Os sistemas de saúde de países europeus têm ampliado o uso de inteligência artificial (IA) em diagnósticos médicos, apoio à decisão clínica e gestão hospitalar, segundo relatório da Organização Mundial da Saúde. O levantamento indica que mais da metade dos países da União Europeia já utiliza ferramentas de IA em diferentes etapas do atendimento.
O estudo também aponta que a tecnologia está sendo incorporada de forma gradual na infraestrutura de saúde, com foco em eficiência operacional, análise de dados e suporte a profissionais médicos.
A análise considera informações coletadas entre junho de 2024 e março de 2025 em países do bloco europeu.
Expansão do uso de IA em diagnósticos e decisões clínicas
De acordo com o relatório, os Estados-membros da União Europeia têm priorizado o uso de IA em triagem de pacientes, análise de imagens médicas e elaboração de perfis de risco.
A pesquisa indica que a principal prioridade declarada pelos países é o aprimoramento do atendimento e dos desfechos clínicos, com aplicações voltadas à medicina personalizada e à otimização de fluxos de atendimento.
A IA também é utilizada como ferramenta de apoio à decisão médica, auxiliando na identificação de padrões clínicos e na previsão de evolução de doenças.
Cirurgia assistida por IA e uso de robótica médica
Entre os países analisados, apenas Portugal, França e Espanha já implementaram formalmente sistemas de cirurgia assistida por inteligência artificial com uso de robótica médica.
Portugal, França e Espanha utilizam essas tecnologias para apoiar procedimentos cirúrgicos e ampliar precisão técnica em operações complexas.
O relatório destaca que a adoção ainda está concentrada em poucos sistemas nacionais, com expansão gradual em outros países.
Centros de dados e infraestrutura digital de saúde
O documento aponta avanço na criação de centros nacionais de dados de saúde, que utilizam capacidade computacional para processar grandes volumes de informações clínicas.
Segundo o levantamento, 63% dos países da União Europeia já possuem esse tipo de estrutura, enquanto 22% estão em fase de implementação.
Em Portugal, os sistemas integram dados de atenção primária, emergências, internações, prescrições médicas, registros eletrônicos e informações administrativas, com regras de acesso restritas a pesquisadores do setor público em determinados casos.
Em outros países, o acesso a dados para pesquisa depende de processos de anonimização para proteção de informações pessoais.
Governança de dados e desafios regulatórios
O relatório da OMS indica que a maioria dos países ainda não possui estruturas completas para compartilhamento de dados de saúde em larga escala para pesquisa e desenvolvimento de IA.
A ausência de regulamentação uniforme é apontada como fator que pode limitar a aplicação de soluções tecnológicas na prática clínica e na saúde pública.
A organização alerta que barreiras regulatórias podem resultar em sistemas tecnicamente avançados, mas com baixa aderência às necessidades dos serviços de saúde.
Uso responsável e integração tecnológica
Apesar das limitações, o relatório destaca que os sistemas de saúde europeus estão em processo de construção de bases técnicas e regulatórias para uso seguro da IA.
A OMS reforça a necessidade de políticas que garantam uso seguro, equitativo e responsável da inteligência artificial na saúde, com foco em interoperabilidade de dados e proteção de informações sensíveis.
O documento conclui que a consolidação dessas tecnologias depende da integração entre infraestrutura digital, governança e capacitação profissional.
*Com informações da ONU News.


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