O Ministério da Saúde confirmou 140 casos de Mpox no Brasil entre 1º de janeiro e 09 de março de 2026, além de nove casos prováveis e 539 notificações suspeitas da doença viral. Os registros foram identificados em 12 estados brasileiros e no Distrito Federal, com maior concentração de casos no estado de São Paulo.
A doença é monitorada pelas autoridades sanitárias devido à capacidade de transmissão entre pessoas e animais, além da possibilidade de apresentar diversos sintomas, incluindo manifestações na pele, mucosas e olhos.
Segundo especialistas, os sinais clínicos podem surgir entre três e 21 dias após o contato com o vírus, período considerado de incubação da infecção.
Sintomas incluem lesões na pele e manifestações oculares
De acordo com o oftalmologista Pedro Antônio Nogueira Filho, chefe do pronto-socorro do H.Olhos, o principal sintoma da Mpox é o surgimento de erupções ou lesões cutâneas, que podem aparecer em diferentes partes do corpo.
Entre as áreas afetadas estão mãos, pés, tronco, órgãos genitais e cavidade oral, além da possibilidade de surgirem lesões próximas à região ocular.
No caso de manifestações nos olhos, os sintomas incluem conjuntivite, dor, coceira, sensibilidade à luz, visão turva, inchaço das pálpebras e presença de bolhas ou lesões ao redor dos olhos.
Outros sinais associados à infecção podem incluir febre, calafrios, aumento dos gânglios linfáticos, dor de cabeça, dores musculares e sensação de fraqueza.
Tratamento é voltado ao controle dos sintomas
Segundo especialistas, não há tratamento único específico para todos os casos, sendo que a abordagem médica é direcionada principalmente para o controle dos sintomas apresentados pelo paciente.
Em quadros leves, podem ser utilizados analgésicos e antitérmicos, enquanto medicamentos antivirais podem ser indicados em casos mais graves, conforme avaliação médica.
Quando há comprometimento ocular, o tratamento pode incluir colírios lubrificantes, antivirais ou antibióticos, além de compressas frias e úmidas sobre os olhos fechados para reduzir o inchaço.
A higienização das pálpebras também pode ser recomendada, geralmente com soro fisiológico, conforme orientação de profissionais de saúde.
Período de transmissão exige medidas de prevenção
O risco de transmissão da Mpox é considerado mais elevado entre o início dos sintomas e a cicatrização completa das lesões, fase em que o vírus pode ser transmitido por contato direto.
As autoridades de saúde recomendam evitar contato físico com pessoas infectadas ou com objetos contaminados, além da higienização frequente das mãos com água e sabão ou álcool em gel.
Profissionais de saúde e cuidadores devem utilizar equipamentos de proteção individual, como máscaras e luvas, durante o atendimento a pacientes com suspeita da doença.
A vacinação contra Mpox está disponível no Sistema Único de Saúde, direcionada a grupos prioritários definidos pelas autoridades sanitárias.
Doença é considerada uma zoonose
A Mpox é classificada como zoonose, ou seja, uma doença que pode ser transmitida entre animais e seres humanos, além da transmissão entre pessoas.
Estudos indicam que o vírus pode ser transportado principalmente por pequenos roedores, como esquilos, enquanto macacos e humanos são considerados hospedeiros ocasionais.
Para reduzir estigmas relacionados aos primatas, a Organização Mundial da Saúde adotou oficialmente o termo Mpox, substituindo a denominação anterior “varíola dos macacos”.
Orientações em caso de suspeita da doença
Em caso de sintomas compatíveis com Mpox, especialistas orientam procurar serviço de pronto atendimento para avaliação médica.
Durante o deslocamento e atendimento, é recomendado utilizar máscara facial e manter distância de outras pessoas, a fim de reduzir o risco de transmissão.
Também é indicado evitar tocar nas lesões cutâneas, pois o contato pode contribuir para a disseminação do vírus para outras regiões do corpo.
O médico Pedro Antônio Nogueira Filho alerta ainda que medicamentos devem ser utilizados apenas com prescrição médica, especialmente anti-inflamatórios não esteroides, corticóides, ácido acetilsalicílico e anticoagulantes, que podem agravar quadros inflamatórios ou provocar complicações.


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