A cervicite, uma inflamação do colo do útero, é uma condição que frequentemente não apresenta sintomas evidentes e pode afetar até 2 milhões de mulheres no Brasil anualmente. Esta inflamação, comumente desencadeada por infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como clamídia e gonorreia, pode resultar em complicações significativas para a fertilidade feminina.
Globalmente, estima-se que existam cerca de 340 milhões de casos de cervicite, com aproximadamente 12 milhões de casos registrados no Brasil. A faixa etária mais afetada é a de jovens entre 15 e 25 anos, com uma incidência anual mundial de cerca de 19 milhões de novos casos. A condição pode ser agravada por fatores como o uso de tampões, diafragmas ou certos tipos de preservativos, que podem irritar o colo do útero e criar um ambiente favorável para a inflamação.
No Brasil, a condição é muitas vezes assintomática, com mais de 70% dos casos não apresentando sintomas claros.
“A falta de sintomas evidentes faz com que muitas mulheres descubram a cervicite apenas quando enfrentam dificuldades para engravidar. Nesses casos, o dano já pode ter ocorrido, tornando a concepção natural mais difícil. Muitas vezes, a reprodução assistida se torna a única alternativa para alcançar a maternidade”, explica o Dr. Agnaldo Viana, especialista em reprodução assistida no IVI Salvador.
Quando presentes, os sintomas da cervicite podem incluir dor durante a relação sexual, corrimento vaginal anormal com odor, sangramento fora do ciclo menstrual e dor abdominal inferior ou nas costas.
O fato de a cervicite frequentemente não apresentar sintomas claros é um dos principais motivos para o atraso no diagnóstico e no tratamento, permitindo que a condição evolua para complicações mais graves, como a Doença Inflamatória Pélvica (DIP), uma das principais causas de infertilidade feminina.
O diagnóstico da cervicite é normalmente feito durante um exame ginecológico, onde amostras do colo do útero são coletadas e analisadas. O tratamento depende da causa subjacente: infecções bacterianas são tratadas com antibióticos, enquanto infecções virais requerem medicamentos antivirais.
Para mulheres que enfrentam dificuldades de fertilidade devido à cervicite, opções de reprodução assistida, como a fertilização in vitro (FIV), podem ser consideradas. Na FIV, o óvulo é fertilizado em laboratório e o embrião é transferido diretamente para o útero, contornando problemas como o estreitamento do canal cervical. Outra alternativa é a inseminação artificial, onde os espermatozoides são introduzidos diretamente no útero.



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