O hantavírus, grupo de vírus zoonóticos transmitidos principalmente por roedores silvestres, permanece associado a quadros clínicos de evolução rápida e potencial gravidade, com possibilidade de óbito quando não há identificação precoce e manejo adequado. Nas Américas, a infecção está relacionada à Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus, que pode iniciar com sintomas inespecíficos e evoluir em poucas horas para insuficiência respiratória.
No Brasil, em 2026, foram confirmados sete casos da doença e uma morte, segundo o Ministério da Saúde, sem relação com registros internacionais. O órgão informa que não há evidências de transmissão entre pessoas nos casos humanos identificados no país. Em 2025, foram registradas 35 ocorrências. Na Bahia, não há casos confirmados até o momento.
De acordo com o infectologista e consultor do Sabin Diagnóstico e Saúde, Claudilson Bastos, roedores atuam como hospedeiros naturais do vírus e eliminam partículas virais por saliva, urina e fezes, sem apresentar sintomas. A principal via de transmissão ocorre pela inalação de aerossóis contaminados em ambientes fechados com infestação de roedores, especialmente durante atividades de limpeza, demolição ou construção sem proteção adequada.
A transmissão por mordedura é considerada rara. O vírus pode permanecer em ambientes úmidos por até 15 dias e, em condições secas, por aproximadamente 24 horas. O especialista também aponta que a transmissão entre pessoas ocorre apenas em situações excepcionais de contato íntimo com indivíduos sintomáticos, como compartilhamento de ambiente fechado, contato direto com saliva ou contato sexual.
Transmissão, ambiente e fatores de risco
A infecção por hantavírus está associada a ambientes com presença de roedores e à exposição a partículas contaminadas em suspensão no ar. Atividades de limpeza e manejo de locais fechados sem ventilação adequada estão entre as principais situações de risco descritas por autoridades de saúde.
A fase inicial da doença, denominada prodrômica ou febril, pode durar de dois a sete dias e inclui febre alta, dor muscular, cefaleia, dor abdominal, náuseas, vômitos e dor retro-ocular. Os sintomas são semelhantes aos de outras doenças febris comuns no Brasil, como dengue, gripe, leptospirose e Covid-19.
A semelhança clínica entre essas condições reforça a necessidade de exames laboratoriais para investigação diagnóstica e diferenciação precoce.
Diagnóstico laboratorial e exame sorológico
O Sabin Diagnóstico e Saúde realiza o exame sorológico para pesquisa de anticorpos anti-hantavírus IgG e IgM em unidades na Bahia, incluindo Salvador, Lauro de Freitas, Camaçari, Santo Antônio de Jesus, Barreiras e Luís Eduardo Magalhães, além do serviço domiciliar VEM Sabin.
O exame é realizado por imunofluorescência indireta e requer jejum mínimo de oito horas. O resultado é disponibilizado em até 15 dias úteis. O procedimento auxilia na identificação da fase da infecção e na diferenciação entre infecção recente e passada.
Segundo a coordenadora do Núcleo Técnico Operacional do Sabin, Híbera Brandão, o exame sorológico contribui para distinguir hantavirose de outras doenças febris agudas com sintomas semelhantes, especialmente em fases iniciais, e apoia a tomada de decisão clínica em casos suspeitos.
A disponibilidade do exame em diferentes municípios e por atendimento domiciliar amplia o acesso à investigação laboratorial em contextos de suspeita clínica.
Evolução clínica e orientação de atendimento
O infectologista Claudilson Bastos informa que a progressão da doença pode ocorrer para a forma cardiopulmonar, com dispneia, taquicardia, hipotensão, edema pulmonar e insuficiência respiratória. A evolução pode ocorrer em horas após o início dos sintomas.
O médico orienta que pacientes com febre persistente associada a sintomas respiratórios, dores musculares intensas ou dor abdominal, principalmente após exposição a ambientes com risco de roedores, devem procurar atendimento médico imediato para avaliação clínica e epidemiológica.
A sazonalidade da doença nas Américas indica maior ocorrência em períodos de primavera e verão, associada a fatores ambientais e comportamentais.
Medidas preventivas incluem ventilação de ambientes antes da limpeza, uso de equipamentos de proteção individual e evitar exposição direta a locais com suspeita de infestação por roedores.


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