está entre as principais causas de fuga de animais durante o São João. Em busca de escapar dos ruídos, muitos cães e gatos conseguem sair de suas residências por locais que normalmente não utilizariam.

Para reduzir esse risco, os tutores devem verificar previamente portões, cercas, muros e possíveis rotas de escape. O uso de coleiras com identificação contendo nome do animal e telefone atualizado do responsável também é recomendado.

O microchip é outro recurso apontado como importante para facilitar a localização do pet em caso de desaparecimento. Caso a fuga ocorra, a divulgação rápida em redes sociais, grupos comunitários e clínicas veterinárias pode aumentar as chances de reencontro.

Bem-estar animal deve integrar o planejamento das festas juninas

Os impactos dos festejos não se limitam aos animais domésticos. Aves, animais silvestres e espécies de produção também podem sofrer consequências provocadas pelo excesso de ruídos.

Em áreas rurais, por exemplo, bovinos, equinos e outros animais podem apresentar agitação e maior risco de acidentes durante períodos de intensa queima de fogos.

Para Kaio Pires, a conscientização dos tutores e da população é fundamental para que as celebrações ocorram de forma responsável. Segundo ele, medidas simples de prevenção contribuem para preservar a saúde e a segurança dos animais sem interferir nas tradições culturais do período.


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