Passagens de ônibus no Nordeste mantêm variação moderada de preços, aponta Índice Rodoviário ClickBus-Fipe

O Índice Rodoviário ClickBus (IRCB), desenvolvido em parceria entre a plataforma ClickBus e a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), aponta que as passagens de ônibus no Nordeste registram variações moderadas de preços, com destaque para os estados de Ceará (2,8%), Paraíba (4,0%) e Bahia (4,3%) no acumulado recente. O levantamento considera dados de transações em todo o país e consolida um indicador estruturado do setor rodoviário.

O estudo foi divulgado como o primeiro índice recorrente voltado ao acompanhamento da evolução dos preços das passagens rodoviárias no Brasil, com base em microdados de vendas e metodologia econômica aplicada.

Segundo o levantamento, o transporte rodoviário segue como principal meio de mobilidade entre cidades no país, com estimativa de 160 milhões de passageiros transportados em 2025, conforme dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e órgãos estaduais.

Nordeste registra variações inferiores à média de algumas regiões

No recorte regional do IRCB, o Nordeste apresentou comportamento de preços com variações inferiores a outras áreas do país em determinados estados. Além dos dados de Ceará, Paraíba e Bahia, o índice aponta diferenças entre regiões conforme oferta, demanda e regulação.

O levantamento indica que o Centro-Oeste registrou alta de 8,2%, enquanto o Sul apresentou variação de 2,8%, configurando o menor índice regional no período analisado.

No recorte nacional, o índice acumulado desde abril de 2016 até abril de 2026 aponta crescimento de 66,1% no Nordeste, acima de outras regiões como o Sul (48,6%) e o Centro-Oeste (43,3%).

Estrutura do índice e metodologia de cálculo

O IRCB utiliza base de dados transacionais da plataforma ClickBus, com cerca de 62 terabytes de informações, e incorpora ponderações da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF/IBGE) para garantir representatividade nacional.

A metodologia desenvolvida pela Fipe considera a variação dos preços no mês da viagem, e não na data da compra, além de controlar variáveis como origem, destino, categoria do serviço e distância.

As classes analisadas incluem modalidades como convencional, executivo, semileito, leito e cama, além de diferentes faixas de distância e tipos de operação intermunicipal e interestadual.

Comparação com outros modais e indicadores econômicos

O estudo aponta que as passagens rodoviárias subiram 7,5% no acumulado anual (abr/25 a abr/26), abaixo das passagens aéreas (23,2%) e do diesel (15,7%). O índice também ficou acima do IPCA geral no período (4,4%).

No acumulado de janeiro a abril de 2026, o aumento registrado foi de 5,9%, em linha com o ano móvel analisado. O comportamento indica variação inferior à de combustíveis e do transporte aéreo.

O levantamento também mostra que, desde 2017, o preço das passagens rodoviárias acumula alta de 60,5%, enquanto o diesel avançou 119,4% no mesmo período.

Dinâmica por distância, classe e modalidade

O índice identifica diferenças de comportamento conforme o tipo de viagem. As viagens de curta distância (até 100 km) apresentaram alta de 8,5%, enquanto trajetos de longa distância (acima de 400 km) tiveram aumento de 5,2%.

Por classe de serviço, a categoria convencional registrou alta de 6,5%, enquanto a modalidade cama teve variação de 4,9% no período analisado.

Entre as modalidades, os serviços intermunicipais subiram 5,8% e os interestaduais 6,1%, com variações próximas entre os segmentos.

Contexto estrutural do transporte rodoviário

O estudo associa a trajetória do setor a fatores como custos operacionais, demanda pós-pandemia e mudanças regulatórias da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

A série histórica do índice, iniciada em 2017, inclui períodos de impacto como a pandemia de Covid-19 e ciclos de variação no preço dos combustíveis.

Segundo os dados, a evolução do transporte rodoviário também reflete alterações na estrutura de consumo e na digitalização da venda de passagens.

Declarações institucionais e uso de dados

O CEO da ClickBus, Phillip Klien, afirmou que o índice busca reduzir assimetria de informações no setor e ampliar a transparência sobre a formação de preços no transporte rodoviário.

A Fipe destacou que a metodologia permite isolar variações de preços e ampliar a precisão na análise do comportamento do mercado.

O tratamento dos dados segue critérios de agregação e confidencialidade, sem identificação individual de usuários.


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