Fogos de artifício aumentam crises de ansiedade, fugas e acidentes com cães e gatos durante festas juninas, alertam especialistas

A aproximação das festas juninas reacende o alerta sobre os impactos dos fogos de artifício com estampido em cães e gatos. Especialistas apontam aumento nos casos de ansiedade, fugas, acidentes e atendimentos veterinários relacionados ao medo provocado pelo barulho durante o período de comemorações.

Segundo veterinários e entidades de proteção animal, o problema ocorre devido à alta sensibilidade auditiva dos animais, que percebem os sons de forma mais intensa do que os seres humanos. O cenário provoca alterações físicas e comportamentais que podem evoluir para situações graves.

Além das consequências clínicas, o debate também envolve questões jurídicas e discussões sobre proteção animal, especialmente diante do crescimento de campanhas voltadas à redução do uso de fogos com ruído.

Veterinários registram aumento de atendimentos no período junino

O médico veterinário Carlos Henrique Alves afirma que o período junino costuma provocar crescimento significativo nos atendimentos relacionados ao estresse causado pelos fogos de artifício.

De acordo com o especialista, cães e gatos podem apresentar tremores, taquicardia, falta de apetite, comportamento agressivo, desorientação e tentativas de fuga após os estampidos.

“Os cães e gatos percebem os estampidos de maneira muito mais intensa. O organismo entra em estado de alerta e muitos animais passam a apresentar tremores, taquicardia, falta de apetite e comportamento desesperado”, afirmou.

Tentativas de fuga provocam acidentes e ferimentos

Segundo Carlos Henrique Alves, muitos animais tentam escapar do barulho de forma impulsiva, aumentando os riscos de acidentes domésticos e desaparecimentos.

“Há animais que quebram grades, atravessam portas de vidro ou pulam de locais altos tentando escapar do barulho. Em situações mais severas, vemos crises convulsivas e até mortes por parada cardiorrespiratória em animais mais debilitados”, relatou o veterinário.

O período junino também registra crescimento nos casos de animais perdidos após fugas motivadas pelo medo dos fogos, situação que mobiliza clínicas veterinárias e protetores independentes.

Pesquisa aponta medo de fogos em 84% dos animais

Levantamento realizado em 2023 pela empresa Petlove, em parceria com o Instituto Pet Brasil, mostrou que 84% dos tutores afirmam que seus animais apresentam medo ou alterações comportamentais durante queimas de fogos.

A pesquisa revelou ainda que dois em cada três entrevistados relataram episódios de fuga associados aos estampidos.

Estudos divulgados em campanhas de conscientização do setor veterinário também apontam que o excesso de ruído pode desencadear sintomas físicos e emocionais em larga escala, incluindo ansiedade intensa e lesões provocadas durante tentativas de fuga.

Debate sobre fogos com estampido também envolve legislação

Além das consequências para a saúde animal, o tema passou a integrar discussões jurídicas ligadas à proteção dos animais.

O advogado Ramon Camurugy destaca que a legislação brasileira avançou nos últimos anos em relação ao combate aos maus-tratos.

“A legislação brasileira avançou bastante nos últimos anos no combate aos maus-tratos. Hoje existe uma compreensão maior de que submeter animais a sofrimento intenso e previsível também exige reflexão da sociedade”, afirmou.

Segundo ele, a discussão sobre fogos com estampido envolve responsabilidade coletiva e proteção à vida animal, além das tradições culturais associadas às festas populares.

Lei federal prevê punições para maus-tratos contra animais

Ramon Camurugy lembra que a Lei Federal 9.605/98 prevê punições para crimes de maus-tratos contra animais.

As penalidades foram ampliadas nos casos envolvendo cães e gatos após a entrada em vigor da Lei 14.064/2020, que aumentou as penas para esse tipo de crime.

O debate sobre restrições ao uso de fogos com estampido tem avançado em diferentes municípios brasileiros, especialmente durante períodos festivos de grande porte.

Especialistas orientam medidas preventivas para proteger pets

Com a proximidade das festas juninas, veterinários orientam tutores a adotarem medidas preventivas para reduzir os impactos do barulho sobre os animais.

Entre as recomendações estão manter cães e gatos dentro de casa durante os horários de maior movimentação, fechar portas e janelas e criar ambientes protegidos para os pets.

Especialistas também orientam reforçar a identificação nas coleiras e evitar deixar os animais sozinhos durante os períodos de queima de fogos, reduzindo os riscos de fugas e acidentes.


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