Prolapso de órgãos pélvicos afeta mulheres e pode ser tratado pelo SUS sem cirurgia com uso de pessário vaginal

O prolapso de órgãos pélvicos, condição caracterizada pelo deslocamento de estruturas como bexiga, útero ou reto em direção ao canal vaginal, pode ser tratado sem cirurgia por meio de abordagens conservadoras disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). O tema foi detalhado por especialistas do Instituto Patrícia Lordêlo (IPL), que atua na área de saúde pélvica feminina.

A condição está associada ao enfraquecimento do assoalho pélvico e pode impactar a qualidade de vida das pacientes. Segundo estudo publicado em 2016 (Horst et al., 2016), cerca de 52% das mulheres apresentam algum grau de prolapso ao longo da vida.

A fisioterapeuta e pesquisadora Patrícia Lordêlo explica que fatores como partos vaginais, envelhecimento, menopausa, obesidade, constipação crônica e histórico familiar estão entre os principais elementos associados ao desenvolvimento da condição.

Prevalência, internações e perfil das pacientes

Dados do SUS indicam que, entre 2014 e 2022, mais de 192 mil mulheres foram hospitalizadas no Brasil devido ao prolapso genital. A maior concentração de internações ocorre na faixa etária entre 60 e 69 anos.

Estudos clínicos apontam que até 50% das mulheres idosas podem apresentar algum grau da disfunção, embora nem todas busquem atendimento médico. Entre os fatores associados estão desconhecimento da condição e constrangimento.

O público mais vulnerável inclui mulheres acima dos 50 anos, especialmente aquelas com histórico de múltiplos partos vaginais ou em período pós-menopausa.

Tratamento sem cirurgia e uso do pessário vaginal

O tratamento do prolapso de órgãos pélvicos pode ser realizado de forma conservadora, sem necessidade de intervenção cirúrgica em diversos casos. Entre as alternativas está o uso do pessário vaginal.

O dispositivo é descrito como uma estrutura de silicone inserida na vagina para auxiliar na sustentação dos órgãos pélvicos, com indicação para alívio de sintomas como sensação de peso, desconforto e alterações urinárias.

Segundo Patrícia Lordêlo, revisões científicas indicam que o uso do pessário está associado à melhora dos sintomas e da qualidade de vida das pacientes.

Abordagem clínica e atuação multidisciplinar

O pessário é reconhecido por associações internacionais de uroginecologia, como a IUGA, como uma das opções de primeira linha no tratamento conservador do prolapso.

O dispositivo pode ser utilizado de forma temporária ou contínua, com acompanhamento profissional periódico. No Brasil, protocolos clínicos recomendam abordagem multidisciplinar envolvendo ginecologistas, fisioterapeutas pélvicos e enfermeiros.

A estratégia tem como objetivo reduzir a necessidade de cirurgias e internações, além de ampliar o acesso ao tratamento em serviços públicos de saúde.

Acesso ao tratamento pelo SUS e atuação do IPL

O Instituto Patrícia Lordêlo (IPL) é uma das instituições que disponibiliza o uso de pessários no SUS. Segundo a entidade, mais de 1.000 dispositivos já foram colocados em pacientes em Salvador.

O instituto atua na ampliação do acesso a terapias conservadoras para saúde pélvica feminina, com atendimento integral via sistema público.

A instituição possui estrutura voltada para diagnóstico, tratamento e formação profissional, com foco em atendimento especializado na área.

Estrutura do Instituto Patrícia Lordêlo

O IPL foi fundado em 2019 pela fisioterapeuta e pesquisadora Patrícia Lordêlo, após mais de duas décadas de atuação na área de saúde pélvica.

A instituição conta com cerca de 500 m² de estrutura física, distribuídos em consultórios voltados ao atendimento e à capacitação profissional.

O espaço integra atividades assistenciais e de pesquisa, com atendimento gratuito pelo SUS e foco em tratamentos individualizados.

Importância da informação e prevenção

Especialistas destacam que a ampliação do acesso à informação sobre o prolapso de órgãos pélvicos é considerada um fator relevante para o diagnóstico precoce.

A identificação da condição em estágios iniciais pode contribuir para a redução de internações e cirurgias, além de ampliar o acesso a tratamentos conservadores.

A abordagem multidisciplinar é apontada como estratégia central para o manejo da doença no sistema de saúde.


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