O programa Au Pair nos Estados Unidos vem registrando aumento no interesse entre jovens brasileiras que buscam oportunidades de trabalho remunerado, estudo e imersão cultural no exterior. Voltada exclusivamente para mulheres entre 18 e 26 anos, a iniciativa permite que participantes morem com famílias anfitriãs americanas enquanto atuam no cuidado infantil e realizam cursos durante a permanência no país.
O crescimento da procura acompanha uma tendência mais ampla de internacionalização entre estudantes brasileiros. Dados da plataforma global Flywire, com base em estatísticas da UNESCO, apontam que o número de brasileiros em programas de educação internacional aumentou mais de 50% desde 2017, passando de aproximadamente 58 mil para mais de 89 mil estudantes em diferentes países.
Além da possibilidade de aprimorar o inglês, o programa também oferece experiência profissional, convivência intercultural e remuneração semanal, fatores que têm contribuído para ampliar o interesse de mulheres em busca de autonomia financeira e desenvolvimento pessoal.
Programa combina trabalho remunerado e vivência internacional
O modelo de intercâmbio Au Pair é regulamentado nos Estados Unidos e prevê que as participantes residam na casa da família anfitriã durante o período do programa.
As participantes atuam principalmente no cuidado infantil e recebem benefícios como hospedagem, alimentação, remuneração semanal e possibilidade de frequentar cursos durante a estadia. O programa também permite viagens e contato com diferentes culturas.
Segundo a Experimento Intercâmbio Cultural, empresa especializada em educação internacional, muitas candidatas enxergam a experiência como oportunidade para construir independência financeira e ampliar perspectivas profissionais e pessoais.
Interesse cresce entre jovens brasileiras
De acordo com a CEO da Experimento Intercâmbio Cultural, Carla Gama, o programa tem sido procurado por mulheres interessadas em assumir novas responsabilidades fora do país.
Segundo ela, a experiência vai além do turismo ou do intercâmbio tradicional de idiomas.
“Muitas jovens escolhem o Au Pair como uma forma de assumir as rédeas da própria trajetória, viver em outro país, administrar a própria rotina e conquistar independência financeira enquanto constroem uma vivência internacional”, afirmou.
A proposta reúne elementos ligados ao aprendizado de idiomas, desenvolvimento pessoal e experiência profissional, características que têm ampliado o alcance do programa entre brasileiras.
Experiências pessoais mostram desafios e adaptação
A fisioterapeuta Letícia Servilha Peres, de 24 anos, natural de Jundiaí, em São Paulo, participou do programa em 2023 após concluir a graduação. Ela embarcou para a Califórnia em busca de experiência internacional e contato com outra cultura.
Segundo Letícia, o início da jornada foi marcado por inseguranças relacionadas à comunicação em inglês e à adaptação em outro país. Com o tempo, passou a administrar situações cotidianas de forma independente, incluindo organização financeira e planejamento de viagens.
A participante relatou que a experiência contribuiu para fortalecer sua autonomia e ampliar a confiança para lidar com desafios em outro idioma.
Vivência no exterior amplia habilidades pessoais
Outra participante do programa, Bruniele Rodrigues Carnero, de 28 anos, natural de Cabreúva, em São Paulo, decidiu participar do Au Pair após atuar como assistente de e-commerce no Brasil.
Ela embarcou para os Estados Unidos em janeiro de 2023 em busca de novas experiências profissionais e pessoais. Entre os desafios enfrentados durante o intercâmbio, Bruniele destacou a adaptação ao idioma e à rotina em regiões com neve intensa.
Segundo ela, viajar sozinha para Nova York poucos meses após chegar ao país representou um marco no processo de adaptação e fortalecimento da independência pessoal.
Desenvolvimento de competências impulsiona procura
Especialistas apontam que a experiência internacional também contribui para o desenvolvimento de habilidades relacionadas à vida profissional e pessoal.
Entre as competências citadas estão organização, gestão do tempo, resolução de problemas, comunicação intercultural e adaptabilidade diante de diferentes contextos sociais e culturais.
Para Carla Gama, a rotina vivenciada pelas participantes favorece o amadurecimento pessoal e o fortalecimento da autoconfiança. Segundo ela, o ambiente de adaptação constante exige capacidade de tomada de decisões e convivência com novas realidades.
Programa amplia debate sobre autonomia feminina
O crescimento do interesse pelo Au Pair ocorre em um contexto de maior debate sobre autonomia feminina e independência financeira entre jovens brasileiras.
A possibilidade de viver fora do país, assumir responsabilidades e construir experiências profissionais internacionais tem sido apontada como um dos principais fatores de interesse pelo programa.
Além do aprendizado acadêmico e profissional, a experiência no exterior também amplia o contato com diferentes culturas e rotinas, contribuindo para formação pessoal das participantes.


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